domingo, 12 de dezembro de 2010

Monstro Humano

Todos dormem a meia noite
menos eu
monstro aceso de ódio
de amor
de vida.

Todos sonham sonhos belos
perdem o tempo em fantasia
enquanto tento viver o sonho real
do mundo sobrenatural
da maléfica vida endiabrada
azarada.

Enquanto calmos dormem
dentro de mim luto
comigo mesmo
no mais inexo espírito de vida
da inconsciência humana
de um monstro feito humano
este maldito ser humano.

Enquanto os outros
por amor sangram suas veias
eu simplesmente me mato por amor
pelo amor inexistente
que tanto teimo em fazer existir
amor de monstro humano
de humano maldito.

Dito Paraíso

Ouço o último som de minha vida
em plena morte presente
o som da mais terrível música
a música da doce morte vinda
brindando minha chegada
ao dito paraíso criado por mim.


Ouço o alegre orgão triunfante
soprando inconfundíveis notas
soltando sua música de alegria
mais um morto a pagar
os impostos cobrados no céu.


Ouço vozes de crianças
milhares delas
anjos sem sexo e sem vida
mas que podem assim viver
eternamente no paraíso chato
branco, sem-graça, sem vida.


Ouço ao longe
o choro dos que me deixaram morrer
o pranto triste terrestre de pura dor
mais um ente querido se foi
para o dito paraíso
que criaram para mim.


Não tive a escolha
de escolher o dito paraíso
que eu mesmo fiz
que eu mesmo imaginei
mas que errado deu

domingo, 28 de novembro de 2010

Monstro Vermelho

E no triste ser presente que sou eu
sinto o monstro da vida se manifestar
com um vermelho púrpura de sangue.

Sinto a duras penas
o monstro do horror entrar
e fazer seus próprios pesadelos
me atormentando a vida inteiro.

Vejo seu vermelho cruel
sangue tão forte este
que tenho medo de seguir
e que nem posso ver.

Sinto a desgraça feita
feito pelo monstro
vermelho comunismo
me jogando diante o abismo
que é só seu.

Sinto o final sem fim
para minha vida de pesadelos
de sonhos esquecidos
pelo monstro vermelho
cor de terra.
.

sábado, 27 de novembro de 2010

Dia de Morte

Sinto o cheiro da rosa mortífera
de doce cemitério aberto
na espera de um morto fresco.

Sinto o vazio do buraco aberto
pronto para o defunto receber
sinto o vazio de um corpo
em que a alma desapareceu.

Sinto mesmo as dores do pós-morte
como se minhas mesmo fossem
as dores imortais de uma alma
que não mais volta a terra.

Vejo a morte em minha frente
vejo-a em minha doce mente
sem compreender a morte
a minha própria morte talvez.

Mas eu sinto muito pela morte
que morreu para a morte virar
e que veio agora me buscar
como um serviço qualquer
como um trabalho qualquer.

Mas sinto o cheiro da própria morte
vindo agora me buscar
na crueldade de seu ser
na verdade que deve ser cumprida
na única certeza existente na vida
a certeza de um dia morrer.

domingo, 7 de novembro de 2010

O Monstro

Vivo!
Sim eu vivo
sem sequer uma vida
sem sequer ter uma alma.

Sou a coisa mais louca
da vida que não existe
da alma não feita
da morte não finda
finalizada por si só.

Sou o terrível
monstro da noite
sem ter vida
sem ter nada
mas que assombra
por puro sem-querer.

O monstro que nada faz
mas que faz
que assusta
sendo o monstro que sou
feito o ser sem vida
sem alma
sem sangue
sem coração.

Sou o monstro
sem nada a declarar
e que não queria
assustar.

Sou o monstro
sem ninguém
sem nada
sem tudo.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Paralaxe do Tempo Parado

E na paralaxe do indefinido
sinto o chão ceder como pó
como se fino fosse
sinto os pés voando
debaixo do ar poluído
das grandes mentiras.

Era o dia certamente
marcado no relógio quebrado
a tempos assim parado
o relógio do tempo arrasado.

Era o dia, sim senhor!
O dia sem juízo
sem nada a existir
o dia das horas paradas
malditas que fossem
essas horas paradas.

Na paralaxe do indefinido
me sinto flutuar no nada
como se o nada existisse
debaixo de meus pés
imundos que são
no dia parado
na hora marcada
no minuto arrasado
no segundo pingado
da real mentira da vida.

E na paralaxe do tempo parado
arrasado pelo próprio tempo corrente
que não pode correr mais
sinto-me voar no céu sem cor
que não é verde
nem branco, azul amarelo
nem negro
nem de cor nenhuma.

Sinto-me o tempo arrasado
pouco pingado no pulso de ninguém
pouco dito, pouco falado
na paralaxe da inconstância da mente
da minha própria mente.

E na paralaxe do tempo final
sinto-me o morto cabal
que esqueceu de morrer
por culpa do relógio parado
do relógio arrasado.

domingo, 17 de outubro de 2010

Entre o Céu e o Inferno

Era o sonho
do último dia de vida minha
num desespero esperado
da vida após a morte.

Numa interminável fila crescente
vejo-me mais um na fila dos condenados
a espera da sentença medonha
ir para o céu ou para o inferno?

Neste sonho tudo perdi
neste tudo perdi meus sonhos se foram
e nada mais penso em diante
pois nem sei se isso é mesmo sonho.

Sigo em frente interminável fila
para o dilúvio da eterna vida morta
sem razão sem coração
sigo.

Sigo para o desespero terreno
do último céu que fui
céu e inferno tão perto de mim
amor e sofrimento andando juntos
como se nada fosse real
sigo em frente
sem poder voltar.

sábado, 16 de outubro de 2010

Rosa Caída

A rosa cai
como a pétala de lágrima de amor
no soneto da última valsa
do amor mais triste do mundo.

Cai a rosa meiga
de espinhos amorosos
cai por terra ao chão
como pingo de chuva no coração
como a morte dentro do caixão
a rosa cai.

E o fim chega
com rosa caída ao chão
amargura no coração
como amor desfeito em pedaços largos
alargados pela própria dor
cai como a própria dor
do mais louco e puro amor.

Mas a rosa cai
como cai
nem eu sei
mas sei que a rosa cai
como gota de saliva
em boca mau amada
devaneios de passados amores
mau amados assim mesmo
cai a rosa morta ao chão.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Eu não vivi

Segredos não guardei
amores não amei
a vida não vivi
e a vida foi um caos
e o caos foi minha vida.

E pelas noites saltimbancas
cantei
dancei
chorei
morri
como deve um ébrio
como deve o lunático
o doido
o fora-da-lei
injustiçado
amaldiçoado
assim o fiz.

Eu não vivi
pois outras coisas fiz
antes mesmo de viver
antes mesmo de me ver morto
dentro de um caixão
indo para a terra mãe de todos
onde flores virarei.

Eu não vivi
nem mesmo os minutos pingados
em meu próprio pulso
não quis viver
pois estava mais ocupado
com as coisas alegres.

Eu não vivi
para dizer morri
para morto me ver
mesmo agora
me vendo morto
no caixão.

Enfim
não vivi até o fim
para dizer se me arrependi
ou se gostei
só sei que assim
vivi.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Doce Amada

Quero beijar essa sua boca escura
sentir o odor de tua boca
e amar inconscientemente
esse louco amor.

Quero apenas amar
esse corpo que cintila
o corpo nu de pessoa
que tu és sem perceber.

Mas quero escarrar
na boca dos que te beijam
matar os que te abraçam
enforcar os que te amam
pois isso sim é amor
tão louco e cruel
tão terno e quente.

Quero impor minhas ordens
de acordo com suas ordens
quero te amar eternamente
mesmo que nada dure o amor
quero sorrir em teus olhos
mesmo eu estando triste
quero sofrer calado por você
quero apenas te amar tantas vezes.

Seria capaz de guerras decretar
de fazer loucuras sem noção
de contestar qualquer divino
por você
apenas você
minha doce amada
que não a tenho.

Sou Escuridão

A menos que não aja luz
eu sou a escuridão
plena e carinhosa
terna e melindrosa
sem medo de abraçar.

Envolvente como sou
posso beijar
sem ninguém perceber
e escarrar
sem ninguém sentir.

Pois penumbra segura sou
que afugenta e apazigua
aquieta corações e almas
e ama eternamente
até os inconscientes.

Pois apenas sou
aquele que não se pode ver
mas que se pode sentir
mas que se pode amar
a escuridão.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A Arte de Seu Corpo

E na arte de seu próprio corpo
vejo o meu próprio rosto
pintado em cores carnavalescas.

Vejo a arte nua pintada em você
vejo a arte única e maravilhosa
colorida e multiplicada
vejo a vivas cores
uma vida inteira pintada
sem nenhum pudor.

Vejo a arte pintada
por toda a extensão de seu corpo
por toda a extensão de meus olhos
estes sem nenhum pudor.

Vejo e as vezes não creio
no que eu mesmo vejo
e que talvez não queira ver
vejo talvez o que não devia.

Vejo talvez o que não podia ver
mas eu vejo sem nenhum pudor
vejo e desejo sem nenhum poder
de te querer tanto assim.

Vejo querendo e não podendo
vejo meu desespero
pintado em seu próprio corpo
como o troféu
de minha própria derrota.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sangue Escorrido

Vejo meu sangue escorrendo
indo para a valeta
seguindo o rumo da chuva.

Vejo que ferido estou
sem mesmo ter me machucado
e que escorro o sangue
da triste derrota de um ser.

Vou morrendo aos poucos
rastejando para um lugar seguro
onde eu possa morrer em paz.

Vejo cada pingo sair de mim
cada jorro
cada lágrima
de sangue vermelho
saindo por minhas entranhas
saindo do meu ser
sem sequer ter me ferido.

Mas ferido estou
num sanguinário dilema de morte
seria eu um esfolado vivo?

Na Hora da Morte

E no enfadonho ser
que este o sou
sinto tremer a terra
abaixo de mim
como se fosse a morte
cruel inimiga dos pecadores
vindo a toda me buscar.

Sinto que meus pecados
tão malvados e cruéis
me sobem pela cabeça
e torturam minha alma
tão negra de grandes erros.

E me vendo no espelho do fim
vejo mesmo que sou um morto
ensanguentado pelas ruas
esfolado pela própria vida
que cobrou a minha dívida
em espécie viva.

Sinto que o mau eu fiz
sem mesmo querer ter feito
e que agora eu pago por isso
na hora da morte
quando já nada posso clamar.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Últimos Desejos

Os últimos regalos de meus olhos
quero ver diante do espelho
este amigo e traiçoeiro
que só sabe falar verdades.

Quero ver meu último sorriso
estampado no papel de foto
como lembrança
para não se apagar.

Quero anda ter
o último beijo de amor
que a tanto me prometeram
e até hoje não me deram.

Quero minha última promessa
não cumprir
para fazer raiva a todos
que tanto me prometeram.

Quero me ver no paletó
vermelho sangue
dentro do caixote temível
onde ninguém quer entrar.

Quero então sorrir
o último sorriso
para mostrar
a doce palhaçada
que um dia foi minha vida.

Noite

A noite obcurecente
obscena
em cena aberta para todos
mostra-se escura e negra
terrível e mordaz
feroz e audaz.

A noite negra sem estrelas
quem cintilam na noite alegre
toma por golpe o dia
que no entanto
foi triste.

Noite de frio intenso
que tremo em pensar
me alegro em sonhar
com tal bela noite.

Enfim noite
da morte e da dor
que faz o poeta sofredor
e produz a arte
que se chama horror
veio para me ninar.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Poema de Amor

Veja, amor, as flores penosas
de mais um amanhecer de pó
o nevoeiro de fumaça tóxica
lindo mesmo de se ver, amor.

Sinto inspiração para escrever
este belo poema de amor
em meio ao carbono preto
que se solta dos escapes
escapulentos e barulhentos.

Aliás, ouça amor
a última sonata dessa sinfonia
que se chama fim
o opus 42 radioativo
que nos prendem
e não nos largam.

Veja a última cena
da doce obra
da floresta em chamas
não é belo, amor?

Sinta o doce perfume de diesel
BR número 270
que obra de arte em cheiros.

Veja, meu amor
o filme artístico e tão real
que nós mesmos podemos viver
como soldados ou feridos
malvados, vilões, assassinos
onde ninguém é bonzinho
(nem nós!)

E os desfiles de balaços torturosos
nada é tão lindo quanto a você
meu eterno amor chamado raiva.

Eu me calarei

Mudo ficarei
pois se falo
tenho que me calar
para nada dizer.

Trancado por dentro estou
e assim ficarei eternamente
até não mais aguentar
até que o eterno se acabe.

Pois nada eu direi
para mim mesmo
ou para você mesmo
pois não quero falar
dizer o que não devo
e que devo ao mesmo tempo.

Pois assim me calarei
até algo dizer
e com a dor acabar.

Inconcreto

Pois isto não serei
a eterna certeza de algo ser
pois sei que nada concreto posso ser
pois concreto nada é
concreto nada será.

Vivo num mundo fantástico
que se chama mundo
e neste mundo
vivo um mundo de coisas
finitas ou infinitas
a despeito de viver.

Pois nada creio eu
pois crer em tudo
loucura é sim senhor
pois nada vejo diante dos olhos
pois nada cresço diante de mim.

Pois o real é irreal
imaginário de verdade
algo inexistente
que insistimos de existir.

domingo, 15 de agosto de 2010

Fugindo da Vida Real

Diante do mundo dos horrores
vejo que não sou
o único palhaço da vida real
que tenta a todo custo
partir para o mundo fantástico.

Vejo que meus sonhos são poucos
diante de tantos sonhos sonhados
diante da imaginação fértil do ser
vejo que sou pequeno sonhador.

E diante dos sonhos
me refugio de meu ser real
como fazem tantos outros
neste circo nada feliz
debaixo desta tenda negra
onde todos somos artistas
por mal do próprio ser.

E diante o circo das tristezas
sinto que sou forte mesmo assim
pois eu ainda sonho alto
pois ainda tenho um ser nada real
pois ainda consigo fugir por instantes
desta tenda negra do circo infeliz.

Pois ainda posso imaginar
como é a verdadeira luz do sol
fora desta tenda negra
que se chama vida real.

O Portal

Confesso sim
que medo eu tenho de morrer
pois o que há do outro lado
do misterioso portal da morte?

Ninguém voltou de lá
de trás deste portal
tão sombrio
como a própria vida.

Pois o que há depois
daquele portal da morte
e que ninguém revela?

Medo tenho sim
de morrer e não gostar
ou de me perder na viagem
mais medo tenho de não morrer
e no portal não poder entrar.

Pois o que há naquele portal
que não foi revelado?
-Sei apenas que quem foi
nunca mais voltou de lá.

O Monstro do Espelho

E na aberração do anoitecer
vejo-me diante do espelho
este cruel inimigo
da boa imagem que me tenho.

Me assombro
com meu rosto desconfigurado
com a morte em minha frente
com a vida em flores mortas.

Vejo e não creio
que este seja eu mesmo
-Deve ser outro oras!
invadindo meu ser por fora
-Mas e por dentro?

A inconstância da minha alma
me faz ver que sou fraco
e que nada eu sou
além de um monstro
diante do espelho cruel.

Como queria quebrá-lo
deixá-lo em pedaços
para que nada testemunhe
para que nada comente
para que nada entregue.

Como queria não ser
o monstro que virei
o monstro que espelho testemunha
o monstro que o espelho mostra.

Mas vejo que monstro eu sou
e não há mais volta
pois o espelho me sentenciou
e me condenou a esse castigo
para a minha eterna vida
que de eterna nada tem.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Bilhar

Numa noite de penumbra
ao brilho das falsas luas
numa mesa e bolas de bilhar
jogo a torrente vida
pelas caçapas da dor maior
Numa tentativa delas encaçapar.

E a bola negra
última do jogo
custa a cair
para meu sofrimento acabar
para este jogo terminar.

E o taco torto da vida
nada me ajudar a acertar
não me ajuda a terminar
este maldito jogo
onde sempre perco
este jogo viciante
infeliz.

E sigo pela noite adentro
iluminado pelas falsas luas
onde meus olhos ardem
de pura dor de vida.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Aborto

E vivo estava ele
dentro da cúpula segura
vivendo as doces ilusões
de uma vida não vivida.

Sim! Ele era vivo
estava feliz
pois era vivo
protegido por uma cúpula
até algo adentrar seu recinto
até alguém o matar
e a dor se alojar.

Tirado ele foi
em pedaços sanguinários
posto em bandeja branca
de uma sala asquerosa.

Vivo estava ainda
tudo via no desespero
relances da pouca vida terrena
insegura e cruel

Clarões e jalecos
a visão da mãe lazarenta
a razão da pouca vida
a razão da morte infinita.

Morto estava
posto em saco preto
pedaço a pedaço
jogado no lixo
sem reza
sem cerimônias
sem vida.

Morreu com o ar de desespero
morreu sem ter vivido
sem ter chances de viver.

O Último Apagão

E neste último apagão
festa fiz de alegria
pois tudo escuro ficou
pois a calma chegou.

Apagou-se as luzes
a televisão
micro-ondas
e o mundo apagou
o longe se apagou
a cidade
o estado
o país
se apagaram.

No último apagão
fiz o que não devia ser feito
na luz clara do dia artificial
na luz do dia prolongado na noite
comi, bebi, cantei
pois as luzes falsas se apagaram.

Fiz o que mais queria
escondido e não visto
fiquei quase desnudo
senti a atmosfera
no meu corpo entrar.

Abri a garrafa
que um último gole tinha
de bebida forte
fumei o último que tinha no maço
amei como não deveria ter amado
e fiz até o proibido
o inipensável fazer.

De verdade vivi
no último apagão
me embriaguei em um gole
me entorpeci em um trago
me enlouqueci no louco amor
de pura carne com carne.

Agora espero o próximo apagão
para viver o que espero
para experimentar tudo de novo
no próximo apagão.

Meu Preço

Quanto vale ossos
músculos, dentes
e um cérebro?

Quanto vale um peito ferido?
Quanto vale um pranto contido?
Quanto vale uma dor pendente?

E se eu me vendesse
quanto achas que iriam pagar por mim?

Sei que valho pouco
mas alguma coisa valho
sou experiente em sofrimento
expert em dores infinitas
ágil nas piores situações amorosas.

Sei que pouco faço
mas não faço nem questão
pois não faço menção do que eu faço
pois faço o que faço.

Pois joguem seus preço
sim! Estou a venda
estou aqui exposto
pronto para ir
para ser levado
usado
amargurado
e depois fora jogado
eu estou pronto.

Elefante Morto

Dentes brancos de marfim
couro cinza e duro
carne para semanas
a última caçada
elefantes mortos
dinheiro vivo
num assassinato em massa.

Um único tiro
foi o gasto para matar
o grande animal
agora indefeso
agora morto
sem vida
sem sorte
e sem alma talvez.

E quanto pagarão
pelo seu couro?
E quanto usarão
de seus dentes?
E quanto comerão
a sua carne?

Um elefante morto
desprovido de sorte
desprovido de vida
desprovido de tudo
desprovido de todos e tudo
apenas um morto
elefante.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O Amor dos Sonhos

Quem te abraça nesta fria noite de saudades
quem terá coragem de ter você nos braços
quem tem um coração para te amar assim
como um dia eu mesmo o fiz sem nada pedir?

Os sonhos são refúgios para a dor real
os mundos perto de nós são mágicos
surreais para nossos próprios olhos
cansados de tanto chorar por amor.

Os sonhos esquentam os amantes amargurados
esquentam os que querem um dia amar
os que nunca amaram nesta vida terrena
e os que nunca mais querem amar na vida.

Pois quem te abraça na vida irreal dos sonhos
a abraça com louvor dos deuses
te beija e te protege como se fosse única
te leva no carrossel mágico dos sonhos
te lança o pozinho surreal do voar
numa mágica fantasia imaginária
numa vida sobre a vida real e maldita
pois quem te abraça neste sonho é o amor real
pois quem te abraça neste sonho é o amor eterno
que consegue ultrapassar as fronteiras do real e do irreal
só para ter seus braços cansados
só para ter sua boca seca
só para ter sua vida num mundo surreal.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Fugir para Viver

Vamos fugir para longe
onde não haja impedimento
onde não haja proibições
leis, regras, condutas
onde haja apenas vida
vida para se viver
se esbanjar.

Arrume as malas
pois vamos partir
pois o sentido da vida é viver
para depois enfim morrer
pois é a teórica e prática da vida.

Viver para morrer
morrer para esquecer
a única regra da vida
a única regra e conduta
que devemos seguir
para em paz viver
para a paz viver.

Moça das Fitas

E a moça de fita roda
na dança das fitas
numa festa animada
a festa de meus sonhos.

Danço junto nas fitas
num desejo de rodar
na no transe empolgante
daquilo que não sei.

Assim me sinto vivo
acordado mesmo dormindo
num conjunto de fitas
nas cores de minha vida
preto e branco
branco e preto
preto e branco
branco e preto...

Rodo entre as fitas
me envolvo na dança
me envolvo nela
na moça das fitas
dançando ao meu redor
junto de mim sempre
me segurando
para eu não cair.

Enfim tonto saio da roda
enfim as fitas desaparecem
mas junto vai a moça
a moça das fitas
branca e preta preta e branca
e junto vai meu sonho
e vem a realidade me acordar
para viver minha vida
a vida que eu não queria.

Esta Sociedade

O que importa o dia de amanhã
se ainda não vivi o hoje completo
se ainda não dormi e rolei
se ainda não tive festa
não tive alegria?

Que me importa ser o melhor
sendo que se quer sempre o pior
sendo que se quer o ruim n'alma
sendo que se quer o corpo podre
numa sociedade hipócrita e demente
demasiadamente infantil?

Que me importa o melhor terno falso
o tênis melhor da moda
ou a roupa falsificada de marca
num mundo intolerante e doentio?

Perguntas faço a mim mesmo
humano incapaz de ser gente
ser incapaz de ser humano
na incapacidade real de se viver
como utópica sociedade sonhadora.

O Caminho Para a Vida

Eles chamam o escuro de noite
o frio de inverno
o prazer de puro medo
chamam o que é bom de pecado
e o erro de vida reta.

Pois chamo a noite de vida
o frio de maravilha
o prazer de mais prazer
o que bom de prazeroso
e a a vida errada de orgulho.

Nada mais tenho na vida
que eu possa perder
que eu possa morrer
que eu possa viver
nada tenho a perder.

Vou seguir até o fim
pois na verdade
não tenho aonde ir
não tenho como fugir
não tenho como me entregar
apenas tenho como viver
se é mesmo que eu vivo.

Vou seguir aquela reta
em que disse estar torta
para ver aonde dá
se dá em algum lugar
ou se volta para mim.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Cruz Amorosa

Carrego a cruz de um amor
pesada como meu pecado
de amar quem não devia
quem eu deveria esquecer.

E em cada passo em que dou
sinto mais pesada a cruz amorosa
sinto a agonia de um amor que não foi
de algo que nem sei se foi amor
de algo que foi puro sofrimento.

Pago agora pelos meus pegados
pago pelo devaneio de amar
sem sequer ter recompensa
sem sequer ter amor
carrego aquela que é minha cruz
a cruz de um amor.

Meus Próprios Olhos

Vejo em meus próprios olhos
a agonia de um desalmado
que sente a bruta vontade de chorar.

Sem sonhos ou desejos
vejo que me acabo por dentro
sem nenhum remédio
sem nenhuma solução
sem sequer ser amado.

E vejo que nem a flores
tem alegria para mim
vejo que nem mesmo o sol tem calor
o sol talvez nem tem vontade
de brilhar para mim
se escondendo nas nuvens
querendo me matar.

E me sinto assim morrendo
numa vontade de viver
numa vontade de morrer.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O Meu Sonho

E nesta consolação chula que estou
sinto que mais nada tenho a perder
sinto que não mais carne ou osso
sinto que não tenho mais vida.

E no absurdo do inacreditável
vou diante um céu espesso
tão azul quanto pode ser o céu
tão grande como é o infinito.

E sinto minha fri'alma indo
voando para o vácuo sem ar
sinto que nem ar eu preciso
e que vou para o alto do céu.

E vejo pela primeira vez
a pureza que não via em terra
que eu mesmo não tenho
e sempre fiz questão de ter
mas sem me esforçar
agora sei como me sentiria
depois de eu mesmo morto.

Mas não estou morto
creio eu em minha mente
estou sonhando como sempre
os sonhos mais impossíveis
que o ser humano pode sonhar.

Minha mente é confusa
e não consegue distingüir o real
do imaginário e fantástico.

E sinto que mais nada eu sou
pois não tenho mais carne
pois não tenho mais coração
mas sei que isso é um sonho
até que consigam provar o contrário
Até que consigam me acordar para a vida.

Guerra Minha

Vejo no azul profundo de meu céu
a nave do pesadelo vindo a mim
com seu armamento farto
pronta para em mim atirar.

Nesta guerra eu sou o alvo
o único a morrer pela boa ordem
sou o assassino e genocida dos sonhos
o fazedor de valas comuns
para meus sonhos enterrar.

Pois se sou assim maldito
é porque não sonho mais
não tenho mais desejos
pois nada mais sinto
neste duro coração.

Se assim sou tão malvado
destruidor do que é bom
faço-o por assim ter sofrido
faço-o para me apagar por completo
sem sequer querer parar.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Último Banquete

Sinto a famigerado fome dos bichos
me roerem secos de vontade
num último banquete meu
e no mais farto que possa ser.

Sinto cada mordida lascada
pelos dentes pequenos dos insetos
sinto cada pata por mim andar
cada rastejo de vermes vivos
é o último contato desse tipo
que terei pelo resto de minha putrefação.

Sinto o podre de minhas carnes
numa festa em que eu mesmo participo
onde sou o banquete principal
o corpo e o sangue de um mortal qualquer
sem mesmo sequer fama ganhar
num dilema qualquer de um morto
numa falta de espírito minha mesmo
num desejo louco de viver.

Desespero

E nesse desespero em que vivo
sinto que nada pode me ajudar
pois minha vida é errada
pois minha vida é um risco.

Tento fugir dessa coisa maligna
que tanto me persegue
que tanto me envolve
me devora por dentro
que me acaba por fora.

Tento inutilmente correr
sem sequer me afastar
tento mesmo me esconder
mas sempre sou achado.

E nesse desespero em que vivo
nada pode me ajudar
nem mesmo a mão mais amiga
nem mesmo a arma mais feroz.

Vida

Estou cansado dessa vida
de triste sofredor
errante pela minha vida
num desdém que me mata.

Ainda ando sim
como um cadáver vivo
perambulante me arrasto
num desejo de me acabar
e acabar o sofrimento.

Vivo mesmo sem viver
na dura entrância de minha vida
num desejo louco de morrer
num desejo louco de me acabar
acabar com essa vida maldita
pois se não posso viver por mim
que eu não viva por ninguém.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Ninfa a Noite

E a doce ninfa de meus sonhos
invade de novo minha janela
me contentando com sua imagem
bela e branca de pureza.

Me pergunto se isso é mesmo real
me pergunto se isso é mesmo sonho
pois sinto que parece ser o que não é
e o que parece que não é as vezes é.

E na doce escuridão do quarto
ela entra e ilumina tudo
como se ela fosse estrela
como se ela fosse luz.

Irradia tamanha beleza em mim
com desejos obscuros que só eu vejo
com vontades secretas que só eu entendo
e que acontece até o fim da noite.

Por fim o dia cai
num lumiar sinistro em meus olhos
me pergunto sempre se aconteceu
se aquilo o que houve era mesmo real
se aquilo o que houve era mesmo verdadeiro.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Horrorendas visagens
vem em minha mente conturbada
em desejos loucos de me acabar
de me enlouquecer aos poucos
num medo doentio pela vida.

Sinto a fri'alma ardente em mim
sinto o arrepio medíocre de mim mesmo
num grito contido de meu coração
nesta vida de calado sofredor.

Sinto os dentes rangerem
num desejo louco de fugir de mim
numa espera ardente de algo acontecer
num desejo louco de se acabar.

Assim me sinto toda a vida
com os berros em mim mesmo
com as confusões mentais de um louco
com desejos de extrema loucura.

domingo, 4 de julho de 2010

Cortejo

Seja o cortejo de quem seja
irei segui-lo até o fim
até o cemitério chegar
não me importando
nem mesmo ligando
tem quem o caixão seja.

Vai o cortejo funério
numa tristeza arrebatadora
num desespero único da vida
como se mesmo fosse ele morto
e como se ele não fosse feliz.

Morto está no caixão trancado
num cortejo magnífico
digno de um bom vivo que foi
digno de alguém que bom foi.

Eu sigo o cortejo
até o fim, no cemitério
até o enterro solene de um morto
até enfim se dissipar aquela gente
inclusive eu mesmo
a espera de outro cortejo.

Amando

E no rosto polivalente de uma mulher
vejo cair em terra minha vida
por uma dama que eu desconheço
que eu não reconheço
que eu não me reconheço.

Jogos de olhares magníficos
vejo que sou o apaixonado
indo em frente do extraordinário
brilho simples de um olhar
mas qual olho que não brilha?

Vejo que vou em frente
com o maior de todos os medos
com o maior de todos os erros
se juntar com aquele alguém.

Vejo que vou enganado
cego, amedrontado, tremendo
em nervos a flor da pele.

Mas eu vou em frente
num erro que sei que é erro
em desejos de ir e de fugir
do sentimento maldito da vida
mas vejo que não consigo fugir.

Preso estou por um sentimento
vejo que é tarde demais para mim
que não há mais nenhum jeito
que pelo visto estou amando.

O Mundo e as Voltas Que Ele Dá

Sou um sozinho neste redondo mundo
de forma quase oval, eu seu
que sempre dá voltas por aí
e sempre chega no mesmo lugar
sem mesmo sair do lugar.

Mas vejo que giro assim também
sempre dando voltas sem parar
e sempre no mesmo lugar
assim como o mundo redondo
onde eu mesmo moro
quase oval, eu sei disso!

Mas se o mundo dá voltas
mas se eu dou voltas
vejo que ambos vamos
para o mesmo lugar, destino
e nem mesmo sairemos daqui.

Vejo que giro sem parar
querendo parar assim como o mundo
parar e estacionar
ir para o outro canto
se é que existe outro canto
se é que existe outro lugar.

Vontade de sair pela tangente
assim como o mundo também tem
essa vontade de sair pela lateral
sem sequer se preocupar com outros
mas que outros?

Vontade de ir para outro lugar
se é que existe outro lugar
se é que existe outro canto
se é que existe fora daqui.

Vontade de parar de voltas dar
e no mesmo lugar ir, sem parar
sem sequer decidir
escolher, protestar, reclamar
vontade de sair daqui.

sábado, 3 de julho de 2010

Amor e Morte

Morto aqui estou
encerrado pelo tiro certeiro
num certo desgosto da vida
soltando as vísceras podres.

Assassina!
Matastes o único teu salvador
tirastes a vida de um inocente
amoroso que era eu mesmo
atirando em meu próprio coração.

Amor carnal e assassino
vejo agora que nada valeu
amar tanto a ti mesma
e morrer sem nenhuma chance de vida.

Vejo agora que mais nada valho
sou apenas um defunto morto perto de ti
sou apenas mais um pronto para o caixão
e vejo que nada mesmo vivi.

Vejo que eu morri em minha loucura
sem direito a vida ou testemunha
para presenciar o doloroso amor qu'eu tive
vejo que matei e nem reparei
que estava pronto para o seu alvo
vejo que eu mesmo me matei por você
pelo meu amor incondicional e verdadeiro.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Doar para Viver ou Viver sem se Doar?

Sem nenhum nexo devo renunciar
a mim mesmo e a mais ninguém
devo enfim me doar para talvez
feliz eu ser e poder viver.

Mas me doar talvez não me deixaria
assim tão feliz assim nessa vida
por isso não me entrego a ninguém
por isso eu não me dou com ninguém.

Pois vejo que não sou assim alguém
para me doar assim para todos
para satisfazer a todos e a mim mesmo
vejo que nada sou assim além de alguém
que não se dá com ninguém.

Vejo que nada sou mesmo além de mim
vejo que nada devo fazer
nada devo me doar
nada apenas de mim.

Vejo que nada mesmo sou
pois nada poso assim ser
nesta dúvida tão cruel
nesta mísera vida.
Nem sei quem sou
se é que sou alguém
se coisa sou eu mesmo.

Sei apenas que vivo
numa vida tão fajuta
numa vida tão maluca
que as vezes nem sei
se eu mesmo vivo.

Mas se vivo assim
não seria eu alguém?

Pois enfim penso
que alguém sou eu
pois coisa não posso ser
e se coisa eu for
devo então parado ficar
num desejo de me movimentar.

Pois enfim ajo como alguém
indo e vindo sem ser coisa
andando e me movimentando
sabendo que coisa eu não sou.

Idéia de Universo

Nunca tive idéia de universo
pois lá nunca estive
pois lá nunca irei
pois aqui mesmo estou
no meio do universo
ou talvez mais no canto dele.

Mas como nele não estar
sendo que sou pedaço dele mesmo?

Creio no que sinto e vejo
e seja como for
não estou no lugar certo do universo
talvez nem nele mesmo estou
mesmo sendo pedaço dele mesmo.

E na confusão mental de minha mente
vejo que nem astrônomos ou astrólogos
podem assim me ajudar
a encontrar lugar meu no universo.

Pois vejo que nem sei se parte faço daqui
nem sei se pedaço sou do universo
pois vejo que nada mais eu sou
além de um pedaço qualquer.

Olhares Fixados

E que fixados sejam nossos olhos
num desejo puro de amar
nesta mesa de um café
vistos sejam nós um pelo outro.

E que sejam eternos esses olhares
mesmo que durem poucos segundos
mas que sejam puros para nós dois
que sejam verdadeiros para com nós
que que nós dois não mintam
assim descarados um para o outro.

Mas que durem o quanto durar
esses nossos olhares um para o outro
num desejo louco de dizer
as palavras que tanto se dizem por aí
palavras num breve poema
de apenas duas palavras
tão belas e instigantes que são
que até provocam arrepios.

Dedicatória

Já nada sentem ao ver a tua lápide
já nem desejos de amor sentem mais
e a dor simplesmente se apagou
pois já nada lembram de tua morte.

E a saudade ficou contida
dentro de uma caixa de madeira
num desejo louco de morrer
de se esvair para fora
de gritar para ouvirem
para saberem que ela existe.

Já nada sentem pelo teu corpo enfermo
repousando em paz num túmulo
pois a vida agora te esqueceu
pois são os poucos que te quer
pois ~são poucos os que lembram
assim como eu te lembrei neste poema
dedicado a você.

Borboleta

Vede o ser magnifico
borboleta colorida
corista voa a flor
suga o néctar
e descansa em paz
como pluma
voando pelo vento.

Vejo e percebo
que queremos mais que a vida
queremos vida além da vida
num desejo quase absurdo
numa vida em busca da vida.

E vejo que a vida se resumiria
em colher o néctar das flores
para enfim repousar em paz
sem mais nada querer
somente morrer em paz
e voar como plumas no céu
numa leveza sublime.

E vejo que somos tão estúpidos
pois queremos mais vida
mais do que temos direito
ó Deus me perdoe por isso
por desejar o que não se deve
por querer o que não se pode.

E vejo a borboleta
repousar em minhas mãos
sem pestanejar uma palavra
sem sequer querer mais nada
numa magistral morte
exemplo para todos nós
seres mais insignificantes
que a própria borboleta.

Dor de Poeta

Poeto pois assim faço
num dilema chamado mentira
onde eu minto minhas dores
como se estas fossem assim verdadeiras
como se eu mesmo fosse o sofredor.

Minto a mim mesmo e aos outros
num faz de contas que é pecado
sem medo de me arrepender
sem medo de sofrer.

Sofro tantas falsas dores
que se estas fossem tão verdadeiras
eu mesmo estaria morto
me suicidaria
mas eu minto-as por diversão
por pura anestesia da vida dolorosa
pois não a dor pior que a dor da vida
que vivemos e morremos e não sentimos
mas mesmo assim sofremos.

Pois minto sobre dores
para aliviar a dor da vida
para aliviar minha dor
que é dor de poeta.

Ocultismo

E no oculto pleno de meu ser
encontro a paz tão distinta
encontro algo que me faz sorrir
algo que me faz chorar.

Longe do inferno da vida
vejo que sou um mortal comum
resistente a tudo na vida
que aguenta as peleias da mesma.

Me descubro em almas
me vejo diante de mim mesmo
e de minhas faces tolas
me encontro onde não mudo
onde sou eu e puro e verdadeiro
num instante consagrado
numa morte passageira
pois logo viverei de novo.

Vejo que sou muitos e único
nesse ocultismo tão perdido
escondido dentro de mim
numa porta cerrada a chaves
num cofre de mim mesmo
e que agora redescobri.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Depois de Morto

Vejo pelo meu voar
as pontudas setas das igrejas
a cruz santa de Jesus
a imagem derradeira da cidade.

Vejo tantos pecadores profanos
assim como eu fui ou talvez sou
num baile citadino pelas ruas
com um caixão marron
(quantas vezes disse que queria branco?)
indo em procissão com o meu corpo
inerte e fedorento
imóvel e impossibilitado de correr
indo para o negro buraco
das últimas lembranças.

Vejo as luzes da cidade
vejo os meus pecados ordinários
vejo que sou a podridão em pessoa
o nojo que tanto tenho medo
algo que até o inferno tem pavor.

Sinto-me angustiado
me perguntando sempre
-O que vai ser de mim?
Me tremo de medo
gela-me o corpo todo
o frio é intenso
pois vejo que não tenho salvação.

Vejo que me vou
para o além
sem salvação talvez
sem misericórdia
sem sequer uma vida
voando pelo além.

Morrer

Morrer para poder sentir
a furtiva lágrima de todos
sentir os devaneios da vida
para ver os erros cometidos.

Morrer apenas para sofrer
ver o que vem depois
se é que existe o depois
se é que existe o amanhã
ou o depois.

Apenas morrer
para poder experimentar
a pura dor da morte
a pura dor da própria dor
o sofrer dos condenados
o castigo cruel dos pecadores
o meio termo do céu e inferno.

Apenas para poder depois viver
o que não se pode viver vivo
e se tem poucas chances de viver morto
morrer para se sentir miserável
inacabável, infeliz, vagabundo
dejetos do próprio mundo.

Apenas morrer para depois viver
apenas para saber a hora certa
do fim e do começo
do último suspiro da noite
do último correr do sangue
do último correr da vida.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Pássaro Urbano

Pássaro rueiro
livre para voar
urbano para viver
sobreviver.

Pássaro urbano
de rua vira-alpiste
sem-vergonha
sem-pudor
sem nada a temer.

Pássaro pedinte
pedindo alpiste
alpino
albino
numa fome
de pássaro de rua.

Pássaro caseiro
rueiro como ele só
sem medo de nada
perdigueiro
um pássaro
voador.

Nosso Amor

Suave a música que toca
quando nós nos vemos
num desejo louco de se amar
num desejo de despertar.

Sinto-me anestesiado
quando te vejo branca
num olhar de doçura
num jeito de criança
num olhar entregador
amor.

Sinto-me assim sem jeito
como prédio a desabar
como rio que seca rápido
música boa ao longe
sinto-me assim mesmo.

Bossa-nova o nosso amor
num jeito tão infantil
de olhos grudados
como dois apaixonados
que somos mesmo.

E na loucura de nosso amor
vivemos e vivamos bem
assim sempre
assim seja.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Poética

E na literária genese de meu ser
faço perguntas poéticas a mim mesmo
num surto concretista de loucura.

Sinto-me as vezes parnasiano
por outras tão futurista
quanto Marinetti foi em sua época
as vezes penso até mesmo
ser um poeta morto
satírico ou nem poeta as vezes.

E na bruta ardência dadaísta
sinto-me levado pelo natural
e pelo falso realista que sou eu
onde nem mesmo o simbolismo
pode assim me deter.

Impressionismo ou não
me sinto cada vez mais expressionista
meio até inseguro com meus segredos
assim tão expostos ao público.

Me sinto um marginal sem amor
sem sequer uma felicidade
prosador e contador de histórias
muitas vezes falsas
muitas vezes verdadeiras.

Um surrealista no meio tradicional
um nada pop art no meio de tantos
algo sem explicação certa e lógica
algo non-sense e sem noção
enfim algo mesmo inexplicável
para todo o resto da vida.

sábado, 26 de junho de 2010

Seu Corpo

E no doce ardor de seu corpo quente
sinto o êxtase de meu corpo frio
num sentimento puro e pecador
carnal que arranca meu ser.

Meu corpo no meu tão colado
num abraço terno e prolongado
de vida após a própria vida
êxtase para o meu ego morto
êxtase para você também.

Sinto aos poucos meu frio dissipar
sinto que eu vou vivendo
mesmo meu eu assim morrendo
sinto que sou forte
mesmo para a morte
cruel levadora dos sonhadores.

Sinto que sou tão forte
junto de você assim
sem explicação para mim mesmo
apenas sinto que a morte posso vencer
sinto que posso até mesmo ser eterno
e sinto que não terei mais fim.

Enfim sinto que longe de você
não consigo e nem posso viver
pois assim mesmo eu posso morrer
e arder dentro de um caixão
e posso a sete palmos ir
posso ir ao desconhecido
num passo de morte mesmo.

Perfume de Morte

E no furor de meus ossos abertos
sinto a chama viva da morte
algo reluzente me afaga os olhos
um brilho de fim do túnel.

Sinto realmente o frio ósseo
em meu corpo fino de pura pele
sinto o frio da doce morte
vindo diante de mim assim
subindo pelo meu corpo
indo até a êxtase de meu ser.

Enfim sinto o perfuma da morte
num revoar de vento forte
vindo em minha única direção
vindo apenas para mim.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Ânsia da Morte

Sinto o frio do leito de morte
o medo tetricante do medo de morrer
sinto a falta imediata de vida
o que me falta no momento.

Palidez em excesso excessivo
olhos esbugalhados de susto contínuo
pele fria e sem nenhuma vida
e um gosto amargo de morte.

Sinto o morrer de minha vida
num instante rápido de pura dor
num instante rápido da morte violenta
num desejo puro de querer viver
numa ânsia da pura morte morrida
que não pode voltar a ser vida.

Vejo que não vejo mais
que parece que tudo negro ficou
numa mistura de dor e arrependimento
mistura de alegria e sofrimento.

Não ouço mais nem
o enterro de meu pobre caixão
num instante de puro sofrimento
por parte de tantos outros amigos
que se ficaram e não se foram comigo
a mim resta a ânsia da morte morrida
numa dor infinita e sem jeito
num arrependimento único e verdadeiro
de não conseguir mais viver.

Meia-noite e Meia

Meia-noite e meia da noite
um zumbido de morte vem em mim
algo tetricante me vem ao encontro
no ritmo dos ponteiros do relógio
no ritmo da mordaça fatal.

Sinto um corpo frio em minha cama
sinto algo a me beijar no labor da noite
algo tão misterioso e cruel que me mata
algo tão frio e grotesco que desmaio.

A noite passa lenta como sempre
a vida passa parada em minha cama
com algo desconhecido em meu lado
com algo me abraçando sem parar
e esse algo não me abandona jamais.

E esse algo me abraça como
se estivesse insaciada
como se fosse aquilo amor
como se eu fosse o amor
aquele algo frio e tetricante.

Meia-noite e meia da noite
me acabo pela noite me desenrolando
tentando algo fazer com o algo que não me larga
na meia-noite e meia da noite.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O Mortuário

Vivo o mortuário como instante de glória
vitória por uma luta não vencida
descanso pelo agito da vida real.

E a mortífera sina de um morto
é viver deitado
eternamente em berço esplêndido
convivendo com os que foram.

E a triste desilusão de um morto é
não poder viver os bons momentos
não poder andar por aí
não poder sair do seu próprio lugar
pois não há fuga esplêndida
pois não tem como fugir.

E a única esperança é esperar
para que algo aconteça
para que algo apodreça
para que eu me desfaleça de vez
para todo o sempre
e não volte nunca mais.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Instante de Morte.

Ritmos cardíacos acelerados
boca seca e rachada
corpo totalmente tremulo
num único abraço
um abraço seu.

Sinto a febre de meu corpo
num desejo de te amar
antes mesmo de morrer.

Sinto forte o seu abraço
num instinto de me querer vivo
num instinto de me fazer viver
como se eu fosse um troféu
um brinquedo raro de estimação
seu urso de pelúcia tão amado.

Sinto fortes pontadas
num desejo louco de viver
num desejo louco de te amar
de te fazer muito feliz
sinto a morte vindo ao meu encontro.

Sinto o meu derradeiro fim chegando
sem mesmo poder te amar
sem mesmo ter a chance de te beijar
sinto que me vou sem reclamar
sinto que você chora a minha dor
e quer me fazer sobreviver.

Sinto que morri num instante
sinto-me longe de você
sinto-me morto e infeliz
sem realizar meu último desejo
sem sequer te fazer feliz.

Seu Doce Beijo de Veneno

Vejo num rápido instante
a verte de um doce veneno
em minha seca boca
num gesto tão quente
num gesto doce e amargo
de um beijo fatal.

Sinto a vertigem me subindo
e aos poucos me matando
num súbito desejo de gritar
sem poder a boca abrir.

Sinto o veneno viciante
em forma de sangue ardente
num gosto desprezível de amor
numa cadência diabólica infernal.

Sinto os últimos instante de vida
batendo loucamente em meu peito
sinto que até o relógio parou
no momento de minha morte.

Sinto o cruel veneno
adentrando pelo meu corpo
arrepiando-o ferozmente
me matando aos poucos.

Sinto o beijo doce amargo de você
num desejo louco de me matar
e eu num desejo louco de fugir
tentando me salvar desse veneno.

Sinto meus últimos segundos
morrerem por terra
sinto que vou para nunca mais voltar
sinto que simplesmente morri
num desejo louco de viver
num desejo louco de te amar.

Fui morto pelo beijo cruel
pelo amor mortífero
pelo veneno infernal.

Meus Erros

Sigo em frente pois não posso voltar
não posso meus erros arrumar
não posso minha vida consertar.

Sigo em frente por não ter aonde ir
sigo meu rumo sem rumo ter
vou em frente toda a vida
sem saber sobre minha própria vida.

E sigo em frente sem medo de errar
pois o tanto que eu já errei
não há erro que me faça voltar.

Sigo o meu próprio erro
pois assim me dou bem
e vivo assim bem
e continuo vivendo.

E sigo em frente atrás de meu erro
e quem quiser me seguir
que façam seus erros sem medo
que sigam seus erros e vivam
e vivam errando por aí felizes de errar
como eu mesmo sou feliz assim.

Um Café Pão com Manteiga

Um café pão com manteiga
desilusões amorosas
dores provindas de dentro
lágrimas pingadas na xícara.

Um café pão com manteiga
lembranças mortíferas
pingos chorados no café
uma vontade de morrer.

Um café pão com manteiga
a tristeza sentou ao meu lado
me faz a triste companhia
me faz chorar ainda mais.

Um café pão com manteiga
saudades de uma tal pessoa
lembranças e dores
que não passam jamais.

Café pão com manteiga
vou chorando numa mesa de bar
sem saber direito sofrer e chorar
sem saber minhas mágoas afogar.

domingo, 20 de junho de 2010

Vá Morto

Vá morto da última hora
em seu célebre caixão preto
rodar a cidade inteira.

A sina de morto só
é vagar pela morte a fria cidade
sem sequer alguém encontrar
sem ninguém para falar.

Vá morto da última tristeza
gritar enfim seu sofrimento
toda a sua dor
grite alto para todos ouvirem
seus gemidos calados mortíferos.

Chore em morte o que não pôde
ser chorado em vida
reclame, esbraveje, xingue
quem te xingou e te humilhou em vida.

Faça o que bem entender
fume, beba, dance e berre
seja o louco que você não foi
seja feliz como você não foi
seja agora você mesmo sem disfarces
sem nenhum drama do pecado.

Perca todo o tempo do mundo
pois o tempo do mundo é eterno
ame que você nunca amou
mate quem você nunca matou
faça o que quiser
mas nunca mais tente viver
sobreviver.

sábado, 19 de junho de 2010

Confusão

Bebo e escrevo
a triste história de minha vida
cercada de nuvens negras
de falsas paixões
verdadeiras desilusões
conflitos diversos
uma história não merecida.

Bebo e escrevo
coisas sem nexo
sem sentido algum
algo além de mim
além de nós.

Me perco nas entrelinhas da escrita
perco a noção de espaço-tempo
a noção de mim mesmo
a noção dos outros.

Vou me perdendo dentro de mim
me remoendo aos poucos
morrendo em pedaços.

Eu vou a certas altas horas
confuso
efeito...
efeito da vida.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Horas Cheias

Horas ocupadas enlatadas enchidas
de coisas inúteis para fazer
de tantas bobeiras e obrigações
da rotina entediante da vida
num circulo circular que sempre circula
num mundo de falsas impressões.

Horas passas corridas morridas
de coisas sem nexo para a vida
apenas obrigações de sobrevivência
apenas chatices diárias
coisas inúteis como já disse.

Quem me dera viver a vida
como tantos que vivem e vivem
e não se arrependem.

E a horas devagar passam
num tédio de vida vivendo parada
num mundo que nunca gira
mas que nunca pára
desiste.

E as horas passam lentamente
e lentamente vou morrendo
de tédio e desgosto
mas...
que horas são mesmo?

Dentro do Caixão

Posto que vejo estar dentro de um caixão
e em minha frente vejo apenas a forração
creme de bom tecido, artigo de luxo.

Penso: tanto gasto para alguém morto
mesmo estando eu vivo e enterrado
mesmo sendo eu um miserável da vida
sem merecer sobreviver um segundo
sem merecer a própria vida que tive.

Vejo que estou enterrado
trancado dentro de um caixão
preso pelo meu próprio castigo
condenado a viver aqui até morrer
num castigo imposto por mim mesmo.

Vejo que condenado estou
mesmo assim mereci um tecido de luxo
recebi este tecido no caixão
cor creme com desenhos de brasões repetidos
num estilo sóbrio próprio de caixão.

Chacina

Vejo sangue pelas ruas
mortes ocorreram aqui
corpos e carnes podres
trabalho para o coveiro.

Vejo sobreviventes morrendo
num sofrimento ímpar da morte
numa dor que só eles sentem.

Vejo sangue escorrendo
para as bocas-de-lobo
num trajeto nojento
podre
sofrido.

Vejo sangue por todos os lados
uma chacina sem igual
mortes por todas as vias
vidas morrendo em crueís jeitos
pessoas em carnes vivas
em mortes certas.

Inexplicável

Vejo a vida
em traduções ilegíveis
num emaranhado de letras
numa explicação cientifica de tudo.

Pois a ciência explica tudo
menos a mim mesmo
menos aos meus eus subsequentes
pois nenhuma ciência por incrível que seja
me explica detalhadamente.

Não são genes neurônios células vidas passadas
que irão provar algo sobre mim mesmo
nem sequer conseguirão provar algo
nem sequer irão saber o que sou de verdade.

Pois não é a dita ciência dos médicos e doutores
ou religiosos diversos que irá me explicar
que irá me ensinar.

Pois nada pode me explicar
nem mesmo os mais sábios da vida
nem mesmo os melhores cientistas do mundo
pois sou inexplicável.

Poesia do Escuro

Vou andando pela escura rua
maldita iluminação pública
que nem luz me trás.

Vou seguindo pela noite escura
esquecendo a vida
os problemas
as desilusões
tristezas pendentes.

E sigo pela maldita escuridão
sem lâmpadas para iluminar o mundo
sem luzes suficientes para ver
enxergar a minha frente
ver o que vem de encontro a mim.

Sigo em frente
indo pelo escuro sem nada ver
sem saber para onde estou indo.

Um Caminho

E vejo que sigo para o fundo
sem nem mesmo saber para onde exatamente
sigo para cada vez mais fundo
vendo que não escapo nem volto
vendo que corro perigo eminente
sem sequer poder escapar.

E sigo para o bem fundo da vida
numa viagem sem volta
sem escala
sem chances de escapar
sem chances de viver.

E sigo nessa viagem escura
nesse caminho de fim desconhecido
sem rumo certo e sem curvas para entrar
num reto que não sei onde dará.

Mas sigo por falta de opção
por falta de chances
por falta de tudo.

E vou até o fim dessa estrada
se é que tem fim
se é que eu não vá antes.

A Coveira

Vejo a iluminada luz de seus olhos
enumerando números e cadáveres
desenterrando ossos e pelos
madeiras e caixões
pondo em urna cadáveres desmontados.

Vejo a hedionda beleza de seu rosto
e um sorriso sarcástico de morte
que me atrai lentamente no teu veneno
e me deixa no belo leito de morte
num resplandecente olhar de mumificação.

Tento fugir desta morte certeira
tento correr para não sofrer deste mal
o que é impossível e inegável
algo que eu mesmo não posso fugir.

O que fazer para te amar sem morrer?
desejo duas coisas impossíveis
de se concretizar ao mesmo tempo
vejo a morte e o amor juntos
pois só morrendo vejo que amo
pois só amando percebo que morro.

E vou caindo em seu túmulo armadilha
puxado pelo perfume de flores de velório
sendo atraído aos poucos pela morte amorosa
sendo trazido para seus braços de amores mortos
sem mesmo ter chances de escapar
de sobreviver.

Sacrifício Pelo Descanso

E amanhã me sacrificarei
para nada fazer amanhã
para descansar
para dormir relaxar esquecer.

Brigarei por isso
pagarei por isso
sofrerei por isso
matarei por isso.

Por um dia somente
de puro descanso
pela morte momentânea
pela vida encima da cama.

Eu até me enforcarei se preciso for
matarei qualquer um
qualquer coisa
por um amanhã melhor que hoje
pela morte rápida
pelo sonho não sonhado.

Mas amanhã eu dormirei
nem que seja preciso estraçalhar
nem que seja preciso morrer.
As vezes rio de mim mesmo
por sozinho estra chorando
numa desavença comigo mesmo
numa briga entre maiorais inseparáveis.

Vejo o absurdo que se tornou
minha louca vida de poeta
uma confusão sem pretendentes
uma loucura sem ter fim.

É como sempre dizem
todo poeta é louco
e vice-versa
pois sou louco também
nesta vida de loucos escondidos.

Pois sou louco e não nego
não negarei
não vou negar
e que provem o contrário
se quiserem.

Noite Mortífera

E a noite gelada
vem ao encontro dos desalmados
a lua pela metade corta a vida
esmigalha o coração.

E a noite chega mansa mortífera
fatal para os sem-amor
sem dó nem piedade
sem amor sem coração
matando a todos
matando a mim mesmo.

E a noite vem
mas não vejo mais nada
pois eu já morri
pela noite afora.

terça-feira, 15 de junho de 2010

O Sorriso da Lua

E a lua está sorrindo
um sorriso amarelado
rindo da palhaçada
que eu mesmo sou.

E ela ri alto
como se quisesse que ouçam
como se quisesse me entregar.

E ela ri de mim mesmo
da palhaçada que sou eu
da tristeza do palhaço
da raiva de um desconhecido.

E ela ri sem nenhum pudor
de um pobre sofredor
que sou eu
e ri sem parar
até eu me vingar.

Mas se eu me vingar...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Silêcio!

Silêncio!
Quero dormir
o sono desejado dos amantes
sonhar os sonhos nunca vistos
silenciar meu pobre coração.

Dormir o sono mais profundo
de alguém cansado da luta
ou de alguém morto pela rotina.

Sonhar
os sonhos mais pecaminosos
e ao mesmo tempo tão deliciosos
pecadores profanos sagrados.

Morrer por instantes noturnos
e nada mais ver diante de meus olhos
do que a acolhedora escuridão.

Deitar e simplesmente morrer
a morte mais desejada e confortável
mesmo que esse momento de morte
seja apenas por alguns instantes.

Vida Assim

Vivo tão sozinho
num turbilhão de pensamentos
sonhos irreais em minhas mentes
amores imaginários sem amor.

Deve ser o fim do início
deve ser o início do fim
de algo que nem início teve
e que nem fim terá.

Melancólicas lágrimas choradas
endereçadas para alguém que
também chora por mim
que talvez sofra como eu
ou que até já me esqueceu.

Deve ser o fim de um início
deve ser o início do fim
uma canção fúnebre
algo próximo da morte.

Devo Esquecer o Amor

Devo esquecer o amor
pois tanto amor
também machuca.

Devo fugir do sentimento
fugir de mim mesmo
fugir de todos.

Tantos falsos amores
que vivi como verdadeiros fossem
sonhos destruídos
amores acabados pela dor.

Devo esquecer que amei
devo esquecer o que é amar
devo esquecer o que é amor.

sábado, 12 de junho de 2010

Razão de Poeta

Ai de me chamar
como todos os poetas
a que me chamam sempre
de poeta errôneo
que vive porque vive apenas
com sonho com dor.

Ai de me chamar de louco
varrido debaixo do tapete
como sujeira insignificante
como algo sem importância.

Ai de me chamar
de bêbado
como seu eu mesmo fosse
mas que ninguém sabe que sou.

Ai de me chamar até mesmo
de falso amante
coração de ferro
muquirana amoroso.

Mas ai de me chamar de certo
por incrível que pareça
mesmo sendo louco varrido
vagabundo
errante do mundo
expulso do sétimo céu
pois tenho a razão
razão esta nem certa nem errada
apenas tenho a razão
razão de poeta
e você tem que aceitar
ou não.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Veja o Mar

Veja o triste mar chorando
abraçando o primeiro que nele entra
solitário pois é tão grande
sente o desejo enorme de amar.

Veja o mar de lágrimas chorosas
súplicas de alguém a chorar
o mar grande e verdadeiro
deseja somente alguém amar.

Veja o mar sorridente
a todos vem cumprimentar
com o doce desejo de amar
alguém que tenha amor prá dar.

O Desconhecido

Pois para quem eu escrevo
é desconhecido completo
pois eu mesmo não conheço
e dedico esta poesia.

Pois quem eu não conheço
sofre como eu sofro sempre
chora o mesmo pranto meu
conhece as dores como só eu sei
sabe amar sofridamente como eu.

Pois eu escrevo para o desconhecido
escrevo para alguém sem saber quem
sem nem querer saber mesmo
sem nem sequer me preocupar.

Pois sei que para quem eu escrevo
chora como eu neste momento
e escreve como eu neste momento
e faz poesia de dor neste momento
como eu faço agora também
e esse alguém talvez seja eu também.

Falso Pássaro

Eu não posso voar
sou pássaro sem asas
de corpo frágil
de mente grande.

Não posso voar
viajar para todos os lugares
migrar para o quente
me libertar.

Pois não tenho asas
pois não sei voar
pois nunca me ensinaram
pois nunca voei.

Eu não posso voar
apenas imaginar o céu
azul tocando em mim
nuvens de algodão
pássaros a voar.

Pois eu não sei voar
pois não tenho asas
pois nem pássaro eu sou.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Apenas Traços

Traços
retraços
e atrasos
uma vida pede licença
uma morte pede passagem.

Traços mal feitos de
uma vida bem vivida
obra de arte de
uma morte esquecida
de um Van Gogh
da morte da vida
da alma e do corpo
do mundo e ex-mundo.

E nesta obra
sou apenas mais um
no Guerníca da vida berrante
da coisa eterna sem nome.

E quem dirá dirá realmente
dará o preço de tal obra
e jogará no lixo
ou pendurará na parede
como bela obra de arte.

Por Culpa da Realidade

Quero apenas te olhar sonhadamente
enquanto a dura realidade não chega
te adorar, deliciar, desejar, amar
até a realidade enfim chegar.

Não quero mais nada
além de desejar você
e querer que a realidade não venha
que se esqueça de mim.

Eu não quero mais nada além de você
e além do desejo de matar a realidade
de estrangulá-la, esquartejá-la
desová-la no Rio Barigüi
para que se afogue para sempre.

Quero apenas de secar
adorar plenamente
mas que pena!
A realidade chegou.

Tour por Curitiba

Quando morrer
me enterrem em minha terra
Curitiba de meus prazeres.

Façam-me a procissão
de meu enfermo corpo podre morto
pelas ruas da cidade
num grande cortejo merecido.

Passem pela XV
na Tiradentes também
e não se esqueçam do sinal da cruz
em nome do Pai, do Filho
e do Espírito Santo Amém.

Passem pelo sebo
quero rever o gato
pela minha últimas vez
siga, adiante
quero enfim conhecer Curitiba.

Metam-me no ônibus
qualquer um deles
quero viajar
pela fúnebre viagem
da assombrosa procissão.

Me cortejam pelas ruas
praças
vielas
e pela contra-mão
e me façam conhecer Curitiba
nem que seja a tapa.

Carreguem meu caixão
de pobre poeta
pelas ruas de Curitiba
quero conhece-la
e vaga-la depois de morto.

Quero conhece-la
depois de morto
pressunto encaixotado
quero conhecer Curitiba.

Poeta Multifacetado.

Sou um poeta multifacetado
cortado em mil pedaços
dividido milhões de vezes
num quadro-negro de escola.

Sou mil e uma utilidades
mil e uma loucuras
sou eu trezentas vezes por dia
diferente todas as vezes.

Sou um monte
em apenas um
pois sou nada e tudo
pois sou vários problemas
sou várias dores
sou várias lembranças vividas
em apenas um
e eu, como outros
sofrem assim sempre
pelas multifacetas da vida.

Sonho Eterno

Vivo sonhando
um sonho maluco
de estrelas cantarolas
de poesia voadora.

Um sonho
psico-poético
onde canções em flores caem
onde vida não é importante
onde a poesia é solta
descarada.

Um sonho non-sense
inocente
e ao mesmo pecador
com nuances
traços fortes
cores.

Um sonho voador
sonho que sonha
um sonho que tive ontem
e vivo hoje
um sonho eterno.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Gramática

Dizem os velhos da velha gramática
sem nenhuma licença poética
que amo-te está certo
mas eu te amo não é de acordo.

Língua ingrata essa nossa
faz-nos dizer duas coisas erradas
sem nem mesmo saber de nada
dizer a pura mentira lavada
e ainda dizer esta mentira errada.

Oh Deus!
Será que conto a verdade
falando de modo errado
ou será que é mentira
o que falo sempre
mesmo sendo uma verdade?

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Quando eu Amar

Eu quero amar um amor
terno como pétala de flor
tenso igual guerra de canhão
forte com pau imbuia
e louco como non-senses da vida.

Eu queria amar para sempre
e sempre ser amado por alguém
e nada temer, nem mesmo um amor.

E se um dia conseguir
quero que seja eterno para sempre
que seja louco como sempre
que seja meu unicamente.

Casa Branca

Sou a tristeza
nesta casa branca morta
vazia de alegria
de pessoas
de amor.

Nesta casa branca de tristeza
não sou eu que dito regras
nem sequer mando em mim
digno fantoche de circo sou
digno errante da vida presa.

Não sonho nesta casa
nem amo nesta casa
pois sou a dor triste
desta casa branca
sou a própria casa branca
prestes a ser demolida
pela tristeza forte amarga.

Queria Ser Você

Eu queria ser
o seu último desejo
seus instantes de alegria
sua lágrima pingada
sua dor infinita.

Queria sofrer como você
chorar suas sofridas lágrimas
rir seus sorrisos escondidos
pensar seus pensamentos
ser o que não fui
e desejei ser.

Eu queria ser você
em toda a sua dor
em todo o seus sofrer
mas não posso
não há solução.

Queria ser você
com toda a sua dor
até morrer.

Um Falso Pranto em Seu Olhar

Chorei por te ver
por relembrar o triste passado
pelo mal amor que houve
pela pura tristeza.

Me olhou
chorou o pranto falsário
como se ainda quisesse
como se ainda existisse algo
como se o passado
fosse a glória de ontem
e a tristeza de hoje.

Como se fosse verdade
fingiu sofrer
fingiu chorar
o pranto verdadeiro
sem saber que
eu chorei de verdade.

Sofrida Beleza

Viva o som
de teu pleno silêncio
de tua boca calada
sincera e fria assim.

Seu sorriso escondido
num pranto revelante
me faz sorrir ternamente
e me faz ser assim
um sofredor feliz.

Seus olhos molhados
de lágrimas negras
me fazem chorar
num misto de alegria e dor.

Num pranto tão contido
consegue beleza fenomenal
apenas numa lágrima.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Nosso Triste Amor

Meu pensamento não voa
se é que me entende
e guardo ele para mim só
os desejos mais louco
todos sobre você.

Não culpe apenas meu jeito
fechado e infeliz de ser
culpe meu medo de você
seu jeito distante
nosso amor impossível
nossa própria distância
nosso próprio destino.

Pois se Deus não quis assim
quem somos nós pra negar
ou então discordar?

Não é preciso chorar
pelo que não deve dar certo
pelo que não tem nenhum jeito
para ser o melhor amor do mundo
para sermos o casal perfeito.

A Tolice da Vida

Pra que chorar
pelo que nem chegou
e já passou?

Se a virtude da vida
é fazer sofrer
fazer chorar
então
não se deve se entregar.

Pra que chorar
se pode sorrir
pelo fim de um tormento?

Para quem não sabe
o amor é
brincadeira da vida
algo sem importância
que nos faz sofrer
de tão tolo que é o amor.

Por isso
não chore
não sofra
não se entregue
pois no final
o amor é bobagem
tolice da própria vida.

A Voz da Dona

Ouço distante
sua doce voz
acalentando-me
numa penumbra escura
confortavelmente suave.

Ouço me chamar
num tom amoroso
alegre e de safadeza talvez
num pedido quase simples
de um gostoso venha cá.

Ouço mas nada vejo
mas continuo a gostar
desta doce voz a deslizar
que até faz azul o céu
que faz a rosa cantar.

Continuo a escutar
a sua doce voz de luar
caçando a dona da voz
a voz da dona
caçando o venha cá.

Uma voz que faz nuvem
no céu risonho deslizar
faz homem flutuar
enlouquecer só de ouvir.

Continuo a procurar
a dona da doce voz
mas sem nunca encontrar.

Melodia dos Ponteiros

Ouço os ponteiros do relógio
tocarem a melodia da solidão
num ritmo melancólico
num tom entristecido
embebido em lágrimas
de puro sofrimento
de dor odiosa.

Ouço a enfadonha melodia
de minha triste vida
através dos ponteiros do relógio
que ritmam essa música
para me fazer sofrer
para me fazer chorar.

Quanta dor numa melodia
de ponteiros do relógio
ritmo da triste solidão
que nem saber quer da minha dor
que nem mesmo se preocupa.

E a noite segue triste assim
com a melodia dos ponteiros
cada qual batendo forte em meu peito
ferindo ternamente meu coração.

Sofrimento Interno

Pois não vou chorar
nem mesmo sofrer
se o amor faltar
não vir.

Serei ameno como escrita
nem mesmo pingos
deixarei rolar.

Se eu sofrer
ninguém irá notar
pois meu pranto será contido
para dentro do peito
sem ninguém ver lágrimas
sem estragos externos.

E com este pranto
regarei meu coração
dentro de mim
para nascer a nova rosa
com seus espinhos afiados
que ferem meu peito
machucam por dentro
para completar o ciclo
da agonia calada.

Pois sei que não irei
demonstrar sofrimento
pois nisso sou forte
só não sei
se por dentro aguentarei
por muito tempo.

E O Amor Onde Está?

E o amor onde está?
Perambulando por aí
sem sequer me querer
sem querer de mim saber
sem nada para me revelar.

Pois se existe amor para mim
ele mesmo está longe
a procura de alguém
e esse alguém não sou eu
pois não sou ninguém.

E se esse amor não chegar
eu não vou chorar
pois acostumado estou
a esperar o amor
que nunca vêm.

domingo, 30 de maio de 2010

Gritos Interiores

Berros e alucinações
pesadelos de todo o tipo
sonhos mortos na gaveta
vida morta em um corpo
vida toda minha.

Socorros
ajudas
e berros de sofrimento
sou eu berrando por dentro
sou eu agonizante
sofredor de tanta dor.

Sou a agonia em pessoa
pousada em mundo para sofrer
nunca tive um bom prazer
só o desprazer de ser eu.

Instantes febris de dor agônica
palavras gaguejadas altas
palavras que não saem da boca
o grito interno consumidor
como fogo em madeira seca.

Eu grito internamente
e ninguém ouve meu sofrer
fico aguentando calado
até não suportar e surtar de vez
ser considerado um doente emocional.

O Eu Morto

Uma rua escura
aonde posso andar
refletir a vida
num escuro ressonante.

Chuva fina cai
numa vertigem temporal
única e sincera
neste mundo falso de mentiras.

Ante berros de meus eus
compadecentes nas vidas minhas
ouço meus interiores diversos
como por socorro pedindo.

Ante prantos caindo
multiplicadamente
vejo que morri mais uma vez
num tempo de triste solidão.

O céu para mim padece
como se fosse o fim de tudo
como que tudo não valesse nada.

Este é o fim de mais um eu
na rua escura da solidão
no tempo divino para ela
onde perco mais uma de minhas vidas.

Um Torto

Num mundo de certezas
eu sou o mais incerto
a engrenagem torta do mundo
a rosca sem parafuso.

Sou o dito pelo não dito
confuso assim mesmo sempre
como louco sem família
sem casa
sem nada.

Sou o errado do certo
o doce feito de sal
salina para engorda
um palhaço a chorar.

Sou realmente a mentira
de um mundo que gosta
e goza de toda a verdade
sem pudor nem errâncias
apenas vivendo o banal.

O Tal do Fim do Mundo

A sina do mundo é o fim
como se acabasse o eterno
se morresse o imortal
se acabasse o inacabado.

Triste mundo complicado
com tamanha sina
não consegue
e nem pode relaxar.

Pois o triste fim que se espera
pode nunca acontecer
pode nunca mesmo chegar.

Vida Minha

Dizem para mim
coisas falsas
para me fazer sorrir
mas que me faz chorar.

Dizem-me para sorrir
pois isso é o remédio
para qualquer dor
mas prefiro ser
um maldito hipocondríaco
ao invés de ser lesado.

Mas me dizem tanta asneira
para me mudar
mudar meus jeitos
meus trejeitos
mas nem sequer eu ouço
mas nem sequer dou bola.

No fim das contas
vivo minha vida
sorrindo ou não
chorando ou não
o que importa é que é verdadeira.

Depois da Morte

E o sol não tem mais luz
além da morte, além da dor
nada tem sentido numa morte
numa vida que já morreu.

Nada tem razão
nada tem emoção
a vida passou rápida demais
a morte chegou de uma vez.

Na morte nada há
não há o que se viver
não há o que se dizer
além de apenas um
-morri!

Não há nada na morte
além de uma vida eterna
que pode se chamar de morte.

Vento da Morte

O vento assopra a morte
que vem voando por aí
sem medo de matar
sem medo de morrer.

A morte vem com o vento
em carona maldita
em rápidas velocidades
como quem primeiro
quer à algum lugar chegar.

No paradigma do vento morto
instiga-me a morrer junto
como morte súbita
num único vento rasteiro
para me levar morto.

Vem o vento morto
numa rapidez luxiática
rumo a alguém
rumo a uma morte certa.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Cartas

Cartas guardadas
rasgadas
jogadas à mesa
sem sentidos
sem noções.

Cartas rasgadas
amassadas
choradas tantas vezes
e no lixo jogadas mais vezes
cartas.

Não mandadas
nem chegadas
nunca vistas
cartas.

Choradas
rasgadas
amassadas
jogadas
cartas.

sábado, 22 de maio de 2010

O Hediondo

E o hediondo acontece
no meio da rua deserta
a morte de um infeliz.

Ninguém assiste
o teatro do absurdo
a queda de um forte
o inevitável da morte.

Um caído
na guerra da vida
na morte eminente
na vida após vida.

Um destino incerto
espera-o para sempre
e sem temer ele vai.

O Balconista

Abrir garrafas
pôr em copos bebidas
o hediondo do balconista.

Matar aos poucos seus clientes
assassino convicto
da sociedade nacional.

O veneno dentro do litro
misturas mágicas de ervas
falsas alegrias dentro da garrafa.

Hediondo o balconista do bar
o único que mata
sem nem mesmo ser condenado.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Festejos da Morte

E eu vou com a morte festejar
o enterro de minha última dor
o sofrimento que também se foi
o amor de nunca mais.

Cantarolando
subindo aos céus
vou sorridente pela morte
pois o castigo da vida acabou.

Pois vou festejar
o enterro de meu sofrimento
o enterro de mim mesmo
enfim a dor acabou
foi para o caixão
comida pelos bichos esfomeados.

Enfim a morte chegou
enfim eu me vou
enfim o resto ficou
sobrando apenas eu
para festejar.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A Última Obra do Artista

E a última pintura
do artista
foi a morte própria
manchada na tela
da cor vermelha
de sangue puro
de artista morto.

Tão realista
a última obra do artista
que toca qualquer um
que quer ver arte
a flor da pele
no último pingo de sangue.

Mas é apenas uma mancha
vermelha da cor do sangue
de um morto artista
que morreu fazendo a obra.

Mas é apenas uma pintura
vermelha na cor do sangue
puro de um artista morto
sem defesa.

Pois esta obra é sangue
de puro artista morto
fazendo sua última obra
a obra de sua morte.

Um Sentimento Sem Sentido

Não sei o que sinto
por uma pessoa certa
como certeza incerta
na triste certeza do amor.

Mas o que sinto não há
descrições claras e distintas
não explicações em livros de
história
geografia
português
matemática
biologia.

Pois o que sinto é
algo sem sentido nenhum
pois eu mesmo não sei
se sinto algo por ela.
Sempre sei que
nunca sei de mim
tão completo
como sempre quis.

Sei que pouco serei
se é que algo serei
se é que viverei até lá.

Pois eu sou o só
sozinhamente
poeto como poeta
escrevendo o que penso
mesmo sem pensar.

Pois sou único como todos
e todos são iguais como uns
e assim eu não serei
pois sou diferente de tudo.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Uma Noite

E na noite tudo ocorre
deste de simples coisas
até o incesto
pornografias.

Não se espante com o
espantoso
pois o mesmo é normal
e não há razão para tremer.

Pois na noite de tudo há
e sem medo de viver
na hedionda noite
dos botecos abertos
para o último gole do dia
para o primeiro talvez.

Não tenha medo das luzes
da grande cidade que é
pois um bom vampiro urbano
sabe viver com total claridade.

Não se assuste com tais coisas
pois amanhã de manhã
tudo clareia como sempre
tudo acaba como se deve.
Eu
esqueleto humano como todos
envolto por carnes e gorduras
nervos, órgãos, pele e pelos
vivo como máquina divina
mesmo não sendo assim.

Sou uma máquina vencida
detonada
destruída
ultrapassada
que não tem mais o que fazer.

Mas continuo vivo
como por insistência única
de alguém que não quer
me desativar ainda.

Sou uma máquina detonada
que continua viva
que continua a trabalhar
sem nenhum descanso.

Senhor da Morte

Eu andava ante a morte
no cemitério dos mortos
como senhor dos mortos
Plutão renascido
nova versão de Hades.

Eu andava entre mortos
esqueletos descobertos
numa noite fria
esquecida no tempo
até no calendário.

Ando como único
triunfoso maldito
entre os corpos carnicentos
entre os odores da morte.

Sou um chefe dos mortos
mesmo sendo mentira isso
mesmo eu não tendo poder.

Ando por entre caixões
de cores diversas
branco
preto
marfim
mogno
verde!

Ando por entre todos
que um dia viveram uma vida
aterrorizante ou não
que um dia morreram uma morte
digna ou não.

Poesia Póstuma de um Poeta Quase Morto, Quase Vivo

Espero nunca ser
póstumo em vida
pois deve ser ruim
agonizante
ser morto em vida
morrer vivendo
viver morrendo.

Não quero ser
um caixão ambulante
perambulante pelas ruas
assustadoramente
convencido de estar vivo
mesmo estando morto.

Pois é agonia viver assim
pois é agonia morrer assim
pois não quero ser
o tal zumbi perambulante.

Pois se for para morrer
que seja por completo
corpo e alma enterrados.

Pois se for para viver
que seja por inteiro
corpo e alma andantes.

Pois nem morto
quero ser um vivo-morto
ou ser um morto-vivo.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Sobre Pensamentos

O pensamento é uma loucura
creio eu
que vagueia pela mente
podre dos desocupados
ou pela mente boba dos poetas.

Mais rápido que eletricidade
mais rápido que luz de dia
o pensamento voa
por entre pés de neurônios
ávidos por energias cerebrais.

Penso
porquê pensar?
Mas sei que
"Penso, logo existo!"
e ao mesmo tempo me calo.

Vivo pensando
dormindo no ponto
pois penso sim
sempre assim.

Penso, logo existo
penso, enfim desisto
e paro de pensar.
suportar o que não se suporta
sina de amante poeta
devaneios lúgubres de poesias
entre versos tristes e de morte.

Triste sina de poeta
amar sem ser amado
mentir um triste amor
e chorar pelo verdadeiro.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Meu Último Grito

O último grito de minha vida
será aquele do suspiro
tão romântico na morte
como um eterno amor na vida.

Não pedirei socorro
nem que me levem
será apenas um ruído
tal forte
que ninguém poderá ouvir
o som de meu último grito.

Será o grito artístico
de um poeta morto
pronto para embalar
no caixão de madeira.

Meu último grito será talvez
poesia dadaísta
criada na hora
e copiada em livros
de toda a sorte
como minha última poesia.

Sem mesmo sequer desesperos
vou gritar mais forte
meu último grito
um grito desejável
representando
todas as minhas desgraças
e todas as minhas alegrias.

Será um grito vazio
frio
suspiro azedo
e doce ao mesmo tempo
pois será meu último grito
o grito de minha dor
eterna até a morte.

Pensamentos num Cemitério

Um cemitério
e diante dele gente morta
pois a terra é a gravida
as avessas
que que faz perder ao invés de ganhar
mas no fundo sempre nos ganha.

Sepultamentos quantos aqui!
Mortos de todas as datas
cores
estilos
religiões.

Vejo minha próxima morada
comprada em parcelas mínimas
pagas pela própria vida
hedionda de um quase morto.

Cruzes
sepulturas
vidas enterradas
paraíso ao paleontólogo
inferno talvez
aos que aqui jazeram em vida
dentro de um caixão.

Pois se o melhor de todos
os paletós que conheço
se deteriora com o simples tempo
de enterramento
então...
para que bonito se vestir?

Confesso que a idéia me assombra
mas em que pensar num cemitério?
Melhor fazer o último censo da morte
para ver quantos há mortos aqui
contar até morrer de contar
na triste ironia de um cemitério.

Me resta apenas pensar na morte
e no plano funerário atrasado
morrer com nome limpo
ou sujo mesmo?
Quem se importa?

Precavimentos de Mamãe

"Não se deve brincar
com a morte, menino"
Dizia a mãe precavida
como se algo acontecesse
amanhã ou depois.

"Um dia há de chegar
tua única vez na vida
e não adiantará chorar!"
Mamãe sempre assim
como se morte fosse
terrívelmente terrível.

Só não lembrava mamãe
que todos passarão
cedo ou tarde por este estágio
sem saber para aonde ir.

Pois mamãe precavida
quer apenas advertir
pra o que depois vem
e não há como escapar.

Almas Vazias

É tempo de ossos duros
mortes na certa
é tempo da festa morta
do morto vivo
dos vencidos pela própria vida.

Abra a garrafa e
bebemos juntos pois
nada mais resta para nós.

O que nos resta agora
é a morte eterna
tão glorificada agora
pois podemos enfim festejar.

Almas vazias somos
e não temos direitos divinos
temos apenas o direito de viver
essa eterna morte que nos convém.

Abra pois a garrafa
que estou com sede
sede para festejar
minha última data de vivo
meu aniversário de morte
pois a vida começa aqui.

Abra pois a garrafa
pois nossa alma é vazia
e temos direitos a festejar.

Esqueça nosso corpo
pois agora somos fumaça
e podemos ir como quiser
somos fantasmas
almas vazias penadas.

Não há matéria para nós
neste mundo de matéria
somos insubstâncias
e assim seremos
para toda a morte eterna.

Ballet Estudantil

Pular muros e cerquinhas
correr entre diretores
no longo corredor polonês
correr para o recreio
é o ballet estudantil.

Escrever no último instante
como última coisa a fazer
como se fosse mesmo
a última da vida
é o passo desse ballet.

Filas sorridentes enfrentar
da cantina
da sopa
aliás, deliciosa sopa
para correndo comer.

Escadarias correndo subir
entre berros da regente
diretora uníssona
em berros amedrontosos
ballet estudantil.

Por fim fugir
de todos os trabalhos
tirar azul em tudo
e não ter nenhuma anotação
no assustador caderninho
triste sina
de um passista
de ballet estudantil.

Apenas Caí

Caí morto no chão
como pássaro ferido
perdido pela própria vida
azarado pela própria natureza.

Caí por terra neste chão
como bola de boliche
indo para o strike
derradeiro das garrafas.

Apenas caí
sem chão
sem terra
sem nada.

Como burro soqueado
na cabeça
babei caí
sem sequer nada saber.

Como baleado na favela
traficante
policial
do alto do barraco
indo direto ao pé do morro
caí morto ao chão.

Caí como cai
aritmética na prova
de português
desastre total
das disciplinas
indisciplinadas.

Como balão de São João
em casa de palha
queimando muito
tudo.

Só sei que caí
como terra
em cima de indigente
feito nada ao mesmo tempo.

Só sei que caí
como tudo que sobe desce
ou cai
só sei que caí
como papelzinho
jogado indiscretamente
fora do lixo
da janela do carro.

Apenas caí
como tudo um dia cai
e depois talvez sobe
ou fica caído sempre
até alguém levantar
apenas caí.

Velho Bandolim

Velho bandolim
que já em guerras tocou
tocou fados desiludidos
na terrinha Portugal
já tocou modas diversas
e tocou coisas sem muita noção
de afinação.

Velho bandolim
que já fez parte da banda
e hoje tal esquecido
enriquecido numa parede
como troféu de ganho
apenas de enfeite sem valor.

Quantas cordas
tú bandolim
já não teve?

Agora não toca mais
é apenas enfeite caro
numa loja de velhos
instrumentos musicais.

Mas se eu compro
esse bandolim...

Mais um Livro

Mais um livro perdido
lembranças de algo que passou
passado mal lembrado
algo que não deve ser lembrado.

Um livro antigo dado
pelo antigo
e doloroso amor
escondido
engavetado
esquecido
graças a Deus.

Um livro não lembrado
devaneios amorosos
numa única literatura viva
sem páginas de alegria
sem histórias de amor.

Apenas um livro
empoeirado
esquecido
embolorado
pela vida marcado
pelo tempo marcado
peça discórdia marcado
apenas mais um livro.

Eco da Voz

Minha voz ecoa de tal forma
que sinto ela longe
sendo repetida várias vezes
refletindo meus desejos
sentimentos.

A voz que berro alto
de dor
tristeza
ecoa para todos os lados
mais longe que tudo
mais rápido que tudo
que não posso alcançá-la.

Encolho meus lábios
para mais nada sair
para besteiras não falar
para besteiras não ouvir.

domingo, 16 de maio de 2010

Alucinações de um Poeta

Alucinações tremendamente loucas
atingem meu encéfalo até cair por terra
fico grogue em pensamento únicos
sem jeito de algo certo pensar.

Como se alucinógenos consumisse
penso que coisa vãs e profanas
traindo a minha própria crença
que devo crer para existir.

Meu cérebro se cansa de alucinações
é hora de parar com os loucos sonhos
é hora de pensar racionalmente
para não correr o risco de ser um louco.

Vivo pensando em coisas hediondas
que traem o meu próprio jeito de ser
que traem o meu próprio jeito de agir
e me fazem em tudo isso refletir.

Alucinações sem sequer ter sentidos
que fazem jus a loucura total de poeta
que refletem minha frágil saúde mental
e me deixam cada vez mais transtornado.

Sina de Poeta

Ser um falso
triste sina minha
de fingir sentimentos
alheios dos outros.

Mentir para todos
é o que faço
sempre
pois esta é a função
do poeta das letras.

Mentir a mim mesmo
sentimentos diversos
fingir que sinto
o que nem sinto
e como queria sentir
tudo o que digo que sinto.

Pois sou mais um erro
vindo do céu para este mundo
sem sequer verdades dizer
fingindo sempre e mais
e não obstante
digo mentiras.

Como queria tudo isso sentir
saber a pura verdade
dos que sentem o que digo
sentir a indignação desta poesia
como se eu estivesse mesmo
indignado.

O Falso Verdadeiro

Sou eu
sem sequer ser eu
querendo ser eu.

Feito um
estorninho-de-hildebrandt
em meio pardais esfomeados
comendo pedaços de milho
comendo quirerinha
no meio da praça.

Sou diferente de tudo
e igual perante lei
dos homens
de Deus
de todos
pois obrigado sou seguir
o que é dos outros
sem eu ser o outro.

Sou eu dentro
sou outro por fora
sou quem nunca quis ser
e sempre serei o quis ser.

Como lampejo
de dupla ou tripla
personalidade
sou falso e verdadeiro
pois engano a mim mesmo
e me falo a verdade
diante de outros.

Um confuso lampejo de dois
em que eu brigo comigo mesmo
em que eu me corrompo
em que eu me destruo
não aguento mais isso.

Máquina Ser Humano

Na incontinência do ser humano
nada é mesmo de bom proveito
nada na real serve a alguém
não humano.

Pois que ser é esse
chamado ser humano
que tudo constrói
que tudo destrói.

Este ser sem vida
este ser máquina viva
sem mesmo sentimentos reais
sem sequer amor ao amor.

Este ser inescrúpulo
com tudo
e sem nada
e sem nada dizer.

Raiva de ser ser humano
de ser eu mesmo aqui e agora
e amanhã e ontem também
vergonha de ser esta máquina
com vida impura
feita para o paraíso destruir.

Meu Nada

Vou para o nirvana
para nada virar
para estrela virar
para cosmos virar.

Pois vida não tenho
pois morte não tenho
pois isso e aquilo não tenho
pois nada é meu de verdade.

Vou para o nada
e nada virar
e nada ser
como aqui já sou
pois vou para lá.
Correr
cantar
sorrir
dançar
matar
morrer
viver
o que quero
o que quis
o que vou querer?

Vidas secas
secas mortas
sem razões
sem mentes
sem nada dizer
declarar
morrer.

Vida uma
una
vida
morta
morta vida
em canção
na noite esplêndida de meu bem
morta na cama
na casa
geladeira
morrida.

Corridas na casa branca
branca de neve
sete anões
seis
cinco
quatro
três
dois
um
mortes.

Sem medo
razões
senso prático teórico da vida.

Amar o que?
Viver o que?
Dizer o que?
Vou aqui
ali acolá
sem nada saber
sem nada viver
eu vou.

Algo Dizer

Mas um dia vou
cantarolar
alegrias
vidas sozinhas
músicas folk
qualquer coisa
para não ser mudo.

Vou cantarolar até
enjoar
se enjoar
se morrer
se eu morrer.

Vou poetar
cantarolar
cantar poesias
cantar algo
para mudo não morrer.

Pois minha mudez me mata
pois minha mudez me absorve
pois tenho vontade de dizer
vontade de gritar
vontade de
cantar.

Queria soltar a voz
queria dizer algo
qualquer coisa
qualquer coisa mesmo
queria apenas
abrir a boca
e algo dizer.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Onde estão eles?

E onde estão eles agora
armados até os dentes
todos pra me prender?

E onde estão aqueles
que me mandam calar
e me deixam mudo?

Eles fugiram?
Eles morreram?
Desistiram?

Onde estão os guerreiros
de longas datas
para me calar a boca
para silenciar meu peito
para acabar comigo?

Eles fugiram
eles correram
se intimidaram
com a tal vitória
com a tal liberdade.

Eles se foram
eles não voltam mais
nunca mais.

Albúm de Família

E lá está no albúm de família
fotos concretas imaginárias
de tanta gente desconhecida.

Aviadores mestres
jogadores de futebol
aprendizes meliantes
cantores poetas
todos mortos
todos enterrados
todos acabados.

Costureiras fazendeiras
dançarinas atrizes
analfabetas amantes
endiabradas encantadoras
mortas enterradas
acabadas.

Tudo num albúm de família
o livro de todos
o livro do passado
o livro dos mortos.

Mundo Descartável

E o mundo é um caos
pois nada direito funciona
pois nada que é moderno funciona
pois tudo hoje é lixo
pois veio do lixo
e irá pro lixo.

O mundo é descartável
descartado
para tantos outros mundos
pois o mundo é lixo
resíduos inúteis
para todos.

Pois a Terra é imprestável
insolúvel
intragável.

Pois o mundo é nada
pois a Terra é nada
pois nós mesmos somos nada.

terça-feira, 11 de maio de 2010

O Caminho

O caminho
o caminhante
o caminhar
a vida longa
de vidas.

Andando andante
sem nunca
parar
sem morrer
até a morte certa
incerta
sem certezas.

Ir
nada seguir
seguir o nada
voar
se esborrachar
morrer
marcha fúnebre
ouvir pela
milésima vez.

Sorrir
sofrer
cantar
viver
ouvir broncas
receber
dar
amar
não ser amado
anoitecer em si mesmo
eu vou sem parar
sem cessar
sem sofrer sofrendo
sem querer ir vou.

Fingir alegre
viver triste
sina
maldição
vida
apenas assim sofrer
apenas assim
assim mesmo
como estou
como estarei
como estava
e não estava.

Chorar
chover
poças formar
águas formar
rios formar
mares formar
oceanos formar
apenas sofrer chorar
morrer
adoecer cantarolar
apenas viver morrendo
apenas morrer vivendo.

Músicas ouvir cantarolar
letras uníssonas sem razão
sem nenhuma razão
sem minha consciência
inconsciências
inconsciente
sofrido
sofrente
viver apenas
morrendo.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Minha Morte

Comi feito um elefante
bebi feito um alcoólatra
fumei como uma cobra
vivi como um condenado livre
morri como um miserável
me mataram como indigesto
me enterraram como indigente.

Vivi feito um maluco
em dúbias noites estreladas
festas ao anoitecer
alegrias errantes, bestas
doces melancolias
tropeços pela vida.

Morri feito ninguém
e ninguém nem soube
que eu mesmo morri
que eu mesmo virei
indigesto
indigente
indiferente para todos
indiferente para mim mesmo
apenas morri
apenas tive morte.

Mais uma Carta

Mias uma carta enviada
para longe
endereçada a ninguém
endereçada a todos
escrita poesias.

Mais uma carta para longe vai
segue viagem pelo mundo
passa de mão em mão
para lugar nenhum
mas para algum lugar
para ninguém
mas para alguém.

Uma carta para todos
escrita poesias
para ninguém
para todos.

Para aonde vai a carta?
E quem deterá ela?
E quem lerá ela?
Um segredo que nem eu sei
um segredo guardado tão bem
que só Deus sabe
as respostas para as perguntas.

Mais uma carta vai para longe
e para aonde eu não sei
sem endereços
sem endereçados
apenas com poesia
para ninguém
para todos.

Bailarina dos Balcãs

Vejo a doce bailarina
dos Balcãs
dançando esplendorosa
a tradicional música
de sua adorada terra.

Vejo suas roupas belas
sua beleza única
seus rodopios constantes
sua dança insistente.

Anestesiado pela música
pela bela vista da mulher
doce bailarina dos Balcãs
dançando como em nuvens
bailarina anestesiante.

E ela rodopia nos seus passos
bailarina doce dos Balcãs
a tradição musical de anos
e me deixa calado
anestesiado
morto por instantes
apenas amaravilhado.