sexta-feira, 23 de julho de 2010

O Último Apagão

E neste último apagão
festa fiz de alegria
pois tudo escuro ficou
pois a calma chegou.

Apagou-se as luzes
a televisão
micro-ondas
e o mundo apagou
o longe se apagou
a cidade
o estado
o país
se apagaram.

No último apagão
fiz o que não devia ser feito
na luz clara do dia artificial
na luz do dia prolongado na noite
comi, bebi, cantei
pois as luzes falsas se apagaram.

Fiz o que mais queria
escondido e não visto
fiquei quase desnudo
senti a atmosfera
no meu corpo entrar.

Abri a garrafa
que um último gole tinha
de bebida forte
fumei o último que tinha no maço
amei como não deveria ter amado
e fiz até o proibido
o inipensável fazer.

De verdade vivi
no último apagão
me embriaguei em um gole
me entorpeci em um trago
me enlouqueci no louco amor
de pura carne com carne.

Agora espero o próximo apagão
para viver o que espero
para experimentar tudo de novo
no próximo apagão.

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