sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Confissões ao Padre Poema

Confesso que queria viver mais
Talvez, sofrer mais
Me mudar
Ser assim, complexado.

Mas não vivi o que deveria
E por isso deveria pagar
As indulgências ao meu ser
Por ser assim, tão sem graça.

Confesso
Que queria ter mais problemas
Menos soluções
Menos alegrias
Queria assim ser normal demais
Ou seja... anormal.

Como eu não vivi
Confesso que não vivi
O que queria ter vivido
O que deveria ter vivido
E assim me arrependo
Querendo as indulgências pagas.

Mas como queria viver
Eu confesso...

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Eu errado

E preso estou
No eu mesmo
Que nem sou eu.

Crueldade de minha mente
Me prender nesse eu
Que nem eu sou
Esse eu tão fajuto
Tão mendigo
Tão eu.

Covardia minha mesmo
Me prender nesse eu
Que nem eu sou
Que nem eu é...

E assim sigo preso
Nesse eu que não sou
Por pura obrigação de mim mesmo
Que sou tão covarde ao ponto
De me prender no eu que não sou eu.

Um segredo só meu

Ficarei assim calado
Co'meus dizeres em segredo
Nada direi à ninguém
Nada direi à você
Nada direi ao poema.

Vou assim fechar minha boca
Meus dedos e meus versos
E o segredo não contarei
Pois é só meu
De mais ninguém.

Assim não direi
Nada à ninguém
Assim guardarei
Esse segredo secreto
Que é só meu...

E nada podem fazer
Nada podem dizer
Nada podem forçar
Para eu abrir minha boca
Para eu abrir meus dedos
Para eu abrir meus versos.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Sonho, logo existo

Sonho
E logo existo
E logo enlouqueço
Nos meus sonhos...

Creio
E logo vejo
Que louco estou
No meu próprio sonho.

Acredito
Mas não vejo
Não de verdade
Mas vejo
De olhos fechados.

Durmo
Mas não durmo
Pois acordado estou
Nos meus sonhos
Pois só os fracos dormem
Os fortes
Sonham.

Acordo
E logo vejo que nada é real
Que tudo é surreal
E volto para o sonho
Volto para o real
Pois é lá que eu existo.

Do lado de lá (Espiadela)

Sim...
Pode haver muito coisa boa
Daquele lado do mundo
Daquele lado da vida.

Ora vamos!
Veja lá também!
Nada tem a perder
Tudo pode ganhar!

Sim...
Pode haver doces sonhos
Do lado de lá
Melhores que
Os do lado de cá...

Ora vamos!
Uma espiada não faz mal...
Você tem tudo a ganhar
Você tem nada a perder.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Valeu a pena?

E os sinos batem por você
flor murcha de último dia
e o velório é seu
só você não sabe
só você não vê.

Você morreu
para mim e parta todos
seu corpo nada é
sua alma...

Seu rosto
branco pálido
se encerrou no caixão
preto de luto

Sua vida acabou
seu sonho acabou
sua alma acabou
valeu a pena?

Valeu a pena viver
tanto rancor
tanta discórdia?

Não fale
não diga nada
diga a si mesmo
pois a mim nada importa
pois a mim nada interessa.

Valeu a pena?
Valeu a vida?
Valeu a morte?
Alguma coisa...
valeu?

sábado, 10 de dezembro de 2011

Sala verde

Orgias liberais
em uma sala ao lado
verde de vergonha
poetas soltando palavras
cantores gritando sons
artistas pintando paredes.

Loucuras!
Quem poderia imaginar
nessa bagunça toda
a arte saindo da arte?

Riam moças de ternos
pretos e riscados
velhos e amassados
e blusinhas por baixo.

Riam os garotos
artistas de terno
velho surrado
tênis sujo e desamarrado
naquela sala verde
tão insignificante.

Riam os menestréis
velhos poetas de labuta
felizes da nova geração
de poetas orgideiros
que ali existia.

Whisky vodka
conhaque e comida
festa na sala verde
agora de fome
parecia uma festa
eram apenas artistas
fazendo suas artes.

Bombas tiros
canhão e batalhão
a guerra chegando no salão
moças correndo a todo custo
moços defendendo a arte a todo custo
velhos morrendo do coração.

Tudo isso naquela sala
agora verde de compaixão
acabou a arte
acabou o coração
e vamos todos para o outro salão.

Começo meio fim

E no começo era o fim
o fim do começo
que nem tinha começado.

Quando vi terminou
o fim do começo
e o meio inciou.

Que presunção a minha
começar no fim
mas terminar no meio
sem acabar.

Mas no fim vi
que nada tinha terminado
que nem o meio
que nem o fim
que nem o início
assim estavam prontos
e acabei dormindo
sem meios
sem começos
sem fins.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Parem a vida

Parem a vida
quero descer
quero viver
o sonho
a glória
a paz.

Parem a vida!
Quero sair
explorar outros mundos
outras dimensões
sejam elas quais forem.

Parem a vida
logo voltarei
ou talvez nunca
quem sabe?

Parem a vida
quero ver
o céu e o inferno
ver o mundo do alto
ver meu corpo
minha vida
meu ser.

Parem a vida
a minha vida
quero sair
quero descer
quero ver
quero conhecer
quero... viver.

Quebrei minha própria imagem

Quebrei minha própria imagem
iconoclasta que eu sou
não tive dó nem piedade
perante meu próprio rosto.

Caí-me como santo azarado
do altar respeitoso de meu ser
quebrei-me em cacos
como xícara de porcelana.

E assim me derrubei
do meu próprio altar
sem santo para me ajudar
sem ninguém para segurar
me quebrei.

Quebrei minha própria imagem
meu próprio ser
meu eu.

Feitiço de amor

Seus olhos
assim tão belos
me enfeitiçam
bruxa do amor!

Como queria fugir
desse seus olhos
desse seu amor
tão letal para mim.

Esse seu corpo
que me enraíza em terra
me deixa assim preso
como fugir de teus encantos?

Fugir eu quero
mas você...
você assim me prende
como escravo de tua paixão
prisioneiro de teu amor
infeliz de teus olhos
tão mágicos
tão cruéis
tão amorosos.

Queria fugir
te esquecer
bruxa do amor
mas com que feitiço?
Com que magia fujo de você?
Me diga... me diga...
pelo meu próprio bem...
pelo meu bem...

Asas

Asas
como queria tê-las
voar para bem longe
para o meu lugar
para o meu sol
minha estrela.

Asas
como queria tê-las
para assim ser livre
poder cantarolar
lá do alto
no céu azul.

Asas
para cantarolar
Vivaldi
Verdi
Beethoven
Tchaikovsky
sem ter medo de sonhar.

Asas
para poder assim voar
por todo vasto mundo
sem ninguém.

Asas
como queria tê-las
mas não me deram
como castigo adiantado
tais asas.

Homens voadores

Homens voadores
indo para o além
para onde vão?
Quem serão?

Estranhos homens
com capas pretas
de chapéis pretos
de rostos róseos.

Vão para uma estrela
um sol maior
o sol favorito
um sol central.

Quem são esses homens?
Seriam eles humanos?
Seriam eles amistosos?
Não sei
só sei que voam
para longe
para o seu sol maior.