domingo, 20 de dezembro de 2009

Ante vidas
e enormes mortes
vou
mas para onde
não sei!

Mortes
encruzilhadas
vidas inteiras
em caixões
pois quanta
morte há
na vida?

Tanta vida
há na morte
quem se fica
louco.

Quantas vidas
há na morte
mesmo?
Quanta
discordia
quase sempre
rancorosa
há no mundo?

Que
discordia
da vida
que vida
de vai e vem!

Como queria estar lá
no certo
momento
momentâneo
como queria...

Mas queria
aonde ir?
Com quem?
E como?
Quanta gente
onde não ia
onde não fui.

Quanda gente
caída
quase sempre
uma queda merecida.

Me perguntam
porquê não fui
mas a resposta
logo alí está.

Quantos caídos
no chão da discordia
e eu aqui de pé
pedestre
fixo único
não caí

domingo, 13 de dezembro de 2009

Sete Palmos

Vejo mais um palmo cavado
um buraco negro enorme
que me levará a outra
louca dimensão.

O certo é sete palmos
para me cair por inteiro
e não mais voltar aqui.

Mais outro palmo cavado
a pá escava sem descanso
a enxada ajuda no trabalho
o certo é sete palmos
bem medidos
para dar certo.

Até agora foi três palmos
de terra negra cavada
falta quatro palmos certos
pois o certo mesmo é
sete palmos bem medidos.

Sete palmos, este é o certo
foi até agora cinco palmos
a terra vira lama na chuva
dificulta ainda mais
a minha vida morte.

Cinco palmos quebrados
foi e continua indo
o buraco é cavado
cada vez mais fundo.

Seis palmos certos
falta um palmo só
os cavadores não param
bichos mais variados
saem desse buraco negro
vejo meu futuro resto
em seis palmos e meio.

Quase sete palmos
já preparam minha nave
cordas bem fortes
fecham a porta
sete palmos conseguidos
me desejem Bon voyage
para mim
não volto mais aqui.

Minha Criação

Poesia da palavra errada
brasileira da gema
da casca do ovo
de galinha.

Quem te viu e quem te vê
minha louca poesia
tomou fermento, cresceu
criou pernas, braços,
cabeça.

Anda-te minha obra
como andou o monstro
de Frankenstein
se espalhe e vá!

Como queria te ver
pelo mundo andando
indo por aí.

Anda-te e vá!
Você cresceu, poesia
não precisa mais de mim.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Acróstico

Amor quase certo
Canalizado
Revizado
Ótimo
Se
Tenta
Insistentemente
Conseguir, mas como e
Onde?

Desepicionante
Acontecimento

Busco
Uma
Senhorita
Cativa
Amorosa

Donde?
Onde?

Coração
Espatifado
Razurado
Totalmente
Ociosso

Amor
Mortífero
Odiável
Rebuscado

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Mundo

O instante momento
minha inteira vida
moída
acabada.

Séculos
séculos
de falsa magia
de dor
esperança
a vida não girou
a vida não parou.

Os leões
os demônios
deste mundo real
incomodam a mim
e a todos
espetáculo de murmúria
a vida continua
hoje e sempre
até que o sempre acabe.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Consciência Negra

Consciência negra
é assim minha mente
negra mesmo
sem nada especial
ou algo de bom.

Mente negra
peste negra
vida negra
é minha vida
o meu dia
todos os dias
é normal
muito normal.

Não existe luz
nem som
nem água
minha mente
é vazia
negra
ruim.

Meus pensamentos
são podres
vazios
negros como minha
vida.

Minha morte será
negra
como minha vida.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Hoje

Hoje não quero sair
não quero beber
não quero fumar
quero ficar no meu
canto recanto
dormir até acordar.

Não estou afim
nem quero sair
estou mesmo assim
sem querer rir.

Não saio daqui
não mesmo
e não há quem faça
não há mesmo.

Hoje fico aqui
não vou sair
fico aqui mesmo.

sábado, 14 de novembro de 2009

O Ovo

O ovo é um ovo
um ovo oval
de forma de ovo
com gema de ovo
clara de ovo
casca de ovo.

Mas o ovo
também é
uma semente
um útero
de galinhas
jacarés
patos
marrecos
e aí fora.

Ovo pode ser
um omelete
ovo cozido
frito
batido
puro
mas é ovo
ovo oval.

Ovo é ovo
oval
sempre será
e ninguém
mudará.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Modernidade de Marinetti

Acabou-se a nobre poesia
arte quem te vê?
O mundo está um caos
e Marinetti previu isso.

Museus de toda fama
abandonados a sorte
carros cada vez mais
velozes aos nús olhos
mulheres vulgarizadas
sexo explícito.

Marinetti já previu
os sons que vem
das inundas ruas
as palhafatosas
fábricas
de fumaça
o fim de um mundo
completo.

A modernidade atual
é um caos aos meus
sofridos olhos
minhas fossas nasais
sangram ao cheiro
poluído das cidades
meus tímpanos
explodiram ao sim
da cidade
meu tato já não sente
mais nada
de tantos calos
meu paladar sofre
ao gosto ranso
da fumaça.

Modernidade cruel
e assassina
pega-me
estrangula-me
mata-me
deixa-me
no chão frio
morto
ensanguentado
pela vida
medíocre.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Que Bom Seria

Quem me dera
me embebedar
com o bom vinho
do porto
e louco ficar
sim!
Louco ficar.

Poder cantar
nas ruas
a doce melodia
dissonante
e desafinada
de meu bem.

Andar na chuva
pisar em poças
de lágrimas
e seguir feliz
sem mesmo
saber aonde ir.

Aliás: Saber sim!
O caminho do bar
dos amigos
da sinuca
e ganhar
e perder
e pagar
mais uma rodada
da boa amarelinha
que matou o guarda.

E na ressonância
de meus cantos
ser sempre
molhado
pelos impacientes
e estressados.

Que bom seria
esquecer da vida
por meio instante
e só lembrar
no dia seguinte.

Mas que bom seria...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Adeus

Dia a mais
dia a menos
um dia vou
e vou mesmo
sem amor.

Estou chegando lá
estou indo
e não volto.

Peço adeus antes
de ir
de partir
pois vou e não volto.

Peço adeus
agora mesmo
adeus!

Magda

A mulher sem vida
a mulher sem sorte
a mulher sem nome
ela é simples Magda.

Mulher sem cor
sem amor
vive a vida
tenta viver
Magda.

Magda forte
mas sem amor
mas sem vida
mas sem nada
quem é você Magda?

Não quer nada
da vida
não quer nada
da morte
vive sem medo
vive sem coração
apenas vive.

Onde vai Magda?
Não adianta lutar
nem insistir
acabou agora
acabou Magda
agora é
viver por viver
morrer por morrer.

Mas...
onde vai
Magda?

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Poesia Gauche

Dizem que estou
todo errado
dizem que estou
todo torto
dizem que não tenho
mais jeito
que não vivo
certo
e a certeza
é que eu não sei.

É certo dizer que sou torto?
é certo dizer que sou louco?
é certo dizer?

Vivo, logo existo
poeto, logo vivo
escrevo, logo poeto.

Mas na verdade
sou de esquerda
para a vida
contrário ao governo
da sociedade
torto pela simples
natureza
sou mais um gauche.

domingo, 8 de novembro de 2009

Luta

Rosno
mostro os dentes
tento lutar
contra a morte.

Sou forte
mas ela é mais
a vida se escurece
como um black-out
me atormento.

A vida foi
a morte chega
é o fim
é tristeza
é golpe no peito.

Mas...
se eu morrer...
como ficarei?

Tenho várias vidas
dentro de uma só
morri uma
e viverei a outra

Vida e Morte

Sou o dono da voz
o homem da cor
a vida na vida
a morte na morte.

Sou o todo errado
o direito do esquerdo
a vida sem vida.

Sou mais um sozinho
no mar de amores
e de acertos errados
e erros acertados.

Mas quem sou
na dita verdade da vida?
Quem sou?
Quem fui?
Quem serei?

A vida corre solta
e a morte corre atrás
pois só basta estar vivo
para encontrar a morte
e só basta estar morto
para ficar com medo.

A vida é uma só
a morte é uma só
e vou viver
até morrer.

Pobre Homem

Lá vai ele
o homem
sem vida
sem amor
sem sorte.

É ele sim
é ele só
sem ninguém.

Lá vai o homem
lá vai ele
procurando amor
mais uma vez

O Mundo

O mundo é redondo e chato
chato para mim
que não vejo nada diferente
nada legal
nada me agrada.

Se o mundo gira não sei
mas sei que estou enjoado
enojado da vida
querendo morrer
ir para a vida eterna
se é que existe mesmo.

Mas se a Terra acabar
se o mundo acabar
se a vida acabar
o que será de mim?

Vai mundo girando
continua
pois pior não pode ficar
e espero assim.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Heteronímia

Tenho tantos eus
que eu mesmo
não sei quem sou
eu de verdade.

Mas quem sou eu?
E quantos eus existe
dentro de mim?

Me multiplico
como coelho esperto
que não perde tempo
sou os eus que quero
ser.

Mas me pergunto
sempre
"porquê tantos eus?"

Ó Deus
você que sabe de tudo
e de todos
me responda tal questão
que me foi imposta
a mim mesmo:
quantos eus existe
dentro de mim?

Pois eu mais eu
dá dois eus
tão diferentes um
do outro
que eu mesmo
não entendo.

Mas na verdade
quem sou eu
de verdade?

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Olhos de Mel

Olhos de mel
enfornados
por um fundo
branco como neve
um olhar
seguidor
perseguidor.

Aquarela
de minha vista
única
primordial
aquele olhar
cativo
profundo
mas sem nexo
duvidoso.

Que olhar!
Sim, que olhar!
Desafia meus olhos
meu coração.

A doce
incomodação
de minha vida
que me vem
até em sonhos
e em pesadelos
me salvar.

O que quer
com esse olhar?
A duvida cruel
de um olhar
olhos de mel.

Esses olhos de mel
me atiçam
e enfeitiçam
e mata
pouco a pouco.

Vou morrendo
vou secando
aos poucos
por culpa
desse seu olhar
de mel.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Amor Cruel

Mata-me
se necessário
deixa-me
no chão
seja ruim
comigo.

Ama-me
com todos
os versos
de tua vida
me deixa
nervoso.

Eu quero
sim
eu quero
e quero agora.

Faça o que quiser
mas me ame
não me deixe
eu quero você
agora mesmo.

Mata-me
se quiser
mas me ame
por favor.

domingo, 13 de setembro de 2009

Franco-Brasileiros

Vamos falar francês?
Um dia seremos
a França
brasileira
comeremos escargot
com feijão.

N'ayez pas peur
ami!
Que tous
être typique français.

Brasília
Paris brasileira
seremos chiques
seremos franco-brasileiros.

Et les écoles
apprendre
parler
bonjour
bonne nuit
et comment êtes-vous?

Bom ir se acostumando
com parfums
chic vêtements
e outras choses.

Nous allons être magnifiques
très odorantes
et parlant français
couramment.

E eu ordeno
falemos francês
viremos francês
pois é isso
que queremos.

Tout ce qui chante
en portugais
chanter en français
"Je ne savais pas marché poupée!"

Seremos típicos
franceses
brasileiros
isso não é bom?

domingo, 6 de setembro de 2009

Chá Dançante

Café com açúcar
disco na vitrola
chá dançante.

O povo roda
como toca-discos
funcionando
a toda roda.

Toca-se mais
músicas
o chá não pode
parar.

Importantes
dançam
sem parar
eles tomam
chá
café.

O chá não pode
parar
tem que
continuar.
Ela me olha
me provoca
me ama.

Ela não diz
tem medo
eu também
tenho.

Nós se amamos
de longe
nossos olhos
dão conta
de transmitir
o recado.

Olho no olho
paixão na paixão
amor no amor.

Nós se amamos
e eu sei disso.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Calhamaços de Papel

Calhamaços de papel
tento escrever
uma bela poesia.

Penso
logo escrevo
a caneta rabisca
horrorosas letras
verdadeiros garranchos
no calhamaço de papel.

Mas na verdade
não sai nada
nem um broto
de poesia
o meu eu lírico
deve estar
de greve
ou tirando férias.

Tento igual
o Professor Pardal
inventando máquinas
inventar poesias.

Onde está agora
o pensamento?
E a tal inspiração?

Calhamaços de papel
todos em branco
nenhuma poesia.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O Velho

Um homem velho
na mesa
senhor da idade
senhor da vida.

Já fez de tudo
foi engenheiro
foi taxista
foi vagabundo
preguiçoso
foi até mesmo
um vampiro
espanto
para todos
já foi de tudo
um pouco
hoje é poeta
da vida.

O velho conta
histórias
de sua vida
de sua morte.

Fala de prédios
altos
muitos ainda
por fazer.

Fala de corridas
de táxi
que nos faz
chorar de rir.

Conta da noite
perambulante
em busca
de alimento.

Conta de Brasília
de presidentes
eleitos
renunciados
mortos
morridos
ou matados.

Conta do velho
gramofone
ainda a corda
com boca de lata.

O velho
só não fala
de amor
tem receio
dessa palavra
talvez
jamais amou
na sua vida
na sua morte.

Morte

Sinto cheiro
de morte
de flores
podres
de caixões.

Sinto o cheiro
da terra vindo
da grama
mortuária
dos seres
que debaixo
residem.

Vejo caixões
de várias cores
branco
preto
azul
amarelo
marron
ao natural.

Vejo mesmo
a cor da terra
a cor do céu
a cor do inferno.

Escuto vozes
do além
vozes de mortos
dos que jazeram
desta vida
para melhor
ou pior.

Sinto
o amargo arrepio
da dor
da morte
sinto meus nervos
todos
se desativando
se endurecendo.

Sinto o gosto
do negro dia
se chegando
e me levando.

Logo jazigo
logo me vou.

Rosa

Com um copo
de vinho tinto
seco
em uma das mãos
e um cigarro longo
na outra mão
você vem
sorridente para mim
cheia de plumas
de pavão
e com uma boca
escancarada
de dentes.

Até queria você
antes
mas percebi
que você não é
flor que se cheira
não é realmente
o que desejava.

Peço que não
chore por isso
não sou bom homem
mesmo assim tento
ser alguém na vida.

Até pensei que você
fosse a mais linda
de toda a roseira
mas descobri que
você é a única
que exala um doce
veneno em seu perfume
e que sempre mata.

Me desculpa
mas não quero mais
você.

A Resposta

Para que sair
gritando para todos
que eu te amo
sendo que não
tenho
a certeza
a sua certeza?

Já te falei
várias vezes
isso tudo
já te fiz
n poemas
iguais a esse
já te olhei
com cara de
cachorro
sem dono
mas você ainda
não falou
não me deu
a resposta
boa
ou ruim.

Vamos!
Diga logo!
Não me deixe nessa
louca expectativa
de uma simples
e única
resposta.

Não tenha medo
de me fazer
feliz
ou de me fazer
chorar
eu só quero a sua
resposta
sim
ou não.

Não me deixe
feito cara
de pastel de vento
esperando
preciso saber logo
o quanto antes.

Só isso preciso
saber
para viver
tranqüilo
triste
ou feliz.

Por favor
diga logo
e não me mate
pela expectativa.

domingo, 30 de agosto de 2009

Flores

Se rosas falassem
se lírios falassem
se flores falassem
elas agradeceriam
ao jardineiro.

Se as flores amassem
iriam amar
o jardineiro.

Mas elas não falam
não amam
mesmo assim
conseguem agradecer
e apaixonar
por um simples
e delicioso
odor.

Como eu poderia
ser uma flor
e ter uma jardineira
me cuidando
todo o dia
toda a noite.

Como queria
exalar bom cheiro
sem precisar
de perfumes.

Como queria
sentir os pingos
da chuva em minha
pele ressecada.

Como queria ter
uma jardineira
só para mim
e para mais nenhuma
flor.

O Pintor

O homem da cor
o pintor de telas
o artista plástico
de carne e osso.

Ele pinta sim
ele pinta assim
ele pinta triste
a ilusão do amor
o ballet das meninas
a confusão na mesa
de bar
o retrato de um
importante
o seu próprio
auto-retrato.

Vai manchando
a tela
pincelando
a tinta
respingando
as lágrimas
o pincel
é lavado
nas mesmas
colocadas
num copo.

Artista chora
também
ama também
sofre também.

Pinceladas fortes
batidas na tela
com a fúria
de um artista
de um pintor.

O pranto cai
na tela
sua última obra
lágrimas de amor.

sábado, 29 de agosto de 2009

Lenços Premier

Lenços Premier
jogados no chão
cheios de pranto.

Mais um
chorando
de dor
por amor
por ingratidão.

Lenços Premier
várias cores
várias lágrimas
um só coração.

Olhos vermelhos
que parecem
de vampiro
mas não são.

Olhos molhados
cílios lavados
de tanto chorar.

Só se vê
lenços Premier
no chão
poças
de lágrimas
choro contido
raiva mortal
mais um amor
perdido
mais um lenço
no chão.

Verdes
brancos
amarelos
azuis
bordados
ou não
todos no chão.

Lenços Premier
único consolo
para minhas
lágrimas.

Mais um
lenço Premier
no chão.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

E Lá Vai o Zé

E lá vai
o Zé
tocando
seu violão
bossa-nova
para todos.

E lá vai
o Zé
cantando
alegres canções.

Vai Zé!
Aproveite
a vida
enquanto há.

Lá vai Zé
alegrando
o povo.

Atravessa
a avenida
não vê
o carro chegar
não vê
o carro passar
não vê
a morte chegar.

Confusão
no centro
todos param.

E lá vai
o Zé
no urro
da ambulância.

Não deixou
amor
família
herdeiros.

Não teve
filhos
sogras
genros
cunhados
só teve
o violão.

Pobre Zé!
Pobre violão!

E lá vai
o Zé
para dentro
do buraco
indigente
com ele
seu inseparável
violão.

Feliz
foi o Zé
morreu feliz
sem ninguém
só ele
e o violão.

E lá vai
o Zé...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Quer apostar quanto

Um dia
eu morro
quer apostar
quanto?

Um dia vou
pro vinagre
formol
limão
com sal.

Um dia vou
para cima
para baixo
para debaixo
da terra
do esgoto
do mundo.

A Terra
vai pesar
sobre mim
como chumbo
em mão de
moça.

Um dia
eu morro
quer apostar
quanto?

O Rico Homem

O homem
de terno
e gravata
jóias
chapéu
boa aparência
não tem amor
não tem paixão
não tem vida.

O rico
que nunca amou
tem tudo
menos coração
menos amor
menos o importante.

O nobre
nunca amou
nunca sentiu dor
nunca deu
e nem ganhou
presente
só rancor.

O homem rico
tem dinheiro
não tem mulher
não tem filhos
não tem mascotes
não tem ninguém.

Ele é feliz
muito feliz
feliz demais
nunca amou
nunca.

Ele é feliz
simplesmente feliz

domingo, 23 de agosto de 2009

O Fascinante Brilho de Seus Olhos

O doloroso
brilho
de seus olhos
me segue.

Tenho febre
penso
escrevo
uma poesia
de amor
para você
um dia ler
tenho febre
por você.

Escrevo
raivoso
rangendo
os dentes
mais um
amor platônico.

Como queria
você
além de corpo
além de alma.

Como queria
lhe acariciar
e ser
seu escravo.

Como queria
prender
teu perfume
num frasco
e me viciar.

O maldito
brilho
de seus olhos
me fascina.

Como queria
ficar cego
e nunca mais
te ver.

O lazarento
brilho
de seus olhos
me deixa
febricitante
febre
excitante.

Não olhe
para mim
pois
o violento
brilho
de seus olhos
pode um dia
me cegar
completamente.

Mais Uma Noite.

Mais uma noite
de solidão
de escuridão
total.

Ela deita na cama
tenta dormir
mas os sonhos
que mais parecem
pesadelos
a incomodam.

Ela sonha sempre
os mesmos sonhos
ou pesadelos.

Sonha com o
eterno amor
platônico
seu príncipe
que nunca vê
ela.

Ela tenta disfarçar
tenta não chorar
tenta se esconder
num canto qualquer.

Ela foge para
o escuro da vida
ela se refugia
desse amor maldito
dessa raiva amargurada.

Tenta dormir
chorando
é sempre assim
sempre assim
nunca muda
jamais.

Ela quer dormir
ela não quer sonhar
ela quer simplesmente
descansar
da triste vida.

Enfim dorme
mas logo acorda
mete um sorriso
de bom-dia na cara
e vai para vida.

E sem explicação
o travesseiro
amanhece
molhado
todo dia.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Batalha da Vida

Homens
negros
brancos
pardos
cor-de-rosas
marcham
a marcha
da vida.

Todo dia
o mesmo dia
de tédio.

Sempre
carros
atordoam
a vida
a morte
a candura
do dia.

A noite vem
como relâmpago
como morte
súbita
como
adeus
de namorados.

O sol nasce
e ninguém vê
ignoram-o
como se não
existisse
sol.

A lua
pobre coitada
desprezada
na noite
esquecida
no dia
chora
sem ninguém
perceber.

O mundo é
cruel
maldito
e o pior
é que nós
fazemos
por merecer.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Terrível Pesadelo

Vou
te amar
te beijar
te enlouquecer
e te matar
e depois fugir.


Fugir
para longe
fugir
para nunca
fugir
para sempre.


Vou correr
me esconder
vão
me caçar
querer
me prender
querer
me matar.

Vou fugir
vou correr
vou me
esconder
vou...

Vou acordar
e ver
que tudo
não passa
de um
terrível
pesadelo.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Se Meu Coração Falasse

Se meu coração
falasse
ele diria..
o que será
que ele diria?

Talvez diria
que eu seja
um mau senhor
chicoteador
de inocentes
crápula
sem escrúpulos
e sem amor
próprio.

Talvez diria
que eu seja
mais um triste
andando
a passos largos
para o choro
longo.

Talvez
ele sentaria
numa mesa
de bar
e falaria
todas as suas
angustias.

Meu coração
não fala
mas sofre
sem parar
pelos os
falsos amores
dessa vida.

Que bom
se meu coração
falasse
o que está
sentindo.

Se meu coração
falasse
ele diria...
o que será
que ele diria
mesmo?

domingo, 16 de agosto de 2009

Flor do Amor

O amor
é uma flor
de pétalas negras
e talo venenoso.

Uma flor
de pólen
asfixioso
e doce
cheiro
de dor.

Uma flor
que não morre
jamais
e fica
plantada
no peito
no coração.

Provoca
dores
e graves
ferimentos.

Uma bela
flor
pronta
para enfeitar
um enterro.

O amor
é uma flor
de morte
uma flor
que mata.

Na verdade
o amor
é uma
erva-daninha
danosa
ao ser humano.

O amor
não tem cor
só é negro
e negro
sempre será.

Marchando

Marchando vou
vou procurar
minha turma
meus amigos
meu conforto.

Chorei demais
agora eu rio
de tudo
vivo a vida
sem nenhum amor
para dar
para vender
para doar.

Não tenho amor
nem quero ter
tive
e me arrependi
chorei
não vou mais
chorar.

Marchando vou
chego em algum
lugar
vou para lá
e para cá
não vou mais amar.

Marchando
chego lá
e se não chegar
não há
problema.

Um dia chego lá
e lá não irei
amar.

O Homem no Poste

O homem
senhor
terrino
cansado
morto
pelo amor
pela dor
pela própria
vida.

O homem
de terno
sapato marfim
camisa branca
choro excessivo
o homem
enfartado
morto morrido
morto amoroso
morto rancoroso.

O homem
o amor
triste amor
coração
partido.

O homem
as flores
as dores
a enorme
decepção.

O homem
na calçada
em baixo
da luz
escorado
no poste.

O homem
morto
a poça
de lágrimas
a poça
de sangue.

Gritos

Gritos
vindos
do horizonte
busco
tento achar
não vejo
ninguém.

Ecos
de socorro
desesperadamente
ecoam
pelas ruas
busco
não acho.

Os gritos
estão
mais altos
vozes
de crianças
mulheres
idosos
de todo tipo
e entonação.

Sigo os gritos
que não dão
a lugar nenhum
vou seguindo
até achar

A Sombra

O tempo
o vento
a casa
a flor
a tristeza
vem à tona
mas não choro
não sei chorar.

A dor
vem como
sombra
amaldiçoada
pela minha
própria vida.

Vou indo
seguindo
esta sombra
vou junto
com ela
ela me leva.

Sim!
É o fim
é a morte
é a dor
a verdadeira
dor
vou para além
da simples
morte.

A sombra
me leva
e eu
vou junto.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Relato de Amor

Entro no
meu quarto
escuro
acendo a luz
e o que vejo?
Um vampiro!
Ou melhor:
uma vampira.

O mais belo
exemplo
de união
entre a vida
e a morte.

Dúvida cruel
meu cérebro
quer fugir
meu coração
quer ficar.

Não tenho medo
da morte
mas mesmo assim
quero viver.

Ela percebe
que meu
podre sangue
corre quente
em minhas
veias e artérias
mostra os dentes
afinalados
para mim
é o fim
e o começo
de uma longa
história.

Vejo que vou
morrer
e viver
eu nem sei.

Ela me morde
já não há
mais jeito.

A dúvida foge
de meu corpo
agora é tarde
já morri.

Só sei
que é amor
além da vida
além da morte.

Só sei
que será
eterno.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Aquela Expressão

A norma
da palavra
eu não sigo
não te digo
quem sou eu
mas eu já sei
quem é você.

Que a culta
norma
da palavra
cale minha
boca
não me deixe
falar.

Que a palavra
não me saia
de minha boca
nem de meus
olhos
explícitos
que são.

Não te digo
quem eu sou
mas já sei
quem você é.

Não me faça
abrir a boca
para dizer...
para dizer...
você sabe...
aquela expressão
tão famosa
mas tão lodosa
e dolorosa.

Não abro
minha boca
para falar
um piu
nem
por um milhão
de contos
de réis.

Que eu
não fale
nem escreva
nem diga
com um olhar
a famosa
expressão
você sabe qual
e eu também
sei.

A maldita
e mal dita
expressão
que todos
falam
e enganam.

Que eu
não fale
nem gesticule
essa expressão.

Que eu
não te faça
sofrer
tanto quanto
eu sofri.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Doce Vampira

Doce vampira
suga meu
sangue
quieta
sem nada
falar
sem nenhuma
explicação.

Vampira
que me
conquistou
roubou
meu sangue
depois sumiu
onde está?

Vampira
de negro
igual
minha vida
igual
minha morte
igual
minha dor
igual
meu coração.

Vampira
que levou
meus pesadelos
e trouxe
bons sonhos
cadê você?

Sigo procurando
sem parar
até achar
a doce vampira.

domingo, 9 de agosto de 2009

Lembrança

Doce perfume
que não sai
de minha
cabeça.

Doce tristeza
que não sai
de meus olhos
e me faz
chorar.

Dor no peito
pingos
no chão
tristeza
involuntária.

Tristeza
é a última
que morre
morre
junto comigo.

A morte
me espera
para me
levar
consigo
para sempre.

Não Tenho Mais Nada a Dizer

Meu grito
de guerra
é mudo
não tenho
mais palavras.

Meu coração
se aquieta
e chora
em um canto
escuro
e vazio.

Não tenho
nada
não tenho
vida
não tenho
morte.

Se avida
sorri
para mim
eu choro
por ela.

Não tenho duvidas
não tenho
mais nada a dizer

A Lua me Persegue

A lua
me vigia
a toda hora
grande
e sozinha.

A lua
me persegue
a todo instante
sem parar
sem cesar.

Lua cheia
de dor
amor
paixão.

A lua me persegue
sem parar.

Você Caiu

Chora
berra
pois ninguém
vai de ajudar.

Grita
fique com
raiva
você caiu
e não vai
levantar.

Olhe meus pés
beije meus pés
lambe meus pés
só isso
tu vai
conseguir.

Não chore
engula
o choro
você
só está
pagando pelo
que fez.

E meus parabéns
por chegar
na merda
antes do que eu.

Amor

Amor
dor
pavor
não quero
mais amar.

Amor
cego
vagabundo
infeliz
que só dá
sofrimento
tristeza
lágrimas.

Amor
não quero
mais sentir
por ninguém.

Amor
só trás
ódio
e medo
em meu
coração.

Deus
perdoa-me
mas não quero
mais amar.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Maldito Cogumelo

Cogumelo
maldito
destrutível
cancerígeno.

Cogumelo
sem cor
sem amor
sem paixão
sem pintas
sem bolas
sem gosto
sem graça.

Fungo
feio
da ignorância
nada
comestível
todo
alucinógeno.

Cogumelo
da morte
da dor
do sofrimento
ninguém quer
esse cogumelo

Maldito
cogumelo
você não é
verde
rosa
amarelo
preto
azul
roxo claro
com bolinhas
vermelhas
você
é cinza
simplesmente
cinza.

Cogumelo que matou
mil
e mais
não volte
nunca mais.

Ninguém
te esquecerá
maldito cogumelo
de Hiroshima

domingo, 2 de agosto de 2009

Poema de Morte

A morte chegou
dentro de um
caixão
enfeitado de
negro
com fitas
vermelhas
e flores de
outras mortes.

Enfim
ela chegou
para me
levar
para onde
ainda
não sei.

Seja céu
seja inferno
seja este
mesmo mundo
mas em
forma de
espirito.

Flores
murchas
típicas
da morte
da dor
do falso amor.
Eu morri
de tédio
espera
dor
amor
desgosto
da vida.

Morri
e não mais
voltarei
vou para o
além.

Sete palmos
esta é
a certa
medida
para ficar
longe
desta Terra
do nojo
deste mundo.

Sete palmos
é o que
mereço.

A morte chegou
e já vai indo
me levando
junto.

domingo, 12 de julho de 2009

Noite Feliz

Noite feliz
era o que eu
queria.

Dormir
em paz
sem ninguém
sem pensar
em ninguém
uma noite
só minha.

Roncar
para
estremecer
o quarto
viver
em meu
sonho
meu mundo
minha
terra.

Isso que eu
queria
viver
em meu
sonho
eternamente
numa
noite feliz

O Gato do Sebo

Um gato
vigia
um gato
preto
o gato
do sebo.

O gato
vigia
o gato
observa
todo o
movimento.

O gato
anda
por tudo
anda
pelo centro
anda
como rei.

É um gato
sabido
um gato
culturalizado
o gato
do sebo.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A Acordeonista

Uma moça
toca
coisas lindas
com acordeon
no meio
da praça.

Toca músicas
francesas
do lado
dela
um velho
chapéu
em sinal
de ajuda.

Moedas
notas
dinheiro
jorra
das mãos
da multidão
e enchem
o chapéu
da pobre
acordeonista.

Ela toca
músicas
alegres
mas
seu olhar
é triste
muito triste.

Suas roupas
são velhas
seu terno
rasgado
e remendado
suas calças
curtas
mostram
as meias
usadas
seus
sapatos
sujos
sorridentes
gastos
pelo andar.

Seus cabelos
loiros
desgrenhados
mostravam
uma doce
finura.

Seu rosto
era sujo
mas belo
simples
sem maquiagem.

Ela ia
embora
na certeza
de um bom
dia
na certeza
de um novo
dia
amanhã.

E o amanhã
chegou
sorrindo
para mim.

Fui ver
a bela
e pobre
acordeonista
mas
não estava lá.

Esperei
um bom
tempo
mas
ela não
chegou.

Onde estava
ela?
Não sei

Procurei
em tudo
quanto é
lugar
e não
encontrei.

Fui
na cadeia
no hospital
até
no necrotério
mas
não achei.

Cadê
ela?

Eu grito
sem parar.

Não sei
seu nome
e ela
não tem casa.

Os dias
passaram
e o único
remédio
foi eu
tocar acordeon
no lugar
dela
até ela
aparecer.

E assim
vivo
a vida
tocando
acordeon
e esperando
ela chegar.

Mas...
onde está
ela?

sábado, 4 de julho de 2009

Anti-social

Não sou
santo
cavaleiro
cavalheiro
educado
estou mais
para dragão
do que príncipe.

Não quero
ser
seu bicho
de pelúcia
nem um
quadro
de fotos
quero ser
eu mesmo
animal.

Não tenho
laços
nem abraços
somente
um doce
rancor
da vida.

Não me faça
carinho
e nem
espere
o mesmo
eu posso
morder
e você sabe
disso.

Não espere
um coração
bonito
vermelho
inteiro
mas sim
um coração
ferido
hemorrágico
negro
cheio de dor
e sem
nenhum
carinho.

Esqueça
uma mente
limpa
consciente
e certinha
mas lembre-se
de uma
mente suja
louca
inconsciente
sem nexo
sem carinho
e toda errada
pois
é assim
que sou.

Piano

Piano
instrumento
tão triste
combina
comigo.

Seu som
grave
e agudo
ao mesmo
tempo
me faz
chorar
e muito.

Triste
é o pianista
sempre
tocando
este
instrumento.

Piano
mexe
comigo
me deixa
em prantos
transforma
alegria
em dor.

Suas teclas
brancas
e pretas
me fazem
pensar
transmitem
mais dor.

Como
pode
um instrumento
tão triste
fazer a alegria
de tanta gente?

terça-feira, 30 de junho de 2009

Ovelha Negra

Sou
a ovelha negra
de minha
família.

Gosto de arte
de música
da vida
da minha vida.

Sou mesmo
a ovelha negra
da minha
família.

Gosto
do certo
do difícil
do inteligente.

Sou eu mesmo
e quero
ser asim
e vou ser assim.

Última Lágrima

última
lágrima
cai de meu
rosto
uma lágrima
de alegria
e tristeza
estou livre
mas perdido.

Último adeus
bom
ou ruim
que adeus.

Peço
que não volte
mais
que suma
que não
me procure.

último
beijo
longo
mas sem
desejo

Último
desejo
não se
esqueça
de mim.

Espero
que seu
novo amor
cuide de
você
mais do que eu
que ele
lhe dê
carinho
e que
te ame
como nunca
te amei.

Adeus
para sempre!

Linguagem da Alma

É bom
chorar
o choro
é a linguagem
da alma.

A alma
se comunica
assim
com o pranto
o pranto
triste
ou alegre.

A alma
grita
assim
na base
do choro.

A alma
geralmente
é triste
pois está
aprisionada
dentro de nós
e sofre mais
do que a gente.

Mas
as vezes
a alma
se alegra
por amor
ou
uma simples
felicidade
besta
de nosso
mundo.

O choro
é a linguagem
universal
da alma
e assim
sempre será.

Por isso
chore
chore muito
e deixe
sua alma
gritar
falar
dizer
o que ela
sente.

domingo, 28 de junho de 2009

A Gravata Borboleta

Uma gravata
borboleta
tudo pode
começar assim.

O homem
o homem da gravata
gravata borboleta
rico senhor
pobre homem.

O homem
sofre
a gravata sente
o sofrimento
na gola
na suas bolas.

O homem sofre
por amor
por dor
por mulher.

A mesma
gravata
que ontem sentia
um doce perfume
no ar
hoje sente
suor
nervosismo
e pingos
de choro.

Uma gravata
borboleta
sofre
junto com
o homem.

Pobre homem
pobre gravata.

Os sapatos
sente o leve
piso do dono
do homem
um passo triste
e ele sofre
também.

Os sapatos
sentem as
pedras
sendo chutadas
sentem a lata.

A camisa
sente o suor
sente o coração
batendo fraco
no peito
sente a morte
precoce
sente a vida
indo embora
mesmo sem saber
o que é vida.

A calça sente
a dor de seu
dono
os joelhos não
dobram como
antes
a vida está sem
sentido.

As meias
sentem
todo o suor
dos pés
toda a dor
todo o sofrimento.

O relógio
sente
a morte
vindo devagar
vindo sem
parar
sente o pulso
sem mais
pulsação
sente
a vida morrendo
a morte tomando
posse.

O homem enfim
morreu
morreu de dor
morreu de amor.

Coisas Sem Sentido

Pensamentos
refletem
isolamento
total.

Penso em coisas
sem sentido
coisas
realmente
de loucos.

Será
que sou
normal?

Quem me
responde?

Realmente
não sei se...

Mas creio que
eu seja normal
os outros que
são estranhos
que são
dementes
que não
me entendem.

Os pensamentos
continuam
voando por minha
cabeça
e eu continuo
isolado.

A Medrosa

Onde está
você?
Onde está sua
glória?

Você sumiu
fugiu
você tem medo
medo da vida
medo de tudo
medo do amor
do puro amor.

Admiro
os medrosos
e você
é uma
pura medrosa.

Continue
fugindo
pois não
há escapatória
um dia
você será
pega
e não vai
mais ter medo
de amar.

Café Pingado

Seu garçom
fale para o dono
me trazer
um café pingado
me emprestar um
cinzeiro
charutos
e brasa.

Peça
para o vizinho
da mesa
ao lado
o jornal
emprestado
quero ver
a última
da gripe suína.

Não fique se
afobando
filosofando
limpando
a mesa
que assim
não pago.

Me empresta seu
bloquinho
o seu lápis
a sua borracha
e um apontador
para eu fazer
poesias
e por favor
não diga não.

Me veja
um bom
pão com presunto
pois é isso
que meu dinheiro
pode pagar
isso
tudo culpa
da crise
dos states
que atingiu
até a parte
dos sapatos.

Não me venha
reclamar
da sua vida
pois a minha
anda pior
que a tua.

Veja
meus sapatos
sorridentes
de tanto andar
veja meu relógio
sem o ponteiro
dos segundos
veja o meu terno
rasgado e remendado
veja meu chapéu
todo comido
e veja minha barba
toda mau feita
e você ainda
vem reclamar
de sua vida?

Só venha
se chamado
se preciso
não vê
que estou ocupado?

Ande logo
com o pingado
já está
atrasado.

Tenho que ir
bote no prego
a minha conta
sei que atrasei
mas
no fim do mês
eu pago
tudo duma vez.

Velha Ópera

Velha ópera
na vitrola
Enrico Caruso
me faz rir
me faz chorar.

Ele grita
eu grito junto
nesta velha
ópera
na vitrola
sofredora
que nem eu.

Ele solta
sua risada
cínica
sei que é
para mim
eu sei.

Sei que
dancei
ao som
de sua voz
gritei
com seu gritos
eu sei.

AVida é Uma Poesia

O mundo
sem poesia
é um caos.

Não existe vida
sem poesia
não existe poesia
sem vida.

A vida
é feita
de poesia
a vida
é uma
poesia.
Parem
de me atazanar
eu peço
mas não
adianta.

Parem
de me criticar
dizer
que sou louco
estúpido
e estremamente
idiota
pois
não sou.

Não adianta
grito
e não dá
e eu
só tapo
os ouvidos!

Se o Mundo Acabasse Amanhã

Se o mundo
acabasse
amanhã
ótimo!
Acabaria
esta palhaçada
este castigo
esta dor.

Não tenhamos
medo
do fim
pois o fim
é só o início
de uma utopia.

Se o mundo
apagasse
amanhã
que maravilha!
Me chamem de louco
me internem
em uma
casa de repouso
me matem
se preciso
mas minha palavra
não tiro!

Se um asteróide
caísse
amanhã
que festa
em meu
coração!
Fogos
muitos fogos.

O mundo
não vai
melhorar
então
que acabe!

Vida Artificial

Eles dizem
vão!
Nós dizemos
não!
Mas vamos
do mesmo jeito.

Nós vamos
mesmo sem
manual
sem entender
este mundo
sem entender
este caos.

Não sabemos
nada
nascemos
vivemos
e morremos
artificialmente.

Somos seres
inteligentes
mas artificiais.

Somos apenas
andróides
feitos para
durar
somos destrutíveis
não aguentamos
uma bala.

Somos feitos
apenas para testes
testamos o mundo
e depois
morremos
nossos circuitos
queimam
nossas baterias
acabam duma vez
e não há reposição.

Não temos
outra razão
de viver
se não
testar
desenvolver
e morrer
assim é esta
vida
artificial.

Somos Doentes

Doente
entubado
internado
nesta vida
todos nós
somos.

Não temos
mais tempo
o tempo é
contado
milimétricamente.

Não temos
nenhuma chance
de viver
por nós mesmo
Esse é o tal
socialismo
capitalista.

Mundo cão
não nos deixa
viver nossa
vida
só a dele
só a da Terra.

Nesta Terra
somos células
apenas.

Não temos
vida própria
mas sim
uma vida
coletiva
pois tudo
depende
da gente.

Só queria
viver
minha vida
mais nada.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Enganadora

Eu rio
de você
doce palhaça
errante
da vida.

Olho
nesta tua
cara
branca
de pó de arroz
um falso sorriso
forçado.

Quem você
está tentando
enganar
novamente?

Pobre
do otário
que te quer
realmente
deve ser
muito cego
aliás
dizem
que o amor
é cego.

Esta sua
palhaçada
é realmente
convincente
quase me
enganou
severamente.

No fundo
mas no fundo
mesmo
você só
pensa em si
quer apenas
dinheiro
carro novo
e um otário
como imagem.

Continue
enganando
mas eu
quero minha
parte
lembre-se!
Eu sei tudo
sobre você.

Jaqueira

Me vê
mais um cafezinho
por favor
estou a fim de me
embriagar.

Sente
nesta mesa
vou tomar
café
e seu tempo.

Venha logo
ouvir
minhas histórias
tristes
como sempre
mais uma
história de
amor desiludido.

Ela era
a mais branca
das rosas
de minha
roseira
sua boca
tão carnuda
me falava
coisas lindas.

Seus olhos
verdes
me olhavam
toda hora.

Seus jeitos
e trejeitos
eram mais
que perfeitos
deslumbrantes.

Mas
como toda
jaqueira
não deu frutos
só prá mim
mas sim
para toda
vizinhança.

Um dia
tão cansado
resolvi podar
de vez esta
jaqueira
pois dava frutos
para todos
menos para mim
cortei
e arranquei
toda a raiz.

Mas agora
vejo que
como não consigo
ficar sem jacas
também não
consigo ficar
sem ela.

Por isso
que lhe digo
meu amigo
bom garçom
nunca plante
uma jaqueira
mas sim
uma amoreira.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Plutão

Plutão
planeta escondido
de todos
um lugar
calmo para
se morar.


realmente
o sol não bate
o frio
e o escuro
vem.

Se
eu pudesse
ficar
por uns
tempos lá
passar férias
longas
ficar só.

Plutão
terra
de sonhos
de longas
viagens
a minha
terra
terra da solidão.

Ainda
criticam
Plutão!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Luzes Na Floresta

Luzes
na floresta
todos correm ver
luzes na floresta.

O que é?
Perguntam
o que é?
Repetem

Luzes
na floresta
vêem
algo muito
estranho.


O que é?
Perguntam
novamente
com rostos
de espanto.

Um disco voador?
Um asteróide?
Estrela cadente?
Satélite?

Pensamentos
voam
na cabeça
da população.

Luzes
na floresta
algo
muito estranho
aconteceu.

Bruxas?
Extras-terrestres?
Astronautas?
Anjos?
Monstros?
Marcianos?
Quem sabe
o que vai
sair?

O que é
na verdade
aquela coisa?

De onde
veio?
Do céu
muitos
falam.

De Marte?
Alguns perguntam.

De Plutão!
Gritam
ao fundo.

Mas
ninguém
sabia ao certo
o que era.

Logo
veio
o jornalista
prefeito
e outros políticos
todos
vinham
e viam
sem entender
sem saber
o que era.

Luzes
na floresta
espanto
total
luzes
na floresta.

Não encostem!
Diz um
nada entendido.

É o Diabo!
Diz o padre
é o fim
do mundo!
Chorando
uma beata
Deve ser
Deus!
Arrisca
um pastor.

Mas Diabo
não vem
do céu!
fala o
bispo
Nostradamus
não previu
isso
o fim do mundo
assim!
Fala o bibliotecário
Deus
não deve
vir
deste jeito
fala qualquer
um.

Mas o que é
aquilo?
Uma pergunta
que não cala.

Muitos
passam mal
vem
ambulâncias

Vem
o exercito
com seus
jipes
e tanques
fortes
como ninguém.

Vem a aeronáutica
vem a polícia
isolar
a área.

Logo
a escotilha
daquela coisa
abre
o exercito
pega
rapidamente
coloca
no carro
e leva.

Mas
o que será
que é?

Nunca mais
ninguém
esqueceu
e esquecerá
as luzes
na floresta.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Céu do consumismo

Meu lugar
no céu
já deve estar
reservado
tudo que passei
já está reservado.

No mínimo
tem casa
TV por assinatura
comida e roupa
lavada.

Deve ter
também
hidromassagem
closed
grande
um amplo
guarda roupas
com bons ternos.

Realmente
deve ter de tudo!
Até coisas
que ainda não existem
por aqui.

Concerteza
tem um enorme
jardim
com quadra de
volei
basquete
futebol
e golfe.

Tudo que
passei aqui
não deve
existir lá.

Lá deve
ser mesmo céu
e meu lugar
na certa
tá reservado!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Medo

Suspense
medo
mundo
o mundo
é um medo
o medo
é o mundo.

O medo
nos alimenta
o escuro
nos conforta.

Por acaso
alguém tem
medo do escuro?

Ninguém
tem medo
do escuro
mas sim
dos sonhos
que podem vir.

Monstros
diversos
habitam
a escuridão
mas não podemos
ver
estamos sempre
com olhos
ouvidos
narinas
fechados.

Ninguém
mesmo
tem medo
do escuro?

O Tempo O Dia O Lápis

Um bloco
um lápis
uma cabeça
e tempo
é o que
preciso para
fazer poesia.

Não tenho
rima
métrica
canto
apenas tenho
imaginação.

O tempo
o dia
o lápis
correndo
faço tudo
imaginação.

O tempo
o dia
o lápis
não pára
nunca
só quando acaba
se acabar.

O tempo
o dia
o lápis
minha
imaginação
continuam
até morrer.

domingo, 21 de junho de 2009

Festa II

Festa
na sala
de jantar
todos almoçam
ao som de
Românticos de Cuba.


E no
pequeno
jardim
cavalos
pulam feitos
serelepes.


A orquestra
toca
louco bolero
habanera
tango
temas de filme
todos dançam.


A orquestra
não para de
rodar
a agulha
judia dela
mas é para
a alegria de
muitos.


De repente
a orquestra
pára
é preciso vira-la
para poder continuar.


Ela continua
a festa
não pode parar
jogo
do Brasil
todos param
menos a orquestra
é gol
da Iugoslávia
todos torcem
para ela.


No fim
a luz acaba
todos
no escuro
a orquestra
pára
novamente
indignação
total.


Logo vem um
gira com o dedo
a orquestra volta
desafinada
mas
volta.


A festa
continua
cavalos também
pombos voam
pela sala
desejando
feliz paz.


A luz volta
o dedo sai
a festa
continua
todos
na sala de
jantar
tomando
o chá
das cinco
que começa
as seis.

Orquestra
continua tocando
sem ninguém
para ajudar
a festa continua
e vai continuar
não cheguei até
o fim
para poder
contar.

Inverno

O inverno
chegou
chegou a
doce alegria.

Neve branca
cai
amontoa nos
telhados vermelhos
que logo
ficam brancos.

O frio vem
acendam as
lareiras
liguem
os aquecedores
lá vem
ele
o inverno.

O inverno
vem
com roupa
de gala
uma casaca
branca
e cobre a gente
e a gente
se cobre.

Cobertor
quente
acolhe-nos
melhor amigo
para o frio
para o
inverno.

De repente
o mundo fica
branco
a música
do inverno
toca
nosso coração.

Doce inverno
espero
que fique
para sempre
deixe a primavera
para depois.

sábado, 20 de junho de 2009

Mundo

Carros
caminhões
ônibus
e tudo que
se movimenta
confunde minha
vida.

Minha mente
vai para longe
foge
deste mundo
absurdo.

Que mundo
destruído
é o início
do fim.

Fumaça
em minhas
narinas
barulho
infernal
mundo caos
e ninguém
ajuda.

Ônibus
cheio
lotado
e eu
sozinho
mundo
confuso.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Tédio

Agradeço
ao tédio por
eu escrever
coisas lindas
sem nenhuma
noção.

Tédio esse
companheiro
que me faz
pensar
pensar e
muito.

Ou eu
escrevo
ou eu
durmo.

Escolho
escrever
fazer arte
antes do que
ser
um completo
idiota
na face da
Terra.

Interessante
lua e sol
brilham juntos
com meu tédio.

Realmente
o tédio me
inspira
entediadamente.

Gosto
do tédio
e dele
não vou
me largar.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Sou eu Mesmo

Ninguém
me entende
nem querem
me entender.

Dizem
que sou errado
torto
e sem noção
curioso isso
não?

Sou diferente
dos outros
quero ser
assim
pouco me lixo.

Sou resmungão
defendo o que
é de meu interesse
não ligo
para os outros
pois não ligam
para mim
e ainda acham
que estão fazendo
o bem.

Ninguém quer
me entender
nem faço
questão.

Querem mudar
querem me mudar
acham
que não vivo

pois eu vivo
e provo
é só me deixar.

Assim
que eu quero
sozinho
sem ninguém
me perturbando
sem ninguém
me controlando.

Sou eu
mesmo.

Criei

Cresci
apareci
e criei.

Criei minha
vida
quase sozinho
não dependo
de nada
de ninguém.

Mesmo assim
rabo preso
tenho
sem querer.

Sou livre
mas sou preso
mundo
confuso
sem noção.

Ninguém manda
em mim
ao mesmo tempo
manda.

Mundo confuso
sem ninguém
e com todo
mundo.

Um Olhar

Um olho
dois olhos
uma única
magia.

Um olho segue
o outro olha
me perseguem
me acomodam
e me incomodam.

Olhos
que me
vigiam
sem parar
pela rua
olhos
mágicos
olhos únicos
um olhar.
Paisagem
com árvores
pinheiros-do-paraná
deslumbrantes
chegam até
o céu.

Coqueiros
carregados
fonte de água
para mim.

Pombos voam
araras gritam
a cachoeira clama
um espetáculo
da natureza.

Macacos
malandros
roubam nossas
bananas
e se acham
os reis da floresta.

Uma única
paisagem
bela
paisagem.

Noite Feliz

Noite feliz
sem sonhar com
ninguém
com nada.

Noite
sozinho
sem ninguém
noite feliz.

Uma única
noite
um único
sono
minha noite
feliz.

Noite
feliz
minha única
noite.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Olho no Olho

Olho no olho
acidente
entre nós
amor
proibido.

O que
fazer?

Faça você
o que quiser
não moverei
um dedo
não fugirei
não correrei.

Faça o que
quiser
apenas
me perdoe
e não me
negue.

Estresse

Estresse
hoje em dia
fumaça
de carro
moto
caminhão
fábrica
mundo poluído
doente.

O mundo
não vai acabar
já acabou.

Estresse
meio-dia
no trabalho
força
no serviço
e apenas
um pão com ovo
no estômago.

Ruas
feitas como
garrafas
mas não de
Coca-Cola
mas sim
de estresse
bem que dizem
engarrafamento.

Morto
mas andando
milagre
do mundo
do progresso
somos zumbis
urbanos

Somos
andróides
programados
para dizer
sim senhor
não senhor
programados
para trabalhar
com pouca
recompensa.

Vida estressada
mesmo com
toda essa
mordomia.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Destino Lua

Vou mudar
vou para Lua
vou sair daqui.

Quero morar

fazer meu reino
governar
meu próprio
mundo.

Estou
de malas
prontas
estou indo
pego o primeiro
foguete
para lá
caso não exista
vou numa nave
tracionada
a pombos.

Vou voar daqui
aqui não é meu
lugar
quero ir para
Lua
cansei da Terra.

Vou pegar
a primeira
nave para lá
Neil Amstrong
que me espere
vou para Lua
meu destino é lá.

Quero ver
mesmo
se a Lua é de
queijo
como falam
ou é de mel
ou de prata.

Me desejem
boa viagem
vou precisar
estou partindo
indo prá Lua.

Tejo

Cada um
tem um tejo
uns limpos
outros lamacentos
com garrafas
plásticas
uma imundice.

Meu tejo
não é muito
limpo
é lamacento
com areia e pedras
perigoso
e rápido
nada calmo.

Poucos se arriscam
em meu tejo
e ninguém fica
muito tempo
na canoa
muitos até
morreram.

Será que
alguém seria
capaz de se
arriscar
e chegar até
a foz?

Canoa

Canoa
vai pelo
tejo
minha canoa.

Vai carregada
minha canoa
de ilusões
dores
e falsos amores.

Canoa
vai por águas
perigosas
águas
que correm.

Vai!
Canoa
não desvie
seu curso
a cachoeira está
longe.

Quando chegar
veja
se caia
se quebra
se parta
para eu
comprar
uma canoa
nova.

Não Vai Virar

O mundo não cai
está no vácuo
e não cai
tenho certeza
disso.

Meu mundo
não caiu
apenas virou
virou do lado
contrário
e não quer
desvirar.

O mundo
está segura
ele não cai
já foi provado
que ele não
cai.

Fique tranquilo
qu'ele não cai
não vai cair
só vai virar
do lado avulso
e avesso.

Sem

Sem céu
sem terra
sem mar
estou assim
meio sem
explicação.

Sem cor
sem graça
sem amor
assim mesmo
que eu sou.

Sem ninguém
para consolar
apenas com dor
e que dor.

Sem guarda-chuva
para me proteger
do temporal de
pedras
eu sigo sem ninguém.

O mundo gira

O mundo dá
voltas
e eu estou
enjoado com essas
voltas.

O mundo
gira
acho que vou
vomitar.

O mundo gira fora
e dentro
de mim
como se fosse
um carrossel
e eu não gosto
deste carrossel.

Se o mundo
parasse
ou girasse
ao contrário
seria melhor
muito melhor.

domingo, 14 de junho de 2009

Palavra

Palavra
algo que
muitas vezes
não sai
é estranha.

Hoje ela não quer
me sair
quer ficar
escondida
dentro de mim.

Quanta coisa
tinah para falar
e realmente
não sai.

Somos feitos de
palavras
e o que elas
dizem acariciam
ou ofendem
por isso
me calo
antes que sobre
para mim.

Prefiro-me
como um tomate
seco
a ter que falar hoje
o que quero falar
não vou falar
e não adianta
insistir.

Não adianta
insistir!

Festa

Faça o que
quiser
mas não me
convidem
para essa festa
de trouxas
todos idiotas.

Vá na rua
compre uma bela
roupa
fique quase pelada
mas não me
convidem
por favor.

Não precisam
seguir minhas
dicas
vão!
E se ferrem
sozinhos
não vou ver
não vou estar lá.

Depois me digam
como foi.

Poesia do Absurdo

Barulho
carro
ônibus
avião
televisão
internet
um verdadeiro
inferno
em minha vida.

Tudo incomoda
estou virando
um chato
de galocha.

Prá que
tanto barulho
meu Deus?
Este é
realmente o mundo
que o Senhor
planejou?

Que absurdo
gente pelada
no meio da rua
sangue escorre
na estrada
desce pela boca
do lobo.

Morte
vejo todo dia
toda hora
todo minuto
vida é o que
menos vejo.

Olhem!
A gasolina
vai subir de novo
o álcool também
e o diesel idem.

Pasmem!
Eu quero ir
para o paraíso
meu lugar já deve
estar reservado
cheio de flores.

Dizem
que o mundo
está acabando
aquecimento global
falta d'água
guerras
pois para mim
acabou
faz tempo
e ninguém percebeu.

O inferno
não é lá em baixo
mas sim
na superfície.

Um Burrinho Insatisfeito

Sou
um burrinho
insatisfeito
igual da estória.

Já fui leão
já fui rei
já fui caçado
e pro circo
me levaram.

Virei peixe
de listas vermelhas
mas nem
n'água tenho
paz
maldito pescador.

Já fui
até mesmo
um gordo pingüim
vestido
de casaca
branca e preta
era um senhor
aristocrata
mas a casaca
de tão pequena
gelava meus
pés.

Até galinha
já virei
os maiores ovos
da fazenda
eram meus
realmente
ovos jumbos
mas me pegaram
pelo pescoço
a panela
estava pronta
quis voltar
a ser o que era
um burrinho
mas satisfeito.

Poesia em Branco

Poesia em branco
sem nda para
escrever.

Sem idéias
sem luzinha
sem nenhuma vela
para me iluminar.

Que tédio
que saco
que inferno
que é hoje
sem nenhuma idéia
em mente
realmente.

Me enjoei
cansei
não mconsigo
e nem posso
fazer poesia.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

As Pombas

A pomba gira
a pomba rola
a pomba é rôla
a pomba bola
se enrola
e fica toda enrolada
a pomba rôla
se embola
e fica toda embolada
a pomba vira
e gira novamente
a pomba-gira
gira
a pomba rôla
rola
a pomba bola
embola
a pomba tola
observa
copia
e se atrapalha
nessa bola
as pombas brigam
mas que rolo que eu fiz
a pomba copia
e cola
não sabe que não pode copiar
a pomba cola
tomando Coca-Cola
arrota e se enrola
a pomba louca
pomba negra da família
não faz nada
apenas se enlouquece
a pomba alegre
a pomba chora
a pomba argola
a pomba mole
amola uma mola
pula
a pomba grita
gritos ensurdecedores
que ninguém ouve
além das pombas
a pomba groa
a pomba gruda
no para-pombo
no para-peito
no para-lama
no para-choque
do caminhão
a pomba Pola
gira na polia
de toda pomba
a pomba correio
se alegra
com a correia
a pomba chata
vem amolar
o meu amor.

A pomba gira
a pomba rola
a pomba é rôla
e começa tudo
outra vez.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Você Sumiu

Você sumiu
roubou meu
coração
foi embora
e vai voltar
sei que vai.

Vai pedir
perdão
vou pedir
sumiço
vou pedir
para você
morrer.

Você
sumiu
sem nenhuma
explicação
mas vai voltar
sei que vai
sei que vai

Poesia

Alma vazia
corpo doendo
peito aberto.

Alegria
sumiu
foi para
onde não sei.

Tristeza tomou
conta de
meu coração
bagunçou
minha vida
me acabou
por completo.

Poesia
sem nome
sem graça
sem realce
simples
poesia.

Poesia
triste
para mostrar
tristeza
apenas
poesia

poesia
sem nome.

Me Disseram

Me disseram
que o mundo
era azul
e eu não
acreditei.

Disseram
que existia amor
nesta droga
de mundo
comecei a rir
sozinho.

Eu duvido
mas muito
que exista amor
de verdade
no mundo
já pude
comprovar.

Me disseram
que o mundo
era perfeito
mas que bela mentira.

Me disseram já
absurdos
que a Terra era
redonda
ova
triangular
na verdade
sempre foi
quadrada
e atrasada.

Me disseram que
o mundo ia acabar
amanhã
mas
até hoje
não acabou.

Mar de Solidão

Mar de solidão
em minha vida
procuro e não
acho
mas o quê?

Ouço
gritos ardentes
de alguém
me chamando
mas quem?

Cadê
ela?
Onde está?
Não sei.

Tenho quase
tudo que quero
menos você.

Onde está?

Revolução

É hora
hora da revolução
vamos ensinar
a este povo
o que é
realmente bom.

Quero revolução
não aguento mais
as mesmas estórias
as mesmas músicas
o mesmo jeito tosco
desta louca sociedade.

Me desculpe
mas está na
hora
hora de revolução.

Quero apenas
ensinar o que é
bom.

Vamos!
Vamos fazer
nossa revolução
a nossa revolução.

Quero gritar
de verdade
quero
e vou com
as próprias mão
se preciso
fazer revoçução.

Chega
dos mesmo idiotas
de sempre
eles não sabem
nada.

Eles
não sabem
nada.

Nublado

Dia nublado
chuvoso
cinzento
perfeito
ninguém na rua.

O poste
ilumina
a média luz
pingos caem
do céu
são minhas
lágrimas
em pranto.

Raios ecoam
pela imensidão
idéias voam longe
a lua desaparece
a noite está perfeita.

O frio consome
meu corpo
é o frio
que me esquenta

Clima
muito favorável
para dormir
descansar.

Adoro
dias chuvosos
nublados
frios
e cinzentos
não há
coisa melhor
fazem parte
de minha vida.

Genética

Cezão
cezinho
cezinho
cezão
génetica
não faz parte
de minha vida.

Cruzam
porcos
galinhas
avestruzes
para nascerem
papagaios
falantes e
não falantes
dominantes
entre si
recessivos
entre todos.

Gêmeos
realmente
nunca são
iguais
só agora
perceberam.

Mais um cruzamento
vacas
periquitos da Colômbia
e besouros
rola-bosta
só Deus
sabe o que
nascerá.

Realmente
genética
não faz parte
de minha vida.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Declaração

Te amo
porque te amo
não há
explicação lógica.

Não fiquemos
só no olhar.

Quero sentir
teu corpo febril
queimando
sobre o meu.

Quero sentir
tua boca molhada
tua lingua sensata
teu gosto
de morango.

Se for
para brincar
de amor
brinquemos certo
para dar certo.

Quero
muito além de
seu corpo
grudado sobre
o meu
nada além de
sua alma
enfeitiçadora

Não quero
nada de simples
trocas de olhares
amor platônico e
provocações de
longe
quero amar
de verdade.

Te amo porque
te quero
porque
te gosto
nada além disso.

Tic-Tac

Cada hora
cada minuto
cada segundo
pingando no
poço sofrível
do pulso
doendo.

Um
tic-tac
que me
deixa
nervoso.
A cada tic
a cada tac
meu pensamento
voa longe
meu peito
dói mais ainda.

Tic-tac
no meu peito
se eu pudesse
parar
mas se parar
sofro mais
se eu pudesse
adiantar
mas prá qual
hora adiantar?

Tic-Tac
minhas lágrimas
pingam
no ritmo
deste tic-tac.
Outros sons
vem
além do tic-tac
é cloc-cloc
que não saido ouvido
e nunca pára
o tic-tac.

Tic-tac
é o ritmo
do meu
relógio
é o ritmo
do meu
coração.

Tic-tac
tic-tac
tic-tac
uma hora
a pilha
acaba.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Dia Perfeito

Lugar escuro
quieto
sem ninguém
era tudo o que
eu queria.

Seria pedir muito
algo assim?

Queria pensar
gritar
chorar
desesperadamente.

Queria me esconder
do medo
que fica
dentro de mim.

Como o mundo
seria perfeito se
o mundo fosse
mais escuro.

Apaguem o sol
venerem a lua
quero escuridão
quero dormir para
sempre
apenas isso
que quero.

Pelo menos
um dia inteiro
para me recompor
de metade
da minha vida
cansada.

Um dia
para descansar
minhas vistas
um dia para
chorar quietinho
sem ninguém
perguntar nada
sem ter que dar
explicações a tudo.

Como seria
feliz neste dia
como!

Espero este
dia
espero este
sonho
para poder
descansar
ainda mais
minha alma
perturbada.

Garota Perfeita

Garota perfeita
me olha
me ignora
me conquista
e vai embora.

A garota
perfeita
será que
é de verdade?

Amor platônico?
Não sei!

Não sei
seu nome
sua vida
pouco sei dela
mesmo assim
ela teima
de propósito
me enfeitiçar.

Uma bruxa?
Feiticeira?
Encantadora?
Vampira?
Não sei!
Estou pronto
para tudo.

Olhar magnético
perseguição
inacabável
ela simplesmente
não pára.

Será que
sabe que
não posso amar?

Porquê
não pára de
me olhar?
Passo mau
me enfraquece
seu olhar.

Minha cabeça
gira
como roda-gigante
tonto fico
e só tenho olhos
prá ela.

Não quero mais
amar
mas é impossível
me controlar
sorte que sou tímido.

Garota perfeita
será que um dia
será teu
meu coração?

Disseram que eu ia morrer amanhã

Disseram
que eu ia
morrer amanhã.

Vendi terno
vendi relógio
só não vendi
minha alma.

Disseram
que ia morrer
amanhã.

Fiz o que
não devia
tanta coisa
errada
que tive
que fugir
da polícia.

Disseram
que ia morrer
amanhã
fiz de tudo
errado.

Quis
e estraguei
minha vida.

Viajei
pisei na lama
porque ia
morrer amanhã.

Mas engano
por praga
não morri
minha vida
estraguei a toa.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Um Típico Jovem Idoso

Sou assim
não vou mudar
porque querem.

Não adianta
não vou mudar
tristeza se alojou
e não vai mais sair.

Não vou parar
de chorar
espernear
gritar em silêncio.

Sou desesperado
sou enganado
vontade tenho
de morrer.

Não mudo
não há o que
fazer
não vou mudar.

Não adianta querer
que eu vá
a festa
não vou
não vou já disse.

Não quero
mudar
quero meu canto
estou
e sou chato.

Me dêem a bengala
me dêem o chapéu
me dêem o jornal
me dêem paz
muita paz
não enchem
minha paciência
com lorotas.

Não vou mudar
me empresta
um mirréis
me dêem um vintém
que não tenho
nada.

Não vou à
esse baile idiota
chamam isto
de música?

No meu tempo
e no de Vargas
as coisas não eram
assim!
A gente conduzia
o país
com pulso!

Andem!
Me mandem pro
asilo!
Lá fico melhor.

Cadê minha
cadeira
ainda não trouxe
meu chá?

Vamos!
Vocês estão
lerdos demais!

Cadê meu
cachimbo?
Onde está o
jornal?

Imprestáveis!
Não sabem nada!
Só sabem comer
dormir
e ficar na tal
Internet.

Quando vai
sair este jantar?

Vou prá gafieira
me empresta
uns contos de réis?

Com quem vou sair?
Não interessa!
Não é da tua conta!

Olha o respeito!
Cuidado!
Vou lavar tua boca
com sabão!

Deixem que
eu faço sozinho
vou morrer mesmo!

Ingratos!
Simplesmente ingratos!
Dizem que estou
chato!

Não sou chato!
Só um pouco!

Coloquem
com cuidado
o disco
na vitrola
lembram da última vez?
Um bom disco
de Noel
se perdeu!

Vão!
Sumam da minha frente!
Quero ficar
sozinho!
Sozinho!

Tenho Inveja

Tenho inveja
dos felizardos
no amor
que beijam
beijam
e beijam
beijos molhados.

Mas se eu
fosse assim
que alegria me daria.

Mas não!
Sou triste e
rabugento
ninguém me
quer
ninguém me
gosta.

Que inveja tenho
dos enormes sorrisos
que chegam
as pontas
dos cílios
dos olhos.

Mas porquê
sou assim?
Porquê?

Felicidade Infeliz

Felicidade
infeliz
só anda perto
dos mais
normais
que na verdade
são anormais
animais.

Felicidade
deve ser
tão trouxa
que só anda
com pessoas
de má indole.

Felicidade
eu nem gosto
de você
nunca anda
comigo
anda junto
dos otários.

Felicidade
cuidado
quem avisa
amigo é!

Felicidade
vai cair
do cavalo
tristeza
chegará
e tomará
seu lugar.

Mas não fique
triste
ainda tem
eu prá acompanhar.

Felicidade

O Circo da Quadra

Cavalos jogam
polo aquático
peixes nadam
num mar de
correnteza
atenciosamente
o público grita
o espetáculo começa.

Palhaçadas
na quadra
de esportes
uma
duas
três
quatro bolas
se encontram.

Na janela
penetras
sem pagar
coisa alguma.

O mágico
começa
a ilusão
tão perfeita
que engana
a todos.

Leões entram
como gatos
miando
o domador
com um novelo
atiça as falsas
feras.

Palhaços jogam
rosas cinzas
caem e o povo
cai na gargalhada
risos se ouvem
por toda extensão.

Malabaristas
se equilibram
no monociclo
em um fino
fio de costura
muito forte.

Pulgas ensinadas
se divertem no
mini-circo
montado na quadra

O vento bate
a lona voa
e tudo volta ao normal
sem circo.

domingo, 7 de junho de 2009

O Livro

O livro de minha vida é sujo
cheio de orelhasde burro
manchas amareladas pelo tempo
de lavores de falso ouro.

Minha vida é uma desgraça
que de tão triste eu disfarço
e sinto uma forte dor.

Me perguntam se estou bem
digo sim
mas a verdade é não.

Nobres amigos
que lêem
este poema enojado
não liguem se der um
de louco
ou de depressivo
só estou surtando meu coração.

Se um dia alguém for ler
meu livro
só peço que não chore
para não manchar mais ainda
as páginas com lágrimas.

Resposta a Carlos Drummond de Andrade

"E agora, José?"
E agora vou indo
vou seguindo pelo escuro
pelo absurdo
mesmo sem festa e sem mulher.

"E agora, José?"
Sei que agora não vou chorar
o tempo é escuro
mas não há obstáculos.

"E agora, José?"
E agora você, Carlos
deveria me seguir
parar de fazer rima
feito um besta sentimental.

"E agora, José?"
E agora vou prá longe disfarçando a minha dor
pois sei que há uma luz no fim escuro.

"E agora, José?"
"Já não pode beber,já não pode fumar"
Não bebo
não fumo.

"E agora, José"
Eu que pergunto
E agora, Carlos?
Estou sem mulher
e você sem vida.

Quem é você?

O vento sopra minha cara
um cheiro estranho
vem em meu nariz
quem é você?

Seu olhar fita o meu
me encara com uma cara de...
mas com que cara mesmo?

Você me enlouquece
confunde minha cabeça
deixa-me nervoso
estressado
com raiva da vida
quem é você?

Você não para de me olhar
depois simplesmente me ignora
como se eu fosse uma coisa.

Você me excita
loucamente
tento me controlar
é quase impossivel
quem é você?

Meu encéfalo está confuso
mesmo assim agradeço por me fazer sentir
essa coisa que
eu mesmo não sei explicar.

Mas...
quem é você mesmo?

O Disco

Um velho tango
na vitrola
faz lembrar minha dor
meu ódio repentino
minha tristeza bipolar.

A faixa muda
minha tristeza aumenta
minha raiva aumenta
que vontade
mas vontade do quê?

Se pelo menos alguém me ouvisse
e guardasse
o que digo
mas não!Ninguém sabe
guardar segredos.O braço levanta
mudo de lado
e agradeço você
que me deu raiva
mas me deu inspiraçãopara este poema.

O lado B não é tão ruim assim
lembro que você
também vai ficar
na pior
e vou rir risos de alegria.

O disco acaba
sigo minha vida
disfarçando a dor
e a alegria
sendo
o que os outros chamam
de normal.

Eu conheci um José

Eu conheci um
José
escondido
no bigode preto
nos óculos
de fina armação
e no enorme nariz.

Ora!
Que José engraçado
estranho talvez
mas muito
muito triste.

Me falou das dores
das flores
das emoções
dos falsos amores
e das lágrimas
deitadas no travesseiro.

Pobre José
sofredor
realmente
pobre José!Não há
talvez
uma única Maria
que faça
ele esquecer.

Mesmo assim
este José
sorria
ele me deu orgulho
e ao mesmo tempo
pranto.Eu conheci um
José
sim!Um José
com livros não mão
lia muito
mas muito mesmo
para esquecer a dor
o sofrimento.

Me falou
de seu último
amor
sim!
Ele sofreu como eu
e que ficava escondido
no preto bigode
e no óculos
de armação fina.

Pobre José
chora
ri ao mesmo
tempo.

Mais um
enganado pelo
amor
e que talvez
não cairá mais.

Mas eu conheci umJosé...
Ora!
Este José era eu!

Quedas

Quedas
é o que vivemos
vivemos
caindo
caindo.

Porque eu caio
tu cais
e ele também cai
e todos nós caimos
e todos vós caistes
e eles também caem.

Queria ficar em pé
mas sem equilibrio
impossivel.

Me segurem
agora estou caindo
cai.

Simplesmente cai
não se preocupem
estou acostumado.

Quatro da manhã

Quatro da manhã
acordado
não durmo
penso longe
em alguém
perfeito.

Quatro e dez
penso e não
esqueço
quero dormir
mas a insônia
é mais forte.

Quatro e meia
olhos ramelentos
choro
penso em alguém perfeito
mas penso só
pois não existe.

Quatro e quarenta
e cinco
quero dormir
me rebato
no colchão
quero dormir
mas ao mesmo tempo
não quero dormir.

Cinco da manhã
na cozinha tomo
água
volto prá cama
e não durmo.

Cinco e meia
quero dormir
e não posso
não aguento
mais
quero dormir
abraço a coberta
aperto o lençol
quero dormir
não consigo.

Cinco e cinquenta
enfim durmo
fecho os olhos
ronco
como uma porca
do governo
durmo.

Seis horas
o despertador
desperta
já para a escola
me troco
tomo o café
e vou viver
como se nada
tivesse acontecido.

Começo de namoro

De início
é oi
depois pega-se as mãos
um abraço
um beijo
e um tchau.

Segundo dia é
um olá
bem gostoso
algo bem melhor
e menos tímido
mas vem um tchau.

O namoro esquenta
fica mais
apertado
ousado
lambido

Beijos prá lá
e prá cá
lambeção de rosto
é quente

No final
tudo termina
no quarto
entre quatro
ou cinco paredes
e horas da manhã

Obrigado

Obrigado
por derrubar
meus sonhos
meu mundo
minha vida

Ingratidão
vejo em tua face
ria enquanto é
tempo
para depois não chorar
pois quem ri por último
ri melhor

Vai!
Ria
tua própria desgraça
que te assola
que depois eu
irei rir
e agradecerei a ti
por me dar um
momento de alegria

Quem é ela?

Quem é ela
que tanto faz para
aparecer?

Porque
me provoca
tanto assim

Quem será ela?
Quem?

Não sei
realmente
não sei

Se ela
parasse
de me
provocar
atiçar
enfeitiçar
minha vida
mas não!

Ela provoca
demais
me olha
e acha normal

Porque não some
de minha vida?
Porque?
Porque?

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Solidão

Solidão
nobre amiga
dos sem amor
venha!
me acompanhe
nesta mesa
de bar.

Não tenha medo solidão
estou machucado
por dentro
e não posso mais
me defender.

Vamos!
empreste seu lenço
branco de tercal
para eu chorar
chorar a dor
a raiva
a tristeza
a melancolia.

Não!
Não se vá
minha única
companheira
sei que tens
muito trabalho
mas não se vá.

Não vá!
Te recompenso bem
pago
teu salário
te dou quantos
copos quiser
mas por favor
não se vá.

Empreste teu ombro
solidão
para eu chorar.

Faça-me carinho
dei-me cafunés
beija-me no rosto
diga-me"Te amo!"

Deixa eu dormir
em seu colo
depois pode ir
para fazer companhia
a outro otário
enganado
pelo coração.