quarta-feira, 27 de julho de 2011

Para um nobre defunto

Morrestes sim
e bem sabes disso
nobre amigo.

Morrestes
e nem me dissestes adeus
amigo ingrato
tão amigo que eras!

Morrestes sim
e deixastes a mim
seu velho terno
azul xadrez
belo sim
velho sim
muito velho.

Deixastes a suas mulher e filhos
dívidas
que nem o terno mais caro
poderá pagar
nem mesmo seu velho amigo
poderá quitar.

Enfim morrestes
descanses em paz
pois tua vida já foi paga
meu nobre dos amigos
vagabundos.

domingo, 24 de julho de 2011

Xícara de café

Uma mesa
toalha quadriculada
vermelha branca
um café bem quente
uma falsa bohemia
sou eu talvez.

Um balcão
um dono de bar
um desaforado
este sou eu
eu mesmo
sem mais palavras.

Um pedido
uma conta
dinheiro vivo
pago a conta
saio fora
pra fora
saio para o mundo.

Como queria
que o mundo
fosse uma xícara de café.

Sou poesia

Poesia
está triste coisa
sem definição alguma
sem sequer amigo
esta sou eu
poesia.

Triste
chorante
amarga
velha
poesia
o quão te quero
assim tão melosa
poesia.

Ora bolas poesias
tristes
frias
acalantes
tantas poesias
assim como eu.

Sou assim
uma poesia
apenas poesia
essa coisa triste
melosa
sou assim
apenas poesia
sou assim
apenas
algo indefinido
sou poesia.

domingo, 17 de julho de 2011

Agora é hora

Agora é hora
talvez de viver
talvez de morrer
só sei que é hora.

Mas...
hora de quê?
O que espero mesmo?
Só sei que hora é.

Agora é tempo
não sei de que
só sei que é
hora.

Hora de adeus
de amor
de vida
de morte
agora é hora
sabe Deus de quê
sebe eu do quê.

Apenas sei
que agora é hora
como todas as outras horas
agora também é hora.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Mundo versus eu mesmo

Vencido estou
por este mundo
lutador de boxe
e quem me dera vencer
matar este mundo imundo
de jogo sujo
obscuro...
quem me dera.

Resisto até o fim
mas no fim
o golpe cruel me acerta
e me leva
para a dita mansão dos mortos
como um prêmio infortúnio
pelo segundo lugar.

Insisto até o fim
golpeio com preces
rezas
peço ajuda
mas o mundo me golpeia
fortemente
e me nocauteia
várias vezes.

Enfim sou nocauteado
pela últimas vez
o juíz
este ingrato
conta até dez
e não me vê levantar
e me vê enfim caído
perdedor.

Comemoro minha última luta
e vejo o quão burro sou
se tivesse desistido desta luta...

Nascimento vandalizado

Inadmissível é
tamanho erro que fiz
de ter nascido logo agora.

Ora
mas a pressa me consumia
devia eu logo vir ao mundo
que mundo
deveria escolher outro!

Mas quem sou eu
para vandalizar
meu próprio nascimento?

Mundo mundo
quem me dera escolher
entre os vastos mundos
um mundo melhor...

Mas não!
Não tive tal direito
e este é o preço que se pega
para um simples nascimento.

O mundo medo

O mundo é medo
pois medo tenho eu do mundo
que pressunção minha
ter do mundo medo.

O mundo é medo
medo tenho eu
destas coisas do mundo
desta coisas sem rumo
de que chamamos mundo
mas que mundo?

Medo tenho eu do
mundo
solitário assim
pela sua natureza viva
que vivaz é este mundo!

Muito medo mundo
mas quem sou eu
para ter medo deste
mundo?

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Chama-me

Chama-me de vida
e te digo que sou morte
pois assim sou
assim serei.

Chama-me de alma
e digo que nada sou
nada tenho
sou apenas vento
e que vento sou!

Chama-me de certo
e te provo que errado sou
provo-te que errada és
que errados somos
estamos.

Enfim...
chama-me para você
que fujo para a escuridão
para a minha toca quente
fujo da sua vida.

Rato

Um rato no buraco
comedor de queijo e de vinho
seria eu este rato?

Ladrão de geladeira
de comida
de bebida
roedor maldito
ignorado pelo seu tamanho
um rato
sou eu este rato.

Não queria ser rato
mas assim sou
mas assim somos
ratos desta sociedade
ratos da vida
sempre a fazer arte
e ratanizes
sou rato.

Como queijo
bebo vinho
faço arte
sou rato
desta sociedade
mas não queria ser.

Sou ato.

Algemas de ouro e de prata

Grades e cadeados
eu preso neste lugar
algemas de ouro nos pés
como correr?Não
Como fugir?

Preso estou
neste lugar comum
com algemas de prata nas mãos
como me mover assim?

Deus sabe meu dilema
mas como me ajudar
se eu sou pecador?

Não tenho ajuda
não tenho nada
o que me resta é esperar
esperar
esperar...

Quem me dera a fuga
deste lugar imundo
quem me dera a liberdade
a vida
a minha vida pecadora.

Ele não vem
pois sou pecador
condenado a viver preso
por algemas
de ouro e de prata
sem liberdade.

O pecado original

Pai
não sou nada
nada sou realmente
não tenho futuro
mas não me leve agora
quero viver
cometer meus pecados
tantos pecados.

Se já sou
o pecado original
devo viver
viver este pecado
tão errado.

Deixa eu viver Pai
quero viver
cometer meus erros
cagar no mundo.

Quero colocar
os pingos nos is
os is nas palavras
as palavras na boca do povo.

Deixa eu viver Pai
preciso errar
esta é minha função
errar.

Devo errar sim
pois esta é minha missão
nesta terra tão errada
pois todos erram
e devo assim errar.

Sou o pecado original
e assim devo ser
assim devo viver
viver este pecado
que é viver

Quem te conhece...

Você
ignorada
ignorante
selvagem pela natureza
bela afinal.

Você
tão pequena
tão feroz
tão assim
sem nada ter.

Você
um mundo errado
por inteiro
quem te vê
não te conhece.

Você
moça bela
selvagem
]o que daria para te conquistar
nada daria
pois quem te conhece
não te confia.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Sonho sem fim

Tento chegar ao fim
deste sonho maluco
mas não chego
não morro
vivo
não paro de sonhar.

Vida sonho
sonho real
tão representado
representação não é real.

Vivo neste sonho
a vida é um sonho
por isso vivo sonhando.

Procuro o fim do sonho
mas não consigo
assustado acordo no sonho
e não durmo esta vida
não sonho o fim.

Algo maluco não?
Sonhando acordado
vivendo sonhando
neste sonho sem fim.