quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Fogo de vela

Me assombro ao ver a vela
tão acesa como amor
tão ardente como dor.

Faço um pedido
para a luz da vela
e creio assim ser atendido
ser assim ouvido.

Me assusta a ideia
de perder a vela
de perder a força
de perder a vida.

Sou uma vela sem fogo
sou alguém sem amor
sou o tudo sem o nada.

Percebe?
O amor é um fogo
que logo se apaga
e fica apenas a vela.


Esqueça e venha

Esqueça a alma e venha
para mim
para você
para nós.

Esqueça tudo
esqueça cruz
esqueça roupa
pecado
o céu e o inferno
e apenas venha.

Nada importa
além de nós
ninguém interessa
além de nós mesmos
pois somo dois apenas
em um mundo sem nada
sem ninguém.

Esqueça a vida e venha
para nós
venha assim
sem nada
pois nada também tenho
e vamos viver esse amor
mais forte que tudo
que todos
que o próprio inexistente.

Esqueça a morte e venha
a morte assim é passagem
e irei assim morrer também
e morrerei
até que a morte vire vida
ou vire nada
ou vire tudo
todos.

Esqueça o corpo e venha
mas venha assim correndo
que apenas quero assim amar
esse amor tão louco
que nos faz esquecer
apenas esqueça e venha
para o algo
melhor que a felicidade.

Esqueça e venha
assim tão pura
que me faz assim esquecer.

Pôs fogo

Pôs fogo na casa
e fugiu
rumo ao mundo
sem destino.

Pôs fogo no mundo
com seu ódio
seu sofrimento
desamor
desatento
pôs fogo
fogarel.

Fogareiro
pôs fogo na lenha
para se esquentar
para dormir
para depois correr
fugir.

Pôs fogo no rabo
quando o sol pôs fogo no céu
pôs os pés a trabalhar
pôs a vida na mochila
nas costas
pôs vida ao passo.

Pôs fogo em mim
pôs fogo em você
pôs fogo nele
Pôs fogo em tudo
pôs fogo pois queria
fugir de mim
de você
do amor.

Pôs fogo
na vida.

sábado, 10 de setembro de 2011

O Caixão

Lá vem o caixão
preto de morte
de cortejo fúnebre
belo esse caixão.

Lá vem ele
com seis ao lado
pelas alças segurando
que audácia!

Lá vem
com choros de adeus
de até logo
de até mais
de nunca mais
mas nunca mais o que?

Lá vai
o caixão preto
com um defunto dentro
com choros fora
com morte dentro e fora.

está o belo caixão
entre mil caixões
ele se enterra ao lado
na frente mais caixões
que ninguém lhes choram
e logo este também
será apenas um caixão
entre os mil caixões.

O caixão
este nobre da morte
companheiro do morto
que vive eterno
até o eterno acabar.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Flores negras


Flores negras nas janelas
vida e morte certa
certeza que é mesmo incerta.

Canto e deliro
flores negras arranco do jardim
ramalhetes ao meu amor
eterno amor
mas que amor?

Flores negras
canto e assobio
me arrepio
com tudo isso.

Arranjo negro
para o meu amor
que está aqui
debaixo de mim
pobre amor meu
meu amor.

Dilúvio
flores negras molhadas
perfumadas
lotus sensus
sinto assim
esse doce perfume.

Me perfumo
de flores negras
para encontrar
meu amor
meu eterno amor.

Não vejo-a
mas escuto-a
e sinto seus braços
seus apertos em meu corpo
seu perfume de brancas flores.

Flores negras
assim jamais serão
brancas flores de meu amor
meu eterno amor.

Flores negras
se desmancham
e com a chuva vão
flores negras
negras flores
aonde vão?

Alguém Ninguém


Eu era alguém
que era ninguém
mas eu era alguém.
Não posso ser ninguém
sendo eu alguém
mas eu sou
eu sou?
Eu sou ninguém
que em alguém virou
sou alguém
sou ninguém
eu sou.
Ninguém é alguém
alguém é nnguém
alguém
ninguém
aquém.
Sou ninguém
que é alguém
e isso é alguma coisa
o importante é que eu sou
alguém
ninguém?