terça-feira, 14 de setembro de 2010

A Arte de Seu Corpo

E na arte de seu próprio corpo
vejo o meu próprio rosto
pintado em cores carnavalescas.

Vejo a arte nua pintada em você
vejo a arte única e maravilhosa
colorida e multiplicada
vejo a vivas cores
uma vida inteira pintada
sem nenhum pudor.

Vejo a arte pintada
por toda a extensão de seu corpo
por toda a extensão de meus olhos
estes sem nenhum pudor.

Vejo e as vezes não creio
no que eu mesmo vejo
e que talvez não queira ver
vejo talvez o que não devia.

Vejo talvez o que não podia ver
mas eu vejo sem nenhum pudor
vejo e desejo sem nenhum poder
de te querer tanto assim.

Vejo querendo e não podendo
vejo meu desespero
pintado em seu próprio corpo
como o troféu
de minha própria derrota.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sangue Escorrido

Vejo meu sangue escorrendo
indo para a valeta
seguindo o rumo da chuva.

Vejo que ferido estou
sem mesmo ter me machucado
e que escorro o sangue
da triste derrota de um ser.

Vou morrendo aos poucos
rastejando para um lugar seguro
onde eu possa morrer em paz.

Vejo cada pingo sair de mim
cada jorro
cada lágrima
de sangue vermelho
saindo por minhas entranhas
saindo do meu ser
sem sequer ter me ferido.

Mas ferido estou
num sanguinário dilema de morte
seria eu um esfolado vivo?

Na Hora da Morte

E no enfadonho ser
que este o sou
sinto tremer a terra
abaixo de mim
como se fosse a morte
cruel inimiga dos pecadores
vindo a toda me buscar.

Sinto que meus pecados
tão malvados e cruéis
me sobem pela cabeça
e torturam minha alma
tão negra de grandes erros.

E me vendo no espelho do fim
vejo mesmo que sou um morto
ensanguentado pelas ruas
esfolado pela própria vida
que cobrou a minha dívida
em espécie viva.

Sinto que o mau eu fiz
sem mesmo querer ter feito
e que agora eu pago por isso
na hora da morte
quando já nada posso clamar.