sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O amor

Ah! O amor
Esse ingrato e santo
Como todos os santos ingratos
Mas tão pisado
Como a uva à virar vinho
Nos pés dos portugueses
Pés esses tão saborosos
Tão fortes e robustos
Os pés dos marinheiros
Marujos vinícolas.

Ah sim! O amor
Este esquecido na gaveta
do velho balcão de imbuia
Madeira esta proibida e rara
Quem me dera ser o pau de imbuia
Inquebrável e sem cupins
Duro feito rocha
Leve feito uma bigorna.

O amor... sim! O amor!
Este injustiçado
Pela justiça brasileira
Tão cega, muda, injusta!
Se pego essa justiça que não caminha...!

Como dizia ou estava tentando...
o amor, esse bandido!
Que ninguém prende
Pois esses policiais
Assim tão vagabundos
Prendem sequer seus pares.

Agora sim! Ah o amor...
nada tenho a declarar sobre ele
Só posso dizer que fugiu
Fugiu ele e seus comparsas
Coração, Tristeza, Rancor e Desespero
Em busca de mais um otário à lesar.

Ah... o amor...
tomem nota amigos!
Pois os próximos a cair no golpe
Serão vocês!

domingo, 22 de janeiro de 2012

O que me importa

E o que me importa é a poesia
E a ti dou-te o que quiseres
Como quiseres.

Dou-te meus amores em formas de versos
Dou-te minhas dores em formas de ais
Dou-te minhas alegrias em forma de frases
Dou-te até mesmo dinheiro, em forma de papel e caneta.

E o que mais me importa é a poesia
Não o amor
Não o simples prazer carnal
Não sequer o próprio Divino.
Pois tudo agora renego, menos a poesia
Essa sim minha companheira fiel até a morte
E na qual não trocarei por nenhuma coisa na vida.

Jogo virtual

E os anjos vem até a terra verificar
Se a criação de Deus, que sou eu
Assim funciona como programado.

E assim me sinto
Como um jogo virtual no qual
Sou um pau-mandado de um jogador.

Como assim queria viver livre desse jogo
No qual quem sofre sou eu mesmo
(Já que os reias jogadores sentam na cadeira)
No qual sou eu mesmo que perco.

Vidas assim perco, muitas vezes ganho
Mas no final, é o zera-jogo e o game-over
Pois este personagem não se faz mais útil

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Quinta-feira 12

A Lua tenebrosa está
Antecipando a sexta-feira
Treze de janeiro
De dois mil e doze de Nosso Senhor.

Grande e amarela
Queimada e assustadora
Imponente no céu negro com nuvens
Brilha em falsa cor
Esta Lua tenebrosa e tão magnífica.

Gatos, todos vestidos de negro
Saem das casas, dos buracos, dos cantos
Numa espécie de dia das bruxas felina.

E ao som de fundo, a coruja ressoa o som
Que é do medo, que é da morte
Melodia fatal para os não-avisados.

E assim ocorre essa quinta-feira 12
Um dia antes do dia que todos temem
A sexta-feira 13.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Queria Dizer Palavras

Palavras queria dizer
Mas as mesmas
Não me saem pela boca
Não me saem pelos dedos.

Censura cruel essa minha
Insegurança, medo, vergonha
Me proíbem de dizer palavras
Palavras que tanto queria gritar.

E assim sigo sendo torturado
Pela alma, essa delegada real
Pelo medo e seus agentes
Cruéis censores de minha vida.

Queria dizer palavras
Mas as mesmas não saem
De minha alma
Como se ela quisesse guardar um segredo.

Pássaro Fuginte

Sou pássaro
Fuginte
Fugido
Do caçador que me almeja
Que me deseja
Que me quer.

Quanto custa-me fugir
Desse caçador tão brutal
Fugir para não ser posto
Em gaiola de aço
Prisão dos pequenos.

Quanto me custa fugir
Dos tiros que vem de baixo
Querendo assim em atingir.

Fugir
Para não virar bicho empalhado
Não virar comida de família
Para não virar mero prisioneiro sem culpa.

Fugir
Mas do que adianta fugir
Se dia ou outro serei pego mesmo?