quinta-feira, 31 de março de 2011

Em Busca de Mim

Seja lá quem seja eu
vou em busca de mim mesmo
seja lá donde estou.

Sigo meu próprio rastro
como cão farejador
em busca da caça
para ver se me encontro
ou se encontro alguém.

Grito o grito contido
dentro de mim a anos
berro meu grito silencioso
para a mim me ouvir
me sentir assim
com alguém dentro de mim.

Sigo caminhos nunca vistos
mas tão lembrados por mim
sigo a rota dos sonhos
longe passo dos pesadelos
e conheço meu inconsciente
tão ciente de mim mesmo.

Vejo que eu mesmo
sou o lado escuro de mim
e que nada sou sem eu mesmo
mas que escuro eu sou.

Descobri que escuro sou
e que não há respostas para mim
apenas o negro de mim mesmo
que me alimenta
que me salva
apenas o eu dentro de mim.

Olhares Condenadores

Gente que me olha
com cara de nojo
que fiz eu de errado?

Feios rostos me seguem
me recriminam
me atordoam
como seu eu fosse
o único pecador
do pecado mais grave e mortal.

Seria eu o pecador
do pecado original?
O descendente direto de Eva e Adão?

Me incriminam com olhares de nojo
como se eu fosse sujo
com se eles fossem santos
como se o mundo o céu fosse
mas esquecem que o céu longe está
e que lá só puro entra.

Me olham com olhos de nojo
sem eu cometer nada
como se eu
fosse o último pecador
da grande face da terra.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Sonho do Mundo

E o mundo está quieto
enquanto dorme
ninguém ousa incomodar.

Dorme belo o meu mundo
sonha um sonho melhor
reza para viver
o que sonhou.

Dorme sim meu mundo
rezando dias melhores
desejando poucas piores
como dorme meu mundo.

E meu mundo dorme
para amanhã acordar
para mais um dia de guerra.
Boa noite mundo!

sexta-feira, 25 de março de 2011

Barquinho de Balsa

Mar adentro vou
num barquinho de balsa
rumo ao nada
ao azul do céu e mar.

Sem destino vou
sem dimensão
sem direção
sigo
pelo barco de balsa.

Ilhas sim talvez
não sei
sei apenas o barquinho
de balsa
nele vou.

Vela aberta
vento fresco
serena noite
sem parar
o barquinho de balsa
eu vou
mas para onde pararei?

quinta-feira, 24 de março de 2011

Viagem ao Universo

Oho e vejo o céu

de cintilantes estrelas
penso
logo vou para lá.

Fito a imaginação
penso, logo vou
arrumar malas
para na estrela ir
cintilar.

Louco estou
diriam sem medo
sem vergonha
sem dinheiro.

Louco estou
eu mesmo diria
de mim mesmo
ao saber disso
dessa viagem louca.

Mas para o alto vou
brilhar feito estrela
cintilar como brilhante
só assim
talvez você me veja
e me note.

Mundo mundo, de um em um vai tudo

Mundo mundo
de um em um vai tudo
como diria meu avô.

Só espero não ser mais um
não quero fazer parte do tudo
do mundo mundo.

Mundo mundo
de um em um vai tudo
mas não quero ir
me recusarei
negarei até o fim
neste mundo mundo.

Mundo mundo
de um em um vai tudo
como diria o meu avô
mas eu não quero ir.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Adeus ao Amigo

Canta pois seu último lamento
a unção dada foi
hora agora chegou
da morte te levar.

Eterna vida sim
para onde não sei
tão complicado dizer
tão suspeito falar.

Céu
inferno
limbo
lugar nenhum?
Sei não
para saber nunca morri
e nem saber preciso.

Ora parta pois
é o seu fim enfim
manda pois notícias
do mundo de lá
do mundo de lá
e fale do mundo de cá
posto que aqui complicado é.

Fala pois da vida minha
e pergunta quando
partir eu vou
conhecer a morte é preciso
e muito precioso.

Parta logo pois
sua vida nova
espera agora
adeus não
até mais ver
se é que iremos nos ver.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Velhos Livros

Ele se esconde
atrás de velhos livros
inteligência tão artificial.

Para morte nada leva
além do tirado em livro
surreal pensar assim
irreal não pensar.

Letras e nomes
autores e páginas
tudo na morte não vai
apenas o aprendido
apenas o que
nos livros não estão.

Ele se esconde
atrás da enorme muralha
imperador da China
sonhador do mundo
mas inteligente sim.

terça-feira, 15 de março de 2011

A Morte

Ouço a voz da morte
triplicada ao meu lado
sinto o cheiro dela
vejo o rosto dela
mas longe está.

Sinto o ser dela
mesmo sendo este ser
inexistente para mim
para todos.

Vejo que estou longe
da tão esperada morte
mas posso senti-la
nos ossos
na pele
na vida.

Sinto e vejo e escuto
mas está longe
a vã morte
que tanto me espera.

Seguido Sou

Seguido sou eu
por fantasmas do passado
negras chamas de morte
vida morta a me seguir.

Vivo correndo
para nada me pegar
para fugir tentar
para não morrer
para viver querer.

Corro
sem mais esperanças
sem mais vida
sem mais paz
vivo assim
sei lá se ainda vivo.

Morro
todos os dias
numa bruta perseguição
vida e morte juntas
contra mim.

vejo e não consigo
sinto que agora vou
seguido sempre sou
por fantasmas do passado
pela vida
pela morta
sofrido sou
cansado estou.

terça-feira, 8 de março de 2011

Percebo Que Vivo

Agora percebo que vivo
e que ando brincando de morte
mas talvez por ser a vida dura
talvez pelo próprio descanso eterno.

Descobri que vivo
e teria sido melhor
não o ter descoberto
pois percebo que assim fico
meio chateado com a vida.

Percebo que
infelizmente vivo
mas não quero perceber
e logo me finjo de morto
para poder esquecer
que ainda vivo.

Mortos Violados

Vejo corpos podres
xurumes e restos
osso jogados ao longe
mais um cemitério destruído.

É o fim
o mundo dos mortos acabado
sem chances de vida
sem chances de digna morte.

Carnes podres
e tufos fincados em crânios
mais um morto descoberto
mais um violado pelo monstro
esse coveiro.

Aos milhares
zumbis desacordados
tão sossegados
e agora incomodados.

Rostos brancos
crânios gastos
carnes comidas
vejo isso tudo
em um cemitério exulmado
cada cova aberta.

Vejo enfim
a vida sendo incomodada
o sossego acabado
e a morte sendo violada.

Preciso Viver

Preciso viver
indefinidamente
até quem sou saber.

Preciso me ocultar
para saber se sou
ou não sou
se um dia fui
se serei.

Preciso viver sim
para depois viver de novo
em um lugar desconhecido
em um mundo cego.

Preciso viver
para saber quem sou
para daí sim morrer.

Lúgubre

Lúgubre estou
mesmo sem querer estar
sou eu sinal de luto.

Mas de luto pelo que
sendo que em nada morri?
Mesmo assim vivo esse estado
de luto permanente por mim mesmo
e luto
para sair dessa flor de lótus
que me abraça insólitamente
que me arranca a alma
todas as noites.

Toda noite
vivo esse lúgubre de minha vida
vivo a alma que sai e me mata
morro a vida que tanto vivo.

Aberração do Mundo

Sou eu
aberração do mundo cão
monstro das noites frias
ser da triste solidão.

E o que faço
a ninguém importa
pois ningué se interessa
pelo monstro que sabe escrever
pelo ser que alma tem.

E o que deixo de fazer
a todos importam
pois se não faço é algo errado
e pelo erro eu mesmo pago.

Que triste viver
sendo eu o monstro que me assombra
que bom seria parir
mas o dilema
monstro não tem alma
segundo dizem.

Só me resta viver então
como monstro sem alma
me assustando todos os dias
e assustando a todos
durante minha vida.

Dor da Alma

Eu não imploro não
pois sei que ninguém me irá ouvir
e se ouvir
sei que não me ajudará.

Procuro a todo custo
fazer de mim somente eu
sem interferências externas
sem uma mão amiga que me afoga.

Em fogo vou a dor
que arde tanto quanto pode
dor impossível de relatar em letras
a dor da alma.

Tento assim me confortar
dessa dor profunda e única
dor de solidão
que dói até na flor da alma.

Medo Tenho

Medo tenho
mas não de morrer
de morrer sozinho
sem carinho.

Medo tenho
mas não é do inferno
mas não é do céu
mas medo tenho.

Medo tenho
mas não sei do que
algo desconhecido para mim
tão enigmático
tão traiçoeiro.

Medo sim
mas não é nem das flores
dos frutos
não é da vida nem da dor
mas só sei que medo tenho
mas não sei dizer do que.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Sobre o Futuro no Dito Paraíso

Guarda!
O mundo não é um bom vinho
nem sequer um charuto cubano
o mundo barra pesada é.

Por isso assim morremos
para irmos ao dito paraíso
que segundo dizem alguns
é melhor que esse mundo.

Mas até conseguirmos assim morrer
mundo mundo temos que caminhar
para dizer que estamos vivendo
para provar que estamos sofrendo.

Mas o mundo não é um conhaque
nem sequer um bom fumo de cachimbo
mas um dia vamos talvez
para aquele paraíso que dizem ser bom.

Filosofia Delirante

Hoje acordei meio assim
filosofando
com um cigarro na boca
com um conhaque no copo.

A mente aberta vejo
o meu ser intocável
com apenas um cigarro
e um gole de conhaque.

Deliro sim
para fazer poemas
frases inesquecíveis
loucuras que ninguém pode saber.

Faço coisas que até Deus duvida
com um bom cigarro na boca
com um bom conhaque no copo
com um bom delirio na mente.

Cigarro

Acendo um cigarro e vejo
a doce e delirante fumaça
o fogo na ponta do mesmo
o filtro encostado na boca.

Deliro o que não quero ver
monstros de todos os tipos
diabos de todas as cores
e a morte de uma única cor.

Um cigarro acesso na mão
unhas amarelas com o tempo
vejo que estou velho ficando
e que a morte vai me esgueirando.

Feliz eu quero morrer
com o cigarro acesso na boca
com a alma suja de mundo
com o mundo a me delirar
delirando para o mundo vou.

Último Pingo de Alma

Vejo a doce vampira
com perfume de sangue
pronta para sorver
minha última gota de alma.

Sem forças choro
como quem não quer entregar
seu doce favorito.

Nas doze badaladas do relógio
meia-noite sim
vejo a vampira de olhos vermelhos
pronta para me sorver.

Grito num uníssono silêncio
de minha voz nada sai
de meu ser tudo sai
tudo vai.

A doce vampira do meu sonho
suga o último pingo de alma
que ainda me restava
agora sem alma estou.

Mundo Delirante

Mundo delirante
por entre postes luminosos
brilha a alma do meu ser
ante o som das cigarras
ouço nada mais que silêncio.

Puro mundo caos
louco de viver neste mundo
eu também sou um.

O mundo inteiro
corre atrás de mim
o caótico mundo do meu ser
corro para não ser pego
pelos bandidos presentes
em minha alma suja.

Ante vida caótica
todos correm atrás de mim
para me pegar
mas juro
nada fiz.

domingo, 6 de março de 2011

Quinze Badaladas

Bate o sino da igreja
anunciando morte nova
bate o sino erguido
na torre do desespero
na bruta alma da igreja
apontada para cima.

Bate o infeliz sino
para o morto que morreu
feliz este sim
pois morreu
o mundo abandonou
o caos deixou
a vida apagou.

Quinze tristes badaladas
idade do felizardo
do morto feliz
que vai sorrindo
para o além.

Quinze tristes badaladas
para anunciar a morte
de mais um que morreu
feliz.

sábado, 5 de março de 2011

Mundos

Céu acima
inferno abaixo
sem rumo vou
para onde
não sei.

Meio
limbo
alma vazia
sem nada dentro.

Céu e inferno
diante de mim
no meio mundo
no mundo inferno
no céu o mundo
nos pés apenas...
apenas chão batido
surrado
de anos pisados.

Luz e sombra
perto de mim
acima
abaixo
dois mundos
três mundo
muitos mundos
sem sentidos
sem noções
regras
papeis
vida.

Mundos caos
caóticos pela própria natureza
antropófagos pela própria raiva
malditos pela própria vida
vivos pela própria morte.

Não me permitam morrer
mas não me permitam viver
permitam-me apenas...
apenas...

Sangue Frio

Sangue frio
morto
sem vida
sem cor
sangue negro
sangue.

Correndo
pelas valas e valetas
da grande cidade
cercando velas e rezas
no cemitério
nas ruas
na vida de todos
sangue escuro
amanhecido
arrancado.

Indo
para onde
ninguém sabe
ninguém quer saber
ninguém vai mesmo saber.

Cada passo
um pingo que vai
de sangue morto
de sangue sofrido
de sangue caído
deslocado
desfocado
sangue de amor
sangue de ódio.

Sangue
pelo esgoto indo
pela vida morta
pela dor não sofrida
pela morte em sangue frio
sangue negro.

Noites Houve Sim

Noite houve sim
em que eu dormi
sonhei
festejei.

Noite houve sim
certamente
de estrelas
luas
sonhos
calmaria
noites claras
e escuras
houve sim.

Noites sem ninguém
na clarivivência de meu ser
na bruta alma da consciência
na cardiofagia da paixão.

Noites houve sim
onde enfim dormi
sem em ninguém mais
pensar
noites houve sim.

terça-feira, 1 de março de 2011

Enquanto Houver Estrelas

Enquanto houver estrelas no céu
vou caminhando
sem ligar para trás
sem ver o passado
o passado já passou
já morreu.

Enquanto houver estrelas
vou seguindo a vida
o rumo
sem rumo nenhum
sem nada a temer
o que há de temer mesmo?

Enquanto hover céu
e estrelas
e nuvens
vou vivendo
por apenas viver
até morrer.