domingo, 28 de novembro de 2010

Monstro Vermelho

E no triste ser presente que sou eu
sinto o monstro da vida se manifestar
com um vermelho púrpura de sangue.

Sinto a duras penas
o monstro do horror entrar
e fazer seus próprios pesadelos
me atormentando a vida inteiro.

Vejo seu vermelho cruel
sangue tão forte este
que tenho medo de seguir
e que nem posso ver.

Sinto a desgraça feita
feito pelo monstro
vermelho comunismo
me jogando diante o abismo
que é só seu.

Sinto o final sem fim
para minha vida de pesadelos
de sonhos esquecidos
pelo monstro vermelho
cor de terra.
.

sábado, 27 de novembro de 2010

Dia de Morte

Sinto o cheiro da rosa mortífera
de doce cemitério aberto
na espera de um morto fresco.

Sinto o vazio do buraco aberto
pronto para o defunto receber
sinto o vazio de um corpo
em que a alma desapareceu.

Sinto mesmo as dores do pós-morte
como se minhas mesmo fossem
as dores imortais de uma alma
que não mais volta a terra.

Vejo a morte em minha frente
vejo-a em minha doce mente
sem compreender a morte
a minha própria morte talvez.

Mas eu sinto muito pela morte
que morreu para a morte virar
e que veio agora me buscar
como um serviço qualquer
como um trabalho qualquer.

Mas sinto o cheiro da própria morte
vindo agora me buscar
na crueldade de seu ser
na verdade que deve ser cumprida
na única certeza existente na vida
a certeza de um dia morrer.

domingo, 7 de novembro de 2010

O Monstro

Vivo!
Sim eu vivo
sem sequer uma vida
sem sequer ter uma alma.

Sou a coisa mais louca
da vida que não existe
da alma não feita
da morte não finda
finalizada por si só.

Sou o terrível
monstro da noite
sem ter vida
sem ter nada
mas que assombra
por puro sem-querer.

O monstro que nada faz
mas que faz
que assusta
sendo o monstro que sou
feito o ser sem vida
sem alma
sem sangue
sem coração.

Sou o monstro
sem nada a declarar
e que não queria
assustar.

Sou o monstro
sem ninguém
sem nada
sem tudo.