Os últimos regalos de meus olhos
quero ver diante do espelho
este amigo e traiçoeiro
que só sabe falar verdades.
Quero ver meu último sorriso
estampado no papel de foto
como lembrança
para não se apagar.
Quero anda ter
o último beijo de amor
que a tanto me prometeram
e até hoje não me deram.
Quero minha última promessa
não cumprir
para fazer raiva a todos
que tanto me prometeram.
Quero me ver no paletó
vermelho sangue
dentro do caixote temível
onde ninguém quer entrar.
Quero então sorrir
o último sorriso
para mostrar
a doce palhaçada
que um dia foi minha vida.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Noite
A noite obcurecente
obscena
em cena aberta para todos
mostra-se escura e negra
terrível e mordaz
feroz e audaz.
A noite negra sem estrelas
quem cintilam na noite alegre
toma por golpe o dia
que no entanto
foi triste.
Noite de frio intenso
que tremo em pensar
me alegro em sonhar
com tal bela noite.
Enfim noite
da morte e da dor
que faz o poeta sofredor
e produz a arte
que se chama horror
veio para me ninar.
obscena
em cena aberta para todos
mostra-se escura e negra
terrível e mordaz
feroz e audaz.
A noite negra sem estrelas
quem cintilam na noite alegre
toma por golpe o dia
que no entanto
foi triste.
Noite de frio intenso
que tremo em pensar
me alegro em sonhar
com tal bela noite.
Enfim noite
da morte e da dor
que faz o poeta sofredor
e produz a arte
que se chama horror
veio para me ninar.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Poema de Amor
Veja, amor, as flores penosas
de mais um amanhecer de pó
o nevoeiro de fumaça tóxica
lindo mesmo de se ver, amor.
Sinto inspiração para escrever
este belo poema de amor
em meio ao carbono preto
que se solta dos escapes
escapulentos e barulhentos.
Aliás, ouça amor
a última sonata dessa sinfonia
que se chama fim
o opus 42 radioativo
que nos prendem
e não nos largam.
Veja a última cena
da doce obra
da floresta em chamas
não é belo, amor?
Sinta o doce perfume de diesel
BR número 270
que obra de arte em cheiros.
Veja, meu amor
o filme artístico e tão real
que nós mesmos podemos viver
como soldados ou feridos
malvados, vilões, assassinos
onde ninguém é bonzinho
(nem nós!)
E os desfiles de balaços torturosos
nada é tão lindo quanto a você
meu eterno amor chamado raiva.
de mais um amanhecer de pó
o nevoeiro de fumaça tóxica
lindo mesmo de se ver, amor.
Sinto inspiração para escrever
este belo poema de amor
em meio ao carbono preto
que se solta dos escapes
escapulentos e barulhentos.
Aliás, ouça amor
a última sonata dessa sinfonia
que se chama fim
o opus 42 radioativo
que nos prendem
e não nos largam.
Veja a última cena
da doce obra
da floresta em chamas
não é belo, amor?
Sinta o doce perfume de diesel
BR número 270
que obra de arte em cheiros.
Veja, meu amor
o filme artístico e tão real
que nós mesmos podemos viver
como soldados ou feridos
malvados, vilões, assassinos
onde ninguém é bonzinho
(nem nós!)
E os desfiles de balaços torturosos
nada é tão lindo quanto a você
meu eterno amor chamado raiva.
Eu me calarei
Mudo ficarei
pois se falo
tenho que me calar
para nada dizer.
Trancado por dentro estou
e assim ficarei eternamente
até não mais aguentar
até que o eterno se acabe.
Pois nada eu direi
para mim mesmo
ou para você mesmo
pois não quero falar
dizer o que não devo
e que devo ao mesmo tempo.
Pois assim me calarei
até algo dizer
e com a dor acabar.
pois se falo
tenho que me calar
para nada dizer.
Trancado por dentro estou
e assim ficarei eternamente
até não mais aguentar
até que o eterno se acabe.
Pois nada eu direi
para mim mesmo
ou para você mesmo
pois não quero falar
dizer o que não devo
e que devo ao mesmo tempo.
Pois assim me calarei
até algo dizer
e com a dor acabar.
Inconcreto
Pois isto não serei
a eterna certeza de algo ser
pois sei que nada concreto posso ser
pois concreto nada é
concreto nada será.
Vivo num mundo fantástico
que se chama mundo
e neste mundo
vivo um mundo de coisas
finitas ou infinitas
a despeito de viver.
Pois nada creio eu
pois crer em tudo
loucura é sim senhor
pois nada vejo diante dos olhos
pois nada cresço diante de mim.
Pois o real é irreal
imaginário de verdade
algo inexistente
que insistimos de existir.
a eterna certeza de algo ser
pois sei que nada concreto posso ser
pois concreto nada é
concreto nada será.
Vivo num mundo fantástico
que se chama mundo
e neste mundo
vivo um mundo de coisas
finitas ou infinitas
a despeito de viver.
Pois nada creio eu
pois crer em tudo
loucura é sim senhor
pois nada vejo diante dos olhos
pois nada cresço diante de mim.
Pois o real é irreal
imaginário de verdade
algo inexistente
que insistimos de existir.
domingo, 15 de agosto de 2010
Fugindo da Vida Real
Diante do mundo dos horrores
vejo que não sou
o único palhaço da vida real
que tenta a todo custo
partir para o mundo fantástico.
Vejo que meus sonhos são poucos
diante de tantos sonhos sonhados
diante da imaginação fértil do ser
vejo que sou pequeno sonhador.
E diante dos sonhos
me refugio de meu ser real
como fazem tantos outros
neste circo nada feliz
debaixo desta tenda negra
onde todos somos artistas
por mal do próprio ser.
E diante o circo das tristezas
sinto que sou forte mesmo assim
pois eu ainda sonho alto
pois ainda tenho um ser nada real
pois ainda consigo fugir por instantes
desta tenda negra do circo infeliz.
Pois ainda posso imaginar
como é a verdadeira luz do sol
fora desta tenda negra
que se chama vida real.
vejo que não sou
o único palhaço da vida real
que tenta a todo custo
partir para o mundo fantástico.
Vejo que meus sonhos são poucos
diante de tantos sonhos sonhados
diante da imaginação fértil do ser
vejo que sou pequeno sonhador.
E diante dos sonhos
me refugio de meu ser real
como fazem tantos outros
neste circo nada feliz
debaixo desta tenda negra
onde todos somos artistas
por mal do próprio ser.
E diante o circo das tristezas
sinto que sou forte mesmo assim
pois eu ainda sonho alto
pois ainda tenho um ser nada real
pois ainda consigo fugir por instantes
desta tenda negra do circo infeliz.
Pois ainda posso imaginar
como é a verdadeira luz do sol
fora desta tenda negra
que se chama vida real.
O Portal
Confesso sim
que medo eu tenho de morrer
pois o que há do outro lado
do misterioso portal da morte?
Ninguém voltou de lá
de trás deste portal
tão sombrio
como a própria vida.
Pois o que há depois
daquele portal da morte
e que ninguém revela?
Medo tenho sim
de morrer e não gostar
ou de me perder na viagem
mais medo tenho de não morrer
e no portal não poder entrar.
Pois o que há naquele portal
que não foi revelado?
-Sei apenas que quem foi
nunca mais voltou de lá.
que medo eu tenho de morrer
pois o que há do outro lado
do misterioso portal da morte?
Ninguém voltou de lá
de trás deste portal
tão sombrio
como a própria vida.
Pois o que há depois
daquele portal da morte
e que ninguém revela?
Medo tenho sim
de morrer e não gostar
ou de me perder na viagem
mais medo tenho de não morrer
e no portal não poder entrar.
Pois o que há naquele portal
que não foi revelado?
-Sei apenas que quem foi
nunca mais voltou de lá.
O Monstro do Espelho
E na aberração do anoitecer
vejo-me diante do espelho
este cruel inimigo
da boa imagem que me tenho.
Me assombro
com meu rosto desconfigurado
com a morte em minha frente
com a vida em flores mortas.
Vejo e não creio
que este seja eu mesmo
-Deve ser outro oras!
invadindo meu ser por fora
-Mas e por dentro?
A inconstância da minha alma
me faz ver que sou fraco
e que nada eu sou
além de um monstro
diante do espelho cruel.
Como queria quebrá-lo
deixá-lo em pedaços
para que nada testemunhe
para que nada comente
para que nada entregue.
Como queria não ser
o monstro que virei
o monstro que espelho testemunha
o monstro que o espelho mostra.
Mas vejo que monstro eu sou
e não há mais volta
pois o espelho me sentenciou
e me condenou a esse castigo
para a minha eterna vida
que de eterna nada tem.
vejo-me diante do espelho
este cruel inimigo
da boa imagem que me tenho.
Me assombro
com meu rosto desconfigurado
com a morte em minha frente
com a vida em flores mortas.
Vejo e não creio
que este seja eu mesmo
-Deve ser outro oras!
invadindo meu ser por fora
-Mas e por dentro?
A inconstância da minha alma
me faz ver que sou fraco
e que nada eu sou
além de um monstro
diante do espelho cruel.
Como queria quebrá-lo
deixá-lo em pedaços
para que nada testemunhe
para que nada comente
para que nada entregue.
Como queria não ser
o monstro que virei
o monstro que espelho testemunha
o monstro que o espelho mostra.
Mas vejo que monstro eu sou
e não há mais volta
pois o espelho me sentenciou
e me condenou a esse castigo
para a minha eterna vida
que de eterna nada tem.
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