terça-feira, 24 de agosto de 2010

Poema de Amor

Veja, amor, as flores penosas
de mais um amanhecer de pó
o nevoeiro de fumaça tóxica
lindo mesmo de se ver, amor.

Sinto inspiração para escrever
este belo poema de amor
em meio ao carbono preto
que se solta dos escapes
escapulentos e barulhentos.

Aliás, ouça amor
a última sonata dessa sinfonia
que se chama fim
o opus 42 radioativo
que nos prendem
e não nos largam.

Veja a última cena
da doce obra
da floresta em chamas
não é belo, amor?

Sinta o doce perfume de diesel
BR número 270
que obra de arte em cheiros.

Veja, meu amor
o filme artístico e tão real
que nós mesmos podemos viver
como soldados ou feridos
malvados, vilões, assassinos
onde ninguém é bonzinho
(nem nós!)

E os desfiles de balaços torturosos
nada é tão lindo quanto a você
meu eterno amor chamado raiva.

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