E na aberração do anoitecer
vejo-me diante do espelho
este cruel inimigo
da boa imagem que me tenho.
Me assombro
com meu rosto desconfigurado
com a morte em minha frente
com a vida em flores mortas.
Vejo e não creio
que este seja eu mesmo
-Deve ser outro oras!
invadindo meu ser por fora
-Mas e por dentro?
A inconstância da minha alma
me faz ver que sou fraco
e que nada eu sou
além de um monstro
diante do espelho cruel.
Como queria quebrá-lo
deixá-lo em pedaços
para que nada testemunhe
para que nada comente
para que nada entregue.
Como queria não ser
o monstro que virei
o monstro que espelho testemunha
o monstro que o espelho mostra.
Mas vejo que monstro eu sou
e não há mais volta
pois o espelho me sentenciou
e me condenou a esse castigo
para a minha eterna vida
que de eterna nada tem.
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