sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Enquanto brincamos

Enquanto brincamos
perdemos vida
perdemos horas
perdemos pulsações no braço
pois assim brincamos
a vida assim inteira.

Agora vamos assim ser sérios
ser alguém
ou mesmo ninguém
juntos ou separados
vamos parar de brincar.

Venha vamos
pois a brincadeira acabou
e vamos viver
esse instante sem glória
esse instante tão constante
que é vida
sim! É vida.

Cansei de brincar
quero viver
com ou sem você
isso não importa.

Brinque se quiser
mas não venha comigo
venha
se quiser viver
apenas viver.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Pode ser

Pode ser
que eu acorde morto amanhã
que acorde cansado
que apenas acorde
ou que não acorde jamais
pode ser.

Pode ser até
que eu coma filé
semente de mamona
flor de laranjeira
nada coma
tudo coma
pode ser
como não pode
e não deve.

Pode ser que sim
pode ser que não
pode ser talvez
pode ser que eu nem sei
o que realmente pode ser
mas pode ser.

Pode tudo ser
mas só não pode ser você
pode ser o infinito
menos você
pode ser o fim
a morte
a dor
pode ser
mas não pode ser você
apenas você
não pode ser.

Pira

Minh'alma é pira
em piradas loucuras vãs
e nesta pira enlouqueço
pirando essa minha dor.

Sou a pira acesa
pirada de tanta dor
pirado que sou poeta
pirado que eu não sou eu.

Sou a própria pira pirada
pirando em poesia
livre pira de fogo
se espalhando pela pira a fora.

Pirado sigo eu mesmo
nesta ardente pira de minh'alma
a pira que me queima todo
é a mesma que vai te torrar
de transformar numa pira pirada.

Minh'alma é a pira
que ascende teu cigarro
que logo pira vira
para provocar a minha ira.

Sou eu a pira que te queima toda
e que te deixa pirada
sou eu a sua pira
mas que logo apaga.

Mas...
o que houve com a pira mesmo?

domingo, 2 de outubro de 2011

Noite louca

Noite em plumas brancas vejo
alvorada já morreu faz tempo
negra é essa noite louca
loucuras, logo existo e creio.

Noite em pura alvorada escura
vejo o sorriso subindo aos céus
tão inconfundível lua vejo
não sei se é minguante ou nova.

Brutos morcegos, neles creio
pombos negros dessa noite escura
ratos desse esgoto à céu voante
"negros com a noite que não tem luar!"

Vejo névoas brancas neste céu escuro
pergunto-me para quê sonhar
se a noite mais interessante fica
com os olhos plenamente abertos.

Aquela flor

Eu sou aquela flor
vermelha de sangue
de seiva sangrando
de dores se abrindo.

Eu sou a flor
vermelha de púrpura
de feridas em pus
a flor negada.

Sou a flor
tão só solitária
assim amaldiçoada
a flor de você

Sou aquela flor
agora fechada em amor
sozinha e com dor
a flor esquecida
assim ignorada