terça-feira, 24 de novembro de 2009

Mundo

O instante momento
minha inteira vida
moída
acabada.

Séculos
séculos
de falsa magia
de dor
esperança
a vida não girou
a vida não parou.

Os leões
os demônios
deste mundo real
incomodam a mim
e a todos
espetáculo de murmúria
a vida continua
hoje e sempre
até que o sempre acabe.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Consciência Negra

Consciência negra
é assim minha mente
negra mesmo
sem nada especial
ou algo de bom.

Mente negra
peste negra
vida negra
é minha vida
o meu dia
todos os dias
é normal
muito normal.

Não existe luz
nem som
nem água
minha mente
é vazia
negra
ruim.

Meus pensamentos
são podres
vazios
negros como minha
vida.

Minha morte será
negra
como minha vida.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Hoje

Hoje não quero sair
não quero beber
não quero fumar
quero ficar no meu
canto recanto
dormir até acordar.

Não estou afim
nem quero sair
estou mesmo assim
sem querer rir.

Não saio daqui
não mesmo
e não há quem faça
não há mesmo.

Hoje fico aqui
não vou sair
fico aqui mesmo.

sábado, 14 de novembro de 2009

O Ovo

O ovo é um ovo
um ovo oval
de forma de ovo
com gema de ovo
clara de ovo
casca de ovo.

Mas o ovo
também é
uma semente
um útero
de galinhas
jacarés
patos
marrecos
e aí fora.

Ovo pode ser
um omelete
ovo cozido
frito
batido
puro
mas é ovo
ovo oval.

Ovo é ovo
oval
sempre será
e ninguém
mudará.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Modernidade de Marinetti

Acabou-se a nobre poesia
arte quem te vê?
O mundo está um caos
e Marinetti previu isso.

Museus de toda fama
abandonados a sorte
carros cada vez mais
velozes aos nús olhos
mulheres vulgarizadas
sexo explícito.

Marinetti já previu
os sons que vem
das inundas ruas
as palhafatosas
fábricas
de fumaça
o fim de um mundo
completo.

A modernidade atual
é um caos aos meus
sofridos olhos
minhas fossas nasais
sangram ao cheiro
poluído das cidades
meus tímpanos
explodiram ao sim
da cidade
meu tato já não sente
mais nada
de tantos calos
meu paladar sofre
ao gosto ranso
da fumaça.

Modernidade cruel
e assassina
pega-me
estrangula-me
mata-me
deixa-me
no chão frio
morto
ensanguentado
pela vida
medíocre.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Que Bom Seria

Quem me dera
me embebedar
com o bom vinho
do porto
e louco ficar
sim!
Louco ficar.

Poder cantar
nas ruas
a doce melodia
dissonante
e desafinada
de meu bem.

Andar na chuva
pisar em poças
de lágrimas
e seguir feliz
sem mesmo
saber aonde ir.

Aliás: Saber sim!
O caminho do bar
dos amigos
da sinuca
e ganhar
e perder
e pagar
mais uma rodada
da boa amarelinha
que matou o guarda.

E na ressonância
de meus cantos
ser sempre
molhado
pelos impacientes
e estressados.

Que bom seria
esquecer da vida
por meio instante
e só lembrar
no dia seguinte.

Mas que bom seria...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Adeus

Dia a mais
dia a menos
um dia vou
e vou mesmo
sem amor.

Estou chegando lá
estou indo
e não volto.

Peço adeus antes
de ir
de partir
pois vou e não volto.

Peço adeus
agora mesmo
adeus!

Magda

A mulher sem vida
a mulher sem sorte
a mulher sem nome
ela é simples Magda.

Mulher sem cor
sem amor
vive a vida
tenta viver
Magda.

Magda forte
mas sem amor
mas sem vida
mas sem nada
quem é você Magda?

Não quer nada
da vida
não quer nada
da morte
vive sem medo
vive sem coração
apenas vive.

Onde vai Magda?
Não adianta lutar
nem insistir
acabou agora
acabou Magda
agora é
viver por viver
morrer por morrer.

Mas...
onde vai
Magda?

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Poesia Gauche

Dizem que estou
todo errado
dizem que estou
todo torto
dizem que não tenho
mais jeito
que não vivo
certo
e a certeza
é que eu não sei.

É certo dizer que sou torto?
é certo dizer que sou louco?
é certo dizer?

Vivo, logo existo
poeto, logo vivo
escrevo, logo poeto.

Mas na verdade
sou de esquerda
para a vida
contrário ao governo
da sociedade
torto pela simples
natureza
sou mais um gauche.

domingo, 8 de novembro de 2009

Luta

Rosno
mostro os dentes
tento lutar
contra a morte.

Sou forte
mas ela é mais
a vida se escurece
como um black-out
me atormento.

A vida foi
a morte chega
é o fim
é tristeza
é golpe no peito.

Mas...
se eu morrer...
como ficarei?

Tenho várias vidas
dentro de uma só
morri uma
e viverei a outra

Vida e Morte

Sou o dono da voz
o homem da cor
a vida na vida
a morte na morte.

Sou o todo errado
o direito do esquerdo
a vida sem vida.

Sou mais um sozinho
no mar de amores
e de acertos errados
e erros acertados.

Mas quem sou
na dita verdade da vida?
Quem sou?
Quem fui?
Quem serei?

A vida corre solta
e a morte corre atrás
pois só basta estar vivo
para encontrar a morte
e só basta estar morto
para ficar com medo.

A vida é uma só
a morte é uma só
e vou viver
até morrer.

Pobre Homem

Lá vai ele
o homem
sem vida
sem amor
sem sorte.

É ele sim
é ele só
sem ninguém.

Lá vai o homem
lá vai ele
procurando amor
mais uma vez

O Mundo

O mundo é redondo e chato
chato para mim
que não vejo nada diferente
nada legal
nada me agrada.

Se o mundo gira não sei
mas sei que estou enjoado
enojado da vida
querendo morrer
ir para a vida eterna
se é que existe mesmo.

Mas se a Terra acabar
se o mundo acabar
se a vida acabar
o que será de mim?

Vai mundo girando
continua
pois pior não pode ficar
e espero assim.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Heteronímia

Tenho tantos eus
que eu mesmo
não sei quem sou
eu de verdade.

Mas quem sou eu?
E quantos eus existe
dentro de mim?

Me multiplico
como coelho esperto
que não perde tempo
sou os eus que quero
ser.

Mas me pergunto
sempre
"porquê tantos eus?"

Ó Deus
você que sabe de tudo
e de todos
me responda tal questão
que me foi imposta
a mim mesmo:
quantos eus existe
dentro de mim?

Pois eu mais eu
dá dois eus
tão diferentes um
do outro
que eu mesmo
não entendo.

Mas na verdade
quem sou eu
de verdade?