Sinto o cheiro da rosa mortífera
de doce cemitério aberto
na espera de um morto fresco.
Sinto o vazio do buraco aberto
pronto para o defunto receber
sinto o vazio de um corpo
em que a alma desapareceu.
Sinto mesmo as dores do pós-morte
como se minhas mesmo fossem
as dores imortais de uma alma
que não mais volta a terra.
Vejo a morte em minha frente
vejo-a em minha doce mente
sem compreender a morte
a minha própria morte talvez.
Mas eu sinto muito pela morte
que morreu para a morte virar
e que veio agora me buscar
como um serviço qualquer
como um trabalho qualquer.
Mas sinto o cheiro da própria morte
vindo agora me buscar
na crueldade de seu ser
na verdade que deve ser cumprida
na única certeza existente na vida
a certeza de um dia morrer.
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