Orgias liberais
em uma sala ao lado
verde de vergonha
poetas soltando palavras
cantores gritando sons
artistas pintando paredes.
Loucuras!
Quem poderia imaginar
nessa bagunça toda
a arte saindo da arte?
Riam moças de ternos
pretos e riscados
velhos e amassados
e blusinhas por baixo.
Riam os garotos
artistas de terno
velho surrado
tênis sujo e desamarrado
naquela sala verde
tão insignificante.
Riam os menestréis
velhos poetas de labuta
felizes da nova geração
de poetas orgideiros
que ali existia.
Whisky vodka
conhaque e comida
festa na sala verde
agora de fome
parecia uma festa
eram apenas artistas
fazendo suas artes.
Bombas tiros
canhão e batalhão
a guerra chegando no salão
moças correndo a todo custo
moços defendendo a arte a todo custo
velhos morrendo do coração.
Tudo isso naquela sala
agora verde de compaixão
acabou a arte
acabou o coração
e vamos todos para o outro salão.
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