sexta-feira, 18 de junho de 2010

A Coveira

Vejo a iluminada luz de seus olhos
enumerando números e cadáveres
desenterrando ossos e pelos
madeiras e caixões
pondo em urna cadáveres desmontados.

Vejo a hedionda beleza de seu rosto
e um sorriso sarcástico de morte
que me atrai lentamente no teu veneno
e me deixa no belo leito de morte
num resplandecente olhar de mumificação.

Tento fugir desta morte certeira
tento correr para não sofrer deste mal
o que é impossível e inegável
algo que eu mesmo não posso fugir.

O que fazer para te amar sem morrer?
desejo duas coisas impossíveis
de se concretizar ao mesmo tempo
vejo a morte e o amor juntos
pois só morrendo vejo que amo
pois só amando percebo que morro.

E vou caindo em seu túmulo armadilha
puxado pelo perfume de flores de velório
sendo atraído aos poucos pela morte amorosa
sendo trazido para seus braços de amores mortos
sem mesmo ter chances de escapar
de sobreviver.

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