Vejo pelo meu voar
as pontudas setas das igrejas
a cruz santa de Jesus
a imagem derradeira da cidade.
Vejo tantos pecadores profanos
assim como eu fui ou talvez sou
num baile citadino pelas ruas
com um caixão marron
(quantas vezes disse que queria branco?)
indo em procissão com o meu corpo
inerte e fedorento
imóvel e impossibilitado de correr
indo para o negro buraco
das últimas lembranças.
Vejo as luzes da cidade
vejo os meus pecados ordinários
vejo que sou a podridão em pessoa
o nojo que tanto tenho medo
algo que até o inferno tem pavor.
Sinto-me angustiado
me perguntando sempre
-O que vai ser de mim?
Me tremo de medo
gela-me o corpo todo
o frio é intenso
pois vejo que não tenho salvação.
Vejo que me vou
para o além
sem salvação talvez
sem misericórdia
sem sequer uma vida
voando pelo além.
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