E na paralaxe do indefinido
sinto o chão ceder como pó
como se fino fosse
sinto os pés voando
debaixo do ar poluído
das grandes mentiras.
Era o dia certamente
marcado no relógio quebrado
a tempos assim parado
o relógio do tempo arrasado.
Era o dia, sim senhor!
O dia sem juízo
sem nada a existir
o dia das horas paradas
malditas que fossem
essas horas paradas.
Na paralaxe do indefinido
me sinto flutuar no nada
como se o nada existisse
debaixo de meus pés
imundos que são
no dia parado
na hora marcada
no minuto arrasado
no segundo pingado
da real mentira da vida.
E na paralaxe do tempo parado
arrasado pelo próprio tempo corrente
que não pode correr mais
sinto-me voar no céu sem cor
que não é verde
nem branco, azul amarelo
nem negro
nem de cor nenhuma.
Sinto-me o tempo arrasado
pouco pingado no pulso de ninguém
pouco dito, pouco falado
na paralaxe da inconstância da mente
da minha própria mente.
E na paralaxe do tempo final
sinto-me o morto cabal
que esqueceu de morrer
por culpa do relógio parado
do relógio arrasado.
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