Ouço o último som de minha vida
em plena morte presente
o som da mais terrível música
a música da doce morte vinda
brindando minha chegada
ao dito paraíso criado por mim.
Ouço o alegre orgão triunfante
soprando inconfundíveis notas
soltando sua música de alegria
mais um morto a pagar
os impostos cobrados no céu.
Ouço vozes de crianças
milhares delas
anjos sem sexo e sem vida
mas que podem assim viver
eternamente no paraíso chato
branco, sem-graça, sem vida.
Ouço ao longe
o choro dos que me deixaram morrer
o pranto triste terrestre de pura dor
mais um ente querido se foi
para o dito paraíso
que criaram para mim.
Não tive a escolha
de escolher o dito paraíso
que eu mesmo fiz
que eu mesmo imaginei
mas que errado deu
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Por favor, digam o que acham de meus poemas.