Um cemitério
e diante dele gente morta
pois a terra é a gravida
as avessas
que que faz perder ao invés de ganhar
mas no fundo sempre nos ganha.
Sepultamentos quantos aqui!
Mortos de todas as datas
cores
estilos
religiões.
Vejo minha próxima morada
comprada em parcelas mínimas
pagas pela própria vida
hedionda de um quase morto.
Cruzes
sepulturas
vidas enterradas
paraíso ao paleontólogo
inferno talvez
aos que aqui jazeram em vida
dentro de um caixão.
Pois se o melhor de todos
os paletós que conheço
se deteriora com o simples tempo
de enterramento
então...
para que bonito se vestir?
Confesso que a idéia me assombra
mas em que pensar num cemitério?
Melhor fazer o último censo da morte
para ver quantos há mortos aqui
contar até morrer de contar
na triste ironia de um cemitério.
Me resta apenas pensar na morte
e no plano funerário atrasado
morrer com nome limpo
ou sujo mesmo?
Quem se importa?
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Por favor, digam o que acham de meus poemas.