quarta-feira, 19 de maio de 2010

Poesia Póstuma de um Poeta Quase Morto, Quase Vivo

Espero nunca ser
póstumo em vida
pois deve ser ruim
agonizante
ser morto em vida
morrer vivendo
viver morrendo.

Não quero ser
um caixão ambulante
perambulante pelas ruas
assustadoramente
convencido de estar vivo
mesmo estando morto.

Pois é agonia viver assim
pois é agonia morrer assim
pois não quero ser
o tal zumbi perambulante.

Pois se for para morrer
que seja por completo
corpo e alma enterrados.

Pois se for para viver
que seja por inteiro
corpo e alma andantes.

Pois nem morto
quero ser um vivo-morto
ou ser um morto-vivo.

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