domingo, 20 de fevereiro de 2011

Indiferente

Sigo o rio indiferente
vendo a paisagem toda igual
verde
sempre verde
escuro
claro
médio
acinzentado
avermelhado
sempre aves
com ou sem asas
sempre água
poluída até o talo
possuída até na alma.

Verde é a mata verde
azul e branco é o céu de nuvens
tão indiferente isso para mim
tão indiferente os macacos
nas copas das árvores
comendo bananas
tomando conhaques
festejando a alegria
de mais um dia qualquer.

Tão indiferente
girafas no bar
elefantes no boliche
onças de all star
indiferente mesmo
até para mim
e para você.

Indiferente mesmo
mulas ouvindo rock
leões ouvindo Beatles
e a roda de burros
tocando samba.

Indiferente as árvores
com suas violas
seus bandoneões
harpas
violões
escaletas
tocando folk
numa praça de Nantes.

Indiferente mesmo
para mim ou para você
ver tantas coisas absurdas
no mundo do absurdo
que é o nosso
próprio mundo.

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